As novidades que vão agitar os mercados nesta sexta-feira

No pregão de ontem, muitos dos mercados globais sofreram mais uma onda de liquidação de ativos de risco, que afetou não apenas as ações de países desenvolvidos, como também moedas emergentes, passando pelas commodities, como o petróleo que está em grande evidência em decorrência da reunião organizada pela Opep.

A prisão de Meng Wanzhou, vice-presidente financeira da Huawei e filha do fundador da empresa, Ren Zhengfei, provocou muito mais que grande oscilação no mercado: as relações entre Estados Unidos e China podem esmorecer. Ao final do dia do ocorrido (6), o dólar fechou em alta pelo terceiro dia consecutivo e superou o patamar de R$ 3,94, uma elevação de 0,17%. A moeda fechou vendida a R$ 3,8745.

Apesar do episódio que intensificou entre os investidores os temores quanto a guerra comercial, Wall Street conseguiu encerrar o último pregão com a recuperação de boa parte das perdas percebidas ao longo do dia. O alívio, contudo, aponta instabilidade com ações que atingiram preços considerados baixos demais para elas, revelando uma cautela entre os investidores que podem ver o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) elevar pela quarta vez neste ano os juros em reunião prevista para acontecer nos dias 18 e 19 deste mês.

Este fato também fez as bolsas asiáticas reagirem e respirar após o Wall Street Journal publicar a especulação de que o Fed pode elevar, de forma ainda mais gradual do que se esperava, os juros. Apesar da fragilidade percebida na trégua entre Washington e Pequim e um dia após a prisão de Wanzhou, os mercados acionários da Ásia fecharam o último pregão com moderada alta, indicando certa recuperação no setor de tecnologia que havia recuado no dia anterior.

Na Europa, as altas das ações de tecnologia dão suporte à recuperação dos índices. Os futuros em Wall Street apontam para abertura em queda, ainda impactos pelo “sell-off” do petróleo. Na semana passada, os Estados Unidos passaram a ser exportadores líquidos de petróleo na semana passada, rompendo 75 anos de dependência contínua do petróleo estrangeiro e atingindo um marco importante – ainda que por um breve período – em direção ao que o presidente americano, Donald Trump, classificou de “independência energética”.

Os preços da commoditie segue em queda no último dia de reunião da Opep e países aliados, liderados pela Rússia, que se reúnem em Viena para tentar chegar a um acordo sobre a crise do setor. Os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo chegaram a um acordo preliminar para cortar a produção de petróleo, mas adiaram a decisão, enquanto negociam com a Rússia sobre o quanto o país aliado contribuirá com o corte e qual será a quantidade exata.

A instabilidade do ambiente externo refletiu nos ativos brasileiros que, na última quinta-feira (6) operaram sob pressão. Apesar disso, não se sabe ainda o quanto este cenário afeta diretamente o movimento do mercado. A expectativa para a reforma da Previdência e o crescimento econômico em 2019 também levam os investidores a “defender” o patamar de preços por aqui.

Relatório Gratuito: Banco do Brasil: O gigante acordou

Os indicadores econômicos desta sexta-feira

O que mais se destaca na agenda econômica dos Estados Unidos é o relatório do mercado de trabalho que será divulgado ainda na manhã desta sexta-feira (7). Segundo estimativas realizadas pela Rosenberg Associados, a expectativa é que se mantenha a taxa de desemprego em 3,7% no presente mês. Aqui no Brasil e após um dia de agenda tranquila, contaremos com a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), relativos ao mês de novembro. A Bloomberg aponta uma média de deflação em 00,9% no mês e inflação de 4,17% no acumulado dos últimos 12 meses.

O cenário político continua em destaque

Onyx Lorenzoni, futuro ministro da Casa Civil, confirmou a participação da pastora Damares Alves, assessora do senador Magno Malta, como ministra da pasta Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. O anúncio que foi feito na última quinta-feira (6) deixa agora em aberto apenas o Ministério do Meio Ambiente.

O que mais pode despertar a atenção nos próximos dias é a indefinição sobre o destino da Fundação Nacional do Índio (Funai). Um grupo de, aproximadamente, 80 indígenas manifestaram na última quinta-feira em defesa de que a Funai permanecesse na pasta chefiada por Sergio Moro. O presidente eleito, Jair Bolsonaro, decidiu que a fundação será transferida para a pasta que será comandada pela pastora e defendeu que a ministra é advogada, educadora e mãe de uma índia.

Após a confirmação, a futura ministra do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos afirmou que “nenhum homem nesta nação vai ganhar mais do que mulher na mesma função”.

Ainda em aberto, Bolsonaro tem se mostrado insatisfeito com o perfil dos candidatos a ministro do Meio Ambiente. Para ele, o assunto precisa ser tratado com cautela e por isso nenhum nome ainda foi citado oficialmente. De acordo com o Valor Econômico, Bolsonaro teme que haja forte reação negativa internacional de ONGs e ambientalistas ao escolhido para o posto.

A intensa participação dos filhos do presidente eleito tem causado apreensão entre os integrantes da equipe de Bolsonaro, de acordo com a colunista da Folha, Mônica Bergamo. Talvez por isso, mesmo após considerar a indicação de um de seus filhos para cuidar da comunicação, Bolsonaro deve optar por um general para o cargo.

Relatório gratuito: Finanças Pessoais

De acordo com a Folha de S. Paulo, o atual governo de Michel Temer deve deixar como herança ao governo de Jair Bolsonaro pelo menos R$ 335,6 bilhões em investimentos já engatilhados, fruto de privatizações e concessões realizadas ao longo dos últimos anos. Além disso, outros R$ 195 bilhões também podem ser deixados em projetos que ainda estão em fase de preparação.

Também em destaque está a disputa pela Presidência do Senado, que entrou no cálculo da votação do projeto da cessão onerosa de áreas do pré-sal. A decisão parece ter ficado ao encargo do próximo comandante da Casa a condução do acordo.

As principais notícias corporativas de hoje

A Petrobras vai dar início a oferta de recompra de até US$ 1,5 bilhão em Global Notes emitidos pela subsidiária Petrobras Global Finance. A Eletrobras está se preparando para encerrar um capítulo complicado da sua história na próxima segunda-feira (10), dia em que poderá ter uma resposta positiva quanto a privatização da distribuidora Amazonas Energia.

Na tarde da última quinta-feira (6), o juiz Victorio Giuzio Neto, da 24ª Vara Cível Federal de São Paulo, concedeu liminar suspendendo o negócio entre as empresas Boeing e Embraer. Isso quer dizer que o acordo entre essas companhias não pode ser fechado, embora não paralise as negociações. Em comunicado oficial, a Embraer afirma que “tomará todas as medidas judiciais cabíveis para reverter a referida decisão”.

Após polêmica que envolveu a agressão e morte de um cachorro em loja do Carrefour, situado na cidade de Osasco (SP), a rede montou uma equipe multidisciplinar para administrar a crise que já está sendo enfrentada. A Grafisa arquivou um pedido junto ao órgão regulador dos mercados de capitais dos Estados Unidos (SEC) para “deslistar voluntariamente” suas ações da NYSE. Se tudo correr bem, o último dia de negociações será em 14 de dezembro.

Baixe o E-book O Guia Completo de Como Ter Sucesso Nas Operações de Day Trade