As principais notícias que já estão movimentando os mercados

As bolsas asiáticas encerraram a semana em tom positivo, impulsionadas pela melhora no mercado norte-americano e lideradas pelos mercados de Tóquio e Hong Kong. Juntas, as respectivas bolsas acumularam ganhos de 4% na primeira semana completa de 2019 e cravaram um dos melhores resultados para a maioria dos mercados do continente asiático.

O aumento do apetite por risco mesmo em meio às preocupações com o shutdown e a desaceleração econômica chinesa não foram fortes o suficiente para derrubar as bolsas asiáticas. Na última quinta-feira (10), autoridades dos Estados Unidos ainda disseram que aguardam a visita do principal negociador comercial da China em Washington ainda em janeiro, dando indícios de que novas discussões elaboradas acerca da guerra comercial que tem acometido às duas potências devem ser retomadas.

As bolsas europeias também seguem tendo um resultado positivo, mas podem sofrer algumas variações em decorrência das discussões sobre o Brexit. O bom humor global também atingiu índices futuros norte-americanos que estão se mantendo estáveis, com mínima variação, enquanto aguardam pelos dados de inflação e de novas informações sobre o shutdown do governo – que pode ser ainda mais prolongado.

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Os principais índices econômicos desta sexta-feira

Ao contrário da última quinta-feira em que o destaque ficou para as publicações no exterior e a agenda doméstica esteve esvaziada, hoje, o nosso destaque vai para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) relacionado ao mês de dezembro e acumulado de 2018. Lá fora, o mercado fica atento ao índice de preços dos Estados Unidos.

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Semana de festa

A semana de euforia para o mercado local caminha para fechar bem a semana impulsionada por commodities em alta devido ao otimismo nas negociações entre EUA e China, além do discurso do presidente do banco central norte-americano de que serão pacientes na elevação de juros por lá.

Enquanto isso, Bolsonaro anunciou que não vetará a venda da Embraer, que é um ponto positivo. E a inflação medida pelo IPCA fechou 2018 em 3,75 por cento, levemente acima do que era esperado de 3,71 por cento.

E eu com isso

Com o cenário externo mais positivo aliado ao ânimo interno, fecharemos a sexta-feira com bom humor para ativos locais.

Glenda Ferreira – Economista e bacharel em Relações Internacionais pela Facamp, tem experiência em planejamento financeiro. Atualmente é Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos.

O cenário político continua em destaque

O governo de Jair Bolsonaro vem enfrentando algumas dificuldades desde antes de sua posse em 1º de janeiro deste ano. Isso, contudo, se agravou desde então e de lá pra cá muitas controvérsias ficaram em destaque. As desarticulações internas seguem em destaque, mas o que ganhou fôlego desde a última quarta-feira foi a demissão de Alex Carreiro do antigo presidente da Agência de Promoção de Exportações (Apex), apenas uma semana após a sua nomeação.

Embora a demissão tenha sido anunciada pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, um dia após o comunicado Alex Carreiro seguiu trabalhando ontem (10), cumprindo “expediente normal”, segundo a assessoria do órgão. A nota informou que Carreiro efetuou despachos internos e foi recebido para audiências autoridades de Estado. Posteriormente, o presidente Jair Bolsonaro confirmou em sua rede pessoal do Twitter a demissão, na mesma mensagem em que apontou quem o substituiria.

Quem assumirá a liderança da agência será o embaixador Mário Vilalva, uma medida rápida provavelmente para tentar resolver um terremoto provocado na agência em decorrência dos últimos acontecimentos. Vilalva, contudo, não detém de experiência adequada em comércio exterior e promoção comercial, como também nunca ocupado qualquer cargo relevante na administração federal. Sua qualificação pode ser uma nova porta de entrada para duras críticas ao governo Bolsonaro que ocasionalmente indica amigos pessoais para integrar cargos importantes em instituições como a Apex.

O governo também foi confrontado pelo ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) Paulo Rabello de Castro. Mediante ao comunicado de que o governo abriria a “caixa-preta” da instituição emitido por Joaquim Levy no ato de sua posse como dirigente da instituição financeira e endossado pelo presidente Jair Bolsonaro em sua conta pessoal do Twitter, Rabello disse que é preciso “ir até o fim” na apuração da acusação. Se não for comprovada, é necessário um pedido de “desculpas”, afirmou ao Uol.

Com a instauração com novo governo, é natural que muitas mudanças aconteçam. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, também está usando parte dos seus primeiros dias de mandato para reformular estruturalmente o Itamaraty. Por meio de decreto publicado na última quinta-feira (10) no Diário Oficial da União e assinado pelo chanceler, pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, a partir do dia 30 de janeiro o Ministério das Relações Exteriores do Brasil vai contar com uma Secretaria de Assuntos de Soberania Nacional e Cidadania. O decreto também permitirá que os cargos de assessores especiais do chanceler sejam preenchidos por pessoas de fora da pasta.

O indulto presidencial também vai ganhar uma nova perspectiva, mesmo após Jair Bolsonaro ter afirmado que não o concederia. Com isso, o presidente da República quer apresentar um viés mais “humanitário” à medida e seu governo trabalha na elaboração de um decreto para prever perdão de pena de condenados com doenças graves ou terminais.

Relatório gratuito – Petrobras: O petróleo é nosso

As principais notícias corporativas desta sexta-feira

A joint venture entre Embraer e a norte-americana Boeing está oficialmente prestes a ser concluída, agora que o governo brasileiro declarou que não irá exercer o seu direito de veto no processo de venda. Em nota oficial, a Presidência da República emitiu que “o presidente foi informado de que foram avaliados minuciosamente os diversos cenários, e que a proposta final preserva a soberania e os interesses nacionais. Diante disso, não será exercido o poder de veto ao negócio”. Instantes após o comunicado, a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência (Secom) afirmou em nota o “ok” do governo e foi seguido pela Embraer que também confirmou a aprovação.

Isso, contudo, não quer dizer que a operação será consumada agora. Embora a União não vá interferir, é preciso uma ratificação pelo seu conselho de administração; deliberação e aprovação pelos seus acionistas em assembleia geral extraordinária; a autorização por autoridades concorrenciais brasileiras, dos Estados Unidos e de outras jurisdições. A outra boa notícia para ambas as empresas é que o novo acordo para uma nova joint venture também foi confirmado. Neste caso, o projeto visa a promoção e desenvolvimento de novos mercados para o avião multimissão KC-390.

A Petrobras vem realizando uma série de modificações internas, a começar pela diretoria-executiva que nos últimos dias foi quase completamente reformulada. Agora, Carlos Victor Guerra Nagem, capitão-tenente da reserva da Marinha e classificado como “amigo particular” de Jair Bolsonaro pelo próprio presidente da República, foi indicado para assumir a gerência executiva de Inteligência e Segurança Corporativa da estatal. A indicação foi confirmada pela petroleira e disse ainda que, como de praxe, seu nome ainda “será submetido aos procedimentos internos de governança corporativa”.

Enquanto isso gera polêmica em decorrência da proximidade do indicado e o presidente Bolsonaro, Castello Branco, segundo apurações do Valor Econômico, pode estar pressionando pela saída de mais dois integrantes do conselho: Segen Estefen e Durval Soledade Santos. Caso não renunciem, uma assembleia geral extraordinária de acionistas da União pode ser convocada para destituí-los.

A abertura de capital da BB Seguridade pelo Banco do Brasil foi mais positiva do que o esperado e hoje é citada como um dos IPOs de maior sucesso em toda a bolsa brasileira. Quando planejado, o mercado acreditava que a operação – iniciada em 2013 – destravaria um valor oculto na instituição financeira. Sua oferta de ações movimentou R$ 11,5 bilhões e foi decisiva para atenuar os problemas de capital que o BB enfrentaria nos anos seguintes. No entanto, afetou a rentabilidade do Banco do Brasil.

 Relatório gratuito – Banco do Brasil: O gigante acordou