Azul tem resultados positivos, mas câmbio e combustível a fazem recuar 41% no trimestre

A Azul reportou um lucro líquido de R$ 116,6 milhões. Embora os dígitos representem uma boa quantia, também equivale a uma queda de 41,5% do lucro obtido no mesmo período do ano anterior.

Essa queda nada tem a ver com a receita obtida pela terceira maior companhia aérea do país, que registrou aumento sólidos em todos os setores como, por exemplo, a receita com transporte de passageiros (20,9%, para R$ 2,31 bilhões).

Quando medida por passageiros-quilômetros transportados (RPKs), houve um aumento de 20,2%, ao passo que a capacidade de oferta cresceu 19,3% quando comparado pela mesma base e refletiu na receita por passageiro que deu um pequeno salto de 1,3% em virtude do aumento das tarifas e taxas de ocupação que atingiu 83,7%. Além disso, no mesmo período outros serviços também sinalizaram um aumento notório de 62,4%, para R$ 129,6 milhões.

Ainda que com ótimos e positivos resultados, o recuo aconteceu em função de uma desvalorização de 25,1% do real e com o aumento de 47,1% no preço do combustível por litro. Isso é, o custo operacional atingiu um número exorbitante e abateu os outros números positivos da companhia e reduziu o lucro operacional em 28,3% (R$ 174,1 milhões) em função de um aumento com despesas de 29,7% (R$ 2,28 bilhões).

De acordo com a Azul, as perdas com o real (a variação cambial resultou em uma perda de R$ 35 milhões, número bem discrepante dos R$ 19,9 milhões ganhos no ano anterior) e a alta do combustível impactaram diretamente no resultado negativo de 16 pontos na margem de lucro operacional ou R$ 323 milhões. O resultado financeiro líquido foi de uma despesa de R$ 94,4 milhões, com aumento de 36% sobre o terceiro trimestre de 2017.

A redução do CDI médio e um crédito fiscal de R$ 18 milhões no terceiro trimestre do ano anterior também influenciaram na queda de 72,1%, para R$ 9,7 milhões da receita financeira, que elevou a base de comparação. Em razão disso, mas também da queda de taxas e tarifas bancárias e à redução do custo médio da dívida, as despesas financeiras diminuíram 24,9%, para R$ 106 milhões.

A margem Ebitdar caiu 3,8 pontos percentuais no 3º trimestre, para 27,7% e o lucro antes de juros, impostos, depreciação, amortização e arrendamentos (Ebitdar) cresceu 7,6% no terceiro trimestre, para R$ 675,4 milhões.

Em busca da expansão de capacidade em assentos-quilômetros disponíveis

De janeiro a setembro, houve um aumento de 16,7%, na oferta ante ao mesmo período do ano passado ao que a companhia tem buscado responder de forma proativa, buscando o ajuste de sua capacidade. Com planos para um aumento ainda em 2018, a companhia busca um aumento de capacidade em 16%, no limite inferior da projeção anunciada no segundo trimestre do ano, que era de um crescimento entre 16% e 18%, mas conta com a volatilidade cambial e os preços do combustível.

Em projeção, a Azul espera para ainda 2018 um aumento de 9% na margem operacional, excluindo eventos não-recorrentes (ficando à margem da projeção anterior que estava entre 9% e 11%), mas também há projeções para o mercado doméstico: um crescimento na oferta mais próxima de 7% e para a oferta no mercado internacional um aumento próximo de 50% e uma queda de 1% no ano referente ao custo por assento-quilômetro oferecido, excluindo despesas com combustível (cask ex-combustível), para dar continuidade à retração de 0,2% que aconteceu nos nove primeiros meses do ano.

Dívida líquida da Azul atingiu R$ 735,7 milhões

O terceiro trimestre da Azul se encerrou com liquidez total de R$ 4,11 bilhões, montante 33,9% superior ao de 2017 (período que havia registrado um aumento de R$ 1 bilhão). Em termos de caixa (conta, equivalentes de caixa e aplicações financeiras), o alcançado foi R$ 2,78 bilhões, com avanço positivo de 22,6% em relação ao ano passado.

A dívida líquida da companhia aumentou em 15% (R$ 735,7 milhões) em relação ao terceiro trimestre do ano anterior e ficou equivalente a 4,2 vezes o Ebitdar. A companhia aérea também informou que protegeu 100% do principal e juros da dívida de US$ 400,0 milhões emitida em 2017 contra o risco de variação cambial – precaução que gerou um ganho líquido de R$ 226,9 milhões em setembro deste ano (2018).

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