BofA Merrill Lynch reduz projeções para bancos brasileiros e rebaixa Itaú e Bradesco

Apesar da retomada da economia, os grandes bancos brasileiros devem ter um crescimento menor dos lucros este ano e no próximo, em torno de um dígito, menos da metade dos 20% do ano passado, por conta da queda da taxa de juros, das mudanças regulatórias para estimular a concorrência e da atuação das fintechs, afirma o Bank of America Merrill Lynch, que recomenda cautela com o setor e reduziu a recomendação e o preço-alvo para os papéis do Itaú Unibanco e Bradesco.

O BofA baixou a projeção de lucros dos bancos em 2020 em 8%, pelo efeito do aumento da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, de 15% para 20%, que pode eliminar até 3 pontos percentuais dos ganhos, e pela redução do spread sobre as taxas de empréstimos e os ganhos de tesouraria com a diminuição dos juros, resultando em mais 3 pontos de perda. O banco americano, porém, mantém uma estimativa de crescimento de 12% nos empréstimos, puxado por pessoas físicas e pequenas empresas, tarifas de serviços subindo pouco acima da inflação, despesas administrativas aumentando menos que os índices de preços e um acréscimo das provisões por perdas de 13%, proporcional ao salto da carteira de crédito e à mudança de perfil de risco. Assim, os grandes bancos, bem capitalizados, devem manter forte distribuição de parte dos lucros e um retorno em dividendos de 5,7% este ano.

Apesar desse ambiente positivo e da redução do custo de capital de 12% para 10,8%, pelo juro mais baixo, o BofA espera um crescimento menor da rentabilidade dos bancos privados brasileiros, em torno de 1,5 ponto percentual, pela queda dos juros. Nas estimativas do BofA, Santander e Bradesco devem ter os maiores aumentos de lucros entre os bancos privados, mais de 4%. Já o Itaú deve ter o pior desempenho, com o lucro líquido caindo 3%. O retorno sobre o capital, ou ROE, do Bradesco, em termos recorrentes, deve ser de 17,6% este ano e 17,4% em 2021, ante a estimativa anterior de 18,7% e 18,5%, respectivamente. Para o Itaú, a projeção é de ROE 20,9% este ano e 20,4% no próximo, ante 22,3% e 22,0% na estimativa anterior. Já o retorno do Santander foi elevado de 20,0% este ano para 20,5% e de 18,5% para 19,9% no ano que vem.

O banco americano reduziu a recomendação de Itaú Unibanco de Neutral para Underweight e o preço-alvo de R$39 para R$34, equivalente a US$9. O Bradesco foi rebaixado de Buy para Neutral e o preço-alvo de R$46 para R$39, ou US$10 por ADR. Já o Santander teve seu preço-alvo reduzido de R$51 para R$46, ou US$12 o ADR, e segue com recomendação neutra. Os preços foram calculados em dólar e convertidos para reais pela cotação de R$3,84 por dólar no fim de 2020. Hoje, as ações PN do Bradesco eram negociadas a R$34,90, em queda de 1,55%, as PN do Itaú Unibanco, a R$34,43, queda de 1,46% e a unit do Santander a R$45,85, queda 0,82%