Carteiras de setembro combinam cautela, apetite por papéis mais baratos

As maiores corretoras do Brasil estão indecisas quanto à orientação das carteiras dos seus clientes, com algumas prevendo viés de queda e volatilidade acentuada na bolsa, enquanto outras observam crescentes oportunidades de lucro na esteira da forte correção do mês passado.

Para a BB Investimentos, a bolsa está descolada temporariamente dos fundamentos e deve replicar em setembro a volatilidade do mês anterior. Em geral, analistas de BB, BTG Pactual, XP Investimentos e Mirae veem um quadro internacional de pouca visibilidade por conta dos desdobramentos da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, pelos riscos crescentes de uma saída abrupta do Reino Unido da União Europeia e pelo aprofundamento da crise financeira e política na vizinha Argentina.

Embora a tendência das ações brasileiras seja a de continuar oscilando juntamente com as outras bolsas globais, para o estrategista de ações do BTG Pactual, Carlos Sequeira, elas estão “atraentes nos níveis atuais”. O Ibovespa, excluindo as ações da Petrobras e da Vale, negocia a 12 vezes o lucro estimado, pouco abaixo de sua média histórica. Sequeira e estrategistas de outras casas concordam que a melhoria dos fundamentos de longo prazo da economia brasileira, além da expectativa de queda nos juros, deve impulsionar o mercado no futuro próximo.

Entre os riscos, uma valorização mais forte do dólar pode impactar negativamente as ações no Brasil, dada a correlação negativa com o Ibovespa. Mas, sob a ótica do investidor estrangeiro, a bolsa volta a ficar mais barata, “representando uma oportunidade para o ingresso de capital estrangeiro no Brasil”, disse Victor Penna, da BB Investimentos. De outra parte, a agenda doméstica permanece robusta e avança, o que pode ajudar a acelerar a recuperação da renda variável no país, avalia Karel Luketic, da XP Investimentos. “As sinalizações são na direção correta”, aponta.

Em termos da composição da carteira, BTG Pactual a manteve sem alterações para setembro: Bradesco, JBS, Renner, CPFL, Rumo, Localiza, Kroton, Multiplan, Totvs e Oi. A Safra Corretora excluiu BR Distribuidora e IRB Brasil, e incluiu Energisa, Yduqs, Telefônica Brasil e BRF. Já a XP trocou Bradesco por Itaú, um nome mais resiliente me meio à volatilidade. Substituiu também IRB Brasil e GPA por B2W e Iguatemi – uma aposta na melhora do mercado interno. A BB Investimentos manteve os papéis de Bradesco, BRF, Localiza, Natura, GPA, Petrobras e Usiminas, e deram entrada Alupar, Iochpe-Maxion e Suzano no lugar de Taesa, ABC Brasil e B2W.

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