Itaú BBA sugere compra de ações resilientes, como Ambev, com risco de desaceleração global

A deterioração do cenário global e o fraco crescimento das economias irá gerar impactos no Ibovespa, apesar do índice ter um futuro construtivo, segundo relatório do Itaú BBA, que sugere compra de ações locais mais resilientes, como Ambev, Bradesco, Carrefour, Hapvida e Raia Drogasil.

O Itaú vê sinais de deterioração global vindos das principais economias do mundo: nos Estados Unidos, o índice de probabilidade de recessão do Federal Reserve tem tendência de baixa nos próximos 12 meses, relação entre dívida/PIB das empresas em níveis próximos de 2008 e o mercado de ações, que parece inflado por um recorde de recompra. Na Europa, o PIB tem crescimento lento na última década, a rentabilidade dos bancos está baixa e a economia alemã sofre com exportação fraca para a china.

O banco tem uma visão positiva para as ações brasileiras, que devem apresentar melhores resultados com os juros mais baixos e rentabilizar projetos mais rapidamente, apesar de serem afetadas pelo cenário externo. A migração contínua de investidores da renda fixa para a bolsa também será positiva para o mercado variável. Papéis com geração de fluxo de caixa alto, menos endividadas, que sofrerão menos com a alta do dólar, são os mais recomendados para compra, segundo o relatório.

As empresas ligadas a commodities, que representam quase um terço do Ibovespa, serão mais prejudicadas com essa desaceleração. De acordo com a nota, as companhias de celulose oferecerão melhor risco-retorno pelos riscos menores do que as outras commodities, como minério de ferro e petróleo. Entre os setores brasileiros mais protegidos, por terem menor elasticidade ao PIB global e correlação quase zero, estão educação e saúde, bancos, setor de telecomunicações e mídia e commodities que não sejam ligadas a metais nem energéticos, como grãos.