Março sem bala de prata? Previdência deve contaminar sentimento da Bolsa

A bolsa chega nesta sexta-feira acumulando queda de 0,47% em fevereiro. Faltando cinco pregões para o término do mês, caminha para consolidar o arrefecimento previsto para o índice Bovespa após o salto de 10,82% em janeiro.

Baixe o E-book O Guia Completo de Como Ter Sucesso Nas Operações de Day Trade

A gestora da XP Investimentos diz em carta que já no início do mês reduziu um pouco as posições no mercado local por prever aumento da volatilidade a partir do imbróglio político com a reforma da Previdência. Olhando em retrospecto, a cena externa também não ajudava: negociação crucial no Parlamento britânico em função do Brexit e desenrolar da disputa tarifária entre Estados Unidos e China.

Baixe o e-book: Desvendando o swing trade: tudo o que você precisa saber!

Não será surpresa se o stand-by frente à volatilidade se estenda também para março, com outras gestoras ajustando as carteiras à espreita da tramitação da proposta do governo para mudanças nas aposentadorias. Convém ressalvar nesse sentido que Previdência é um tema a ser revisitado ao longo do tempo, assim como ocorre no resto do mundo: não há uma bala de prata. Entre um ajuste fiscal de R$500 bilhões ou R$1 trilhão, que o aperfeiçoamento do texto pelo Congresso não dilua os pontos essenciais da pauta que, por si só, já conduzem uma rota menos nociva às contas públicas.

Baixe o e-book: Guia completo para investimento em renda fixa

PREVIDÊNCIA E POLÍTICA

Paret do ruído deve ser o dilema que deve gerar o estilo de articulação do novo governo e a forma tradicional de fazer política; qualquer aceno do presidente à ultima pode criar problemas para sua popularidade, com a percepção de que está quebrando promessas de campanha a favor da reforma, projeto altamente impopular entre muitos cidadãos.

Baixe o Infográfico: 5 motivos – Por Que Investir na Bolsa Agora É Um Bom Negócio

Bolsonaro sabe que propostas serão modificadas pelos parlamentares, diz líder do governo” é uma das manchetes sobre a reforma que o jornal O Globo trouxe hoje. Segundo o senador Fernando Bezerra Coelho, líder da base governista no Senado, o presidente compreende que matérias que chegam ao Congresso costumam passar por alterações – algumas às vezes profundas.

O presidente foi muito claro. Ele disse que passou na Câmara dos Deputados mais de 27 anos e ele tem compreensão de que qualquer matéria que chegue para apreciação dos parlamentares será modificada e aprimorada”, disse Bezerra, segundo o jornal carioca. Começou a lista de intermináveis advertências para o mercado “jair se acostumando” com uma potencial diluição da proposta feita pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e sua equipe.

Relatório gratuito – Petrobras: O petróleo é nosso

Outra manchete do O Globo que pode parecer mais explosiva do que aparenta: com dificuldades para montar uma base parlamentar capaz de aprovar pautas de interesse do governo no Congresso, a articulação política no Palácio do Planalto sinaliza que “está disposta a renunciar a uma das grandes bandeiras de campanha de Bolsonaro para conseguir apoio no Legislativo.” Segundo o jornal, Bolsonaro deve restabelecer a prática e passar a negociar cargos e verbas com líderes partidários.

Relatório gratuito – Banco do Brasil: O gigante acordou

Segundo a reportagem, tanto a Casa Civil, do ministro Onyx Lorenzoni, quanto a Secretaria de Governo, comandada pelo general Carlos Alberto dos Santos Cruz, monitorariam e controlariam a liberação de verbas aos parlamentares. Foi o próprio Bezerra que deu o pitaco ao jornal: a guinada deve reposicionar a Casa Civil na discussão de projetos do governo e permitirá que Bolsonaro tenha reuniões frequentes com os líderes partidários no Palácio do Planalto, a exemplo do que era feito pelos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Michel Temer.

Recentemente houve uma matéria da imprensa local que dizia que mais de 1.000 cargos comissionados não estratégicos – ou seja, com baixo poder decisório – estariam sendo negociados diretamente com parlamentares de vários partidos.