Novembro marca maior saída de recursos do país nos últimos 10 anos

Os dados publicados pelo Banco Central sobre o fluxo cambial foi além do que se especulava nas mesas de operação ao final do mês passado: a saída de recursos pela via financeira superou a entrada em expressivos US$ 6,614 bilhões e, com isso, bateu recorde para o mês em série histórica desde 1994.

Esse resultado negativo é o maior de 2018 e, se considerarmos apenas os meses de novembro, o déficit só não é superado pelo mês referente ao ano de 2008 que registrou uma saída de recursos em US$ 7,159 bilhões.

Segundo o Banco Central, as retiradas totalizaram saque de US$ 12,987 bilhões, enquanto a conta comercial registrou ingresso de quase metade: US$ 6,373 bilhões. Essa discrepância que ajuda a justificar em parte a alta do dólar percebida em período pós-eleitoral, não é de todo ruim para muitos especialistas. Entre novembro e dezembro, há um considerável aumento na remessa de dólares para fora do país. Embora o maior saldo seja distribuído no último mês do ano, houve uma antecipação de remessa de lucros e dividendos pelas empresas brasileiras. Essa hipótese poderá ser confirmada nas próximas semanas, quando o BC publicar o balanço referente ao mês de dezembro.

Baixe o E-book O Guia Completo de Como Ter Sucesso Nas Operações de Day Trade

Para Jayro Rezende, gerente de tesouraria no Banco Central da China, as remessas de dividendos e pagamentos de dívida refletem um bom resultado financeiro. Para o especialista, os recursos ainda podem voltar com a retomada de fluxo estrangeiro, mas fica em aberto em função da imprecisão de estabilidade econômica e o andamento das reformas.

Outro efeito de impulso para o resultado negativo é a redução dos embarques de exportação, percebido em especial na área agrícola. Esses fatores sazonais de fim de ano acabam afetando drasticamente o mercado de câmbio e pressionam mais a liquidez no período. Em novembro, o dólar em comparativo ao real variou em 3,64% (passando de, aproximadamente, R$ 3,72 para R$ 3,85). No mesmo período de 2017, novembro tinha tido um fluxo negativo de apenas US$ 636 milhões, mas a saída em dezembro aumentou consideravelmente para US$ 9,331 bilhões (o que pode acontecer este ano em proporção, mas com resultados em meses invertidos).

Apesar do resultado negativo, o fluxo cambial de 2018 se mantém positivo em US$ 11,761 bilhões.

Com os (ainda tímidos) sinais de fortalecimento na economia brasileira após anos de recessão, as empresas registraram um resultado positivo – que possibilitaram até a antecipação da remessa de lucros e dividendos neste ano. Quando combinado o lucro líquido de 281 empresas não financeiras de capital aberto, nota-se um crescimento 16% no terceiro trimestre de 2018 quando comparado ao terceiro trimestre de 2017, segundo apurações realizadas pelo Valor Data.

Diante deste cenário, o Banco Central tem reagido para estabilizar as contas. Nas últimas semanas, o banco vem realizando atuações no mercado à vista, com o objetivo de promover liquidez por meio de leilões de linha com compromisso de recompra, no total de US$ 5,25 bilhões. O primeiro leilão aconteceu na semana passada, depois do salto de 2,6% dado pelo dólar na segunda-feira (26) e cravando R$ 3,92. Em uma semana, o BC somava três leilões de linha, totalizando US$ 4 bilhões em posição nova e US$ 1,25 bilhão de rolagem. A previsão é que o dinheiro retorne ao banco entre fevereiro e março do ano que vem e, para alguns especialistas, é possível que novos leilões de linha aconteçam nos próximos dias.

Baixe o Infográfico: 5 motivos – Por Que Investir na Bolsa Agora É Um Bom Negócio

A principal dúvida é quando o fluxo de estrangeiros voltará a ingressar em nossas contas. Para alguns especialistas, a probabilidade é que o investidor estrangeiro – que já tem retirado recursos do país e buscado proteção em dólar no mercado de derivativos – só retome seus investimentos aqui em 2019. Em janeiro têm-se início a gestão de Jair Bolsonaro, presidente eleito e os investidores, embora cautelosos, mantém suas expectativas em decorrência das reformas defendidas por Bolsonaro.

Nesta semana, o estrangeiro tem colhido bons frutos em sua aposta na alta do dólar: em três pregões, a compra em dólar futuro e cupom cambial subiu em US$ 3,5 bilhões e bateu novo recorde a US$ 41,231 bilhões. Nesta quinta-feira (6), o dólar começou o pregão em alta de pouco mais de 1%, testando, mais uma vez, a linha de R$ 3,9.

Relatório gratuito: Finanças Pessoais