Os principais assuntos que vão agitar os mercados nesta quarta-feira

A expectativa para o Ibovespa nesta quarta-feira (5) é de tranquilidade, uma vez que não haverá qualquer influência dos Estados Unidos. Essa é uma boa notícia que poderá estabilizar o Ibovespa após a queda de 1,33% pressionadas pelas incertezas sobre o acordo entre Estados Unidos e China, registrada no fechamento do último pregão.

O fechamento da sessão desta quarta-feira para os mercados acionários da Ásia seguiu a aversão ao risco observada no Ocidente e cravou-se queda moderada. Os maiores impulsionadores desse resultado ainda são as incertezas relativas ao acordo firmado entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump e da China, Xi Jinping durante a cúpula do G20 que aconteceu no último final de semana. A promessa de trégua na guerra comercial tem sido conflituosa, uma vez que há informações distintas e nem todas as medidas anunciadas – como parte do acordo – ainda foram aplicadas. O que também motivou a queda moderada nas bolsas asiáticas foi a perda em mais de 3% em Wall Street no dia anterior e a queda livre nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano.

Também inseguras quanto as incertezas provocadas pelos Estados Unidos, as bolsas europeias também recuaram. Em commodities, os preços do petróleo seguem a tendência de desvalorização dos ativos mundiais diante das preocupações com o ritmo de crescimento das economias globais. Nesta quarta-feira (5) os preços caíram, em função dos estoques norte-americanos, podendo impactar nas ações da Petrobras no dia de hoje. De acordo com o Valor Econômico, o banco central da Índia não fez qualquer mudança em sua principal taxa de juros nesta quarta-feira, aguardando os indicativos de quanto a queda dos preços de petróleo impactaria na inflação da terceira maior economia asiática.

Wall Street não funcionará no dia de hoje conforme já havíamos antecipado, em respeito ao luto pela morde do ex-presidente George H. W. Bush, que será enterrado nesta quarta-feira (5). Embora o dia seja de luto, os Estados Unidos têm se preocupado com a possibilidade de mais uma recessão após queda significante na taxa dos Treasuries de 10 anos (para 2,946%, reduzindo o spread contra a taxa de dois anos para sua menor diferença desde 2007), embora o desempenho do futuro dos índices americanos esteja indicando controle da aversão ao risco dos investidores.

O cenário político continua em destaque

Foi com ressalvas, mas também por unanimidade que o Tribuna Superior Eleitora (TSE) aprovou a prestação de contas da campanha eleitoral apresentado pela chapa do presidente eleito, Jair Bolsonaro e de seu vice, General Mourão. Com tudo em ordem e com essa problemática resolvida, Bolsonaro se torna apto a receber na próxima segunda-feira (10) o diploma de candidato eleito, a última formalidade presidencial que antecede sua posse, marcada para acontecer em 1º de janeiro.

Além disso, o senador eleito e deputado estadual, Flavio Bolsonaro, afirmou na última terça-feira (4) que a aprovação da reforma da Previdência deve acontecer em 2019, embora esse provavelmente não seja o primeiro ato da gestão do governo de seu pai, Jair Bolsonaro, que se inicia em menos de um mês. Em razão das dificuldades encontradas para aprovação e da improbabilidade de que a reforma da Previdência entre em pauta novamente este ano, o presidente eleito também manifestou ontem a intenção de que a reforma seja destrinchada antes de ser encaminhada ao Congresso.

Bolsonaro estabeleceu como meta prioritária o trabalho em cima da aposentadoria. A ideia presidencial é de aumentar em dois anos para todo mundo a idade mínima de aposentadoria, respeitando uma diferença de tempo que já existe entre homens e mulheres.

Ainda na última terça-feira, Bolsonaro teve as primeiras reuniões com bancadas de partidos no Congresso Nacional. Os encontros celebrados foram com os deputados federais dos partidos MDB e do PRB e, embora não tenham falado da reforma da Previdência, outros assuntos importantes entraram em pauta. Ao final do encontro, Baleia Rossi, líder do MDB na Câmara, informou que o partido não fará indicações para o governo eleito. Marcos Pereira, presidente nacional do PRB e deputado federal eleito também informou a jornalistas que não há pretensão de indicar oficialmente seus filiados para cargos do governo federal.

Na última terça-feira, o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, anunciou a estrutura básica da máquina federal, o que trouxe a público a grande dúvida de quais seriam as atribuições de Hamilton Mourão, vice-presidente eleito. A estrutura publicada não determinou uma tarefa específica para o general. As funções que supostamente seriam suas, foram atribuídas ao general Carlos Alberto dos Santos Cruz, futuro secretário do Governo. Resta agora saber quais serão as atribuições do vice-presidente, ao passo que maior parte do primeiro escalão já está definido.

Onyx também se manifestou aliviado em função da investigação que teve inicio com base na aprovação do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). A ação prevê uma apuração de denúncias referente a pagamentos realizados de caixa dois da JBS ao futuro ministro da Casa Civil, nas campanhas de 2012 e 2014. Lorenzoni está seguro de que essa investigação trará os esclarecimentos necessários para que isso seja deixado de lado e contou com a defesa de Sérgio Moro, futuro ministro da Justiça e Segurança Pública. “Onyx tem a minha confiança pessoal”, afirmou Moro.

A aprovação da revisão da cessão onerosa da Petrobras foi adiada mais uma vez por falta de acordo entre as equipes do atua governo de Michel Temer e do futuro governo de Jair Bolsonaro a respeito do repasse de parte dos recursos a Estados e municípios sem ferir o teto de gastos. Romero Jucá, líder do governo no Senado ressaltou a possibilidade de que essa definição só aconteça em 2019.

As principais notícias corporativas de hoje

Pela terceira vez consecutiva, a Petrobras manteve o preço da gasolina nas refinarias inalterado entre esta quarta e amanhã (6). Além disso, de acordo com a Bloomberg, a estatal transformará seu setor de petroquímica estratégica em plano 2019-23, fato que abrirá espaço para que a empresa possa manter participação na Braskem.

Ainda sobre a Petrobras e de acordo com o Valor Econômico, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pode forçar a estatal a vender parte de suas refinarias com base no resultado de um estudo a ser apresentado ainda hoje da área técnica do Cade e da ANP.

A JBS define seu primeiro CEO que não é da família Batista. Gilberto Tomazoni foi nomeado como novo presidente-executivo que, de acordo com o Bradesco BBI, é bem quisto pelo mercado e pode trazer bons frutos para a JBS. O Conselho da Telefônica Brasil aprovou o pagamento de R$ 1,35 bilhões de juros sobre capital próprio e, de acordo com a própria empresa, esse valor será creditado individualmente aos acionistas que devem manter o papel até o dia 17 de dezembro.