Os principais assuntos que vão agitar os mercados nesta terça-feira

As bolsas asiáticas começaram a última segunda-feira respondendo positivamente ao encontro de Donald Trump e Xi Jinping, mas fecharam o último pregão em queda em meio às incertezas em relação aos detalhes do acordo de “cessar-fogo”.

A principal divergência é de quando o acordo entrará em vigor, visto que a própria Casa Branca manifestou duas informações diferentes: de acordo com a Reuters, uma autoridade americana informou que essa pausa teria início em 1º de dezembro, momento em que foi selado o compromisso entre os presidentes. Por outro lado, Larry Kudlow, consultor econômico da Casa Branca, disse que o prazo começará a valer a partir de 1º de janeiro de 2019.

Ainda não está muito claro todos os pontos discutidos no acordo que simboliza uma trégua de 90 dias entre Washington e Pequim. De acordo com um pronunciamento oficial da Casa Branca, os EUA se comprometeu a suspender o aumento tarifário previsto (de 25%) que começaria a valer no primeiro dia do ano de 2019, sobre os US$ 200 bilhões em bens chineses. Do outro lado, a China aumentaria suas compras em produtos agrícolas, energéticos e industriais diretamente dos Estados Unidos.

Na última segunda-feira (3), autoridades americanas informaram que os Estados Unidos estão aguardando a movimentação prometida em acordo selado no final de semana, com adoção imediata de medidas. A expectativa é que o país liderado por Xi Jinping cumpra o prometido em termos comerciais, incluindo a redução tarifária aplicada aos automóveis importados dos EUA (o governo americano espera que a tarifa caia a zero) e medidas contra roubo de propriedade intelectual e transferência tecnológica forçada. Pequim ainda não se manifestou a respeito do assunto que tem sido amplamente discutido, suscitando dúvidas nos investidores.

Os preços do petróleo operam mais um dia em alta em meio a expectativas de cortes de ofertas liderados pela Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e uma redução obrigatória na produção canadense. Em destaque, Edouard Philippe, o primeiro-ministro da França, deve anunciar ainda hoje (4) o congelamento do reajuste da taxa sobre combustíveis que entraria em vigor em 1º de janeiro, de acordo com o Valor Econômico.

A expectativa é que o próprio Ibovespa sofra reflexos de um clima mais ameno das bolsas internacionais nesta terça-feira, enquanto enfrentam as incertezas do acordo celebrado na cúpula do G20.

Baixe o E-book O Guia Completo de Como Ter Sucesso Nas Operações de Day Trade

Indicadores da agenda econômica para esta terça-feira

Previsto para as 9h, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará os dados da produção industrial. As projeções da Bloomberg indicam um aumento de 2% em comparação ao mês anterior e 2,1% no mês de outubro em comparação ao ano anterior.

Ainda nesta terça-feira (4), o Banco Central realizará dois leilões de venda de moeda americana conjugado com compra. As sessões estão previstas para acontecer entre 12h15-12h20 e 12h35-12h40.

Baixe o Infográfico: 5 motivos – Por Que Investir na Bolsa Agora É Um Bom Negócio

O cenário político continua em destaque

É possível que dois processos bilionários da União sejam julgados ainda este ano pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e impactem as contas do governo de Jair Bolsonaro em 2019. O primeiro, que está previsto para acontecer na próxima quinta-feira, é sobre precatórios, ao passo que as ações sobre o Fundo de Manutenção e de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef) só não foram julgadas na semana anterior em razão do prolongamento dado ao julgamento sobre o indulto natalino.

Previsto para hoje, a Segunda Turma do Supremo (STF) deve julgar mais um pedido de liberdade feito pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O julgamento pode acontecer a partir das 14h.

Lideradas pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), diversas entidades estão se movimentando para intensificar seus esforços contra a mudança na Lei de Responsabilidade das Estatais, a fim de evitar indicação política em estatais.

Roberto Campos Neto, nome indicado por Jair Bolsonaro à presidência do Banco Central, tem um encontro marcado com Otavio Damaso, o atual diretor de regulação da autoridade monetária, para discutir sua sabatina no Senado. A reunião acontecerá ainda nesta manhã de terça-feira (4).

Embora a expectativa do mercado esteja voltada para o anúncio do futuro ministro para o Ministério do Meio Ambiente que pode acontecer ainda hoje, a agenda do presidente eleito celebrará alguns eventos em Brasília. Bolsonaro desembarca hoje e ficará até a quinta-feira (6). Dentre seus compromissos, destaca-se as reuniões que fará com representantes do MDB, PRB, PR e PSDB.

A cessão onerosa pode aparecer na pauta do Senado outra vez nesta terça-feira para uma nova tentativa de aprovação do projeto. A discussão que tem se arrastado ao longo das últimas semanas se dá porque não tem havido entendimento entre os membros da equipe econômica do governo atual e do presidente eleito, Jair Bolsonaro.

O projeto poderá render R$ 60 bilhões ao governo e já teve votação antes que chegou a um impasse na semana passada diante das dificuldades técnicas para viabilizar parte dos recursos arrecadados aos Estados e municípios. Eunício Oliveira, presidente do Senado, já se manifestou afirmando que só acontecerá a votação quando ambas as equipes econômicas entrarem em um consenso. Em complemento, Romero Jucá, líder do governo no Senado, afirmou que a cessão só será votada se houver uma solução contábil para que os R$ 100 bilhões não impactem no teto de gastos do governo.

Segundo informações do Diário Oficial da União, Onyx Lorenzoni, futuro chefe da Casa Civil, nomeou na manhã desta terça-feira (4) Walter Felix Cardoso Júnior, atuante por mais de 30 anos no Exército brasileiro, para exercer a função de coordenador do grupo técnico de segurança institucional a transição para o governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro.

As principais notícias corporativas de hoje

Banrisul confirmou plano de desligamento para até 600 funcionários após ter sido negado pela Federação dos Trabalhadores e Trabalhadores em Instituições Financeiras do Rio Grande do Sul (Fetrafi-RS) a proposta que visava uma formalização de acordo coletivo, com previsão de desligamento por aposentadoria voluntária. De acordo com o Valor Econômico, também foi aprovado o pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) de R$ 30 milhões relativos ao quarto trimestre.

Em concordância, Petrobras e Eletrobras celebraram um acordo sobre dívidas e disputas judiciais que contribuirá para deixar mais atrativa a privatização da Amazonas Energia e regularizar a cessão do fornecimento de gás para Amazonas GT.

Além da cessão onerosa que continua em destaque deixando todo o mercado à espreita, também entrará pauta no Senado esta terça-feira o Projeto de Lei Câmara (PCL) 78, que permite à Petrobras transferência parcial a terceiros de áreas contratadas do regime de cessão onerosa.

A última segunda-feira (3) foi movimentada para o grupo Fleury que tornou público a notícia de que sua subsidiária, Fleury Centro de Procedimentos Médicos Avançados (CPMA), celebrou a compra de 100% da SantéCorp. A transação movimentou R$ 15,5 milhões. Ainda na noite de segunda, o grupo também anunciou a aquisição da rede de laboratórios de análise clínicas Lafe por R$ 170 milhões.

Ainda na segunda-feira, Enel lançou o novo nome que será adotado pela Eletropaulo: de agora em diante a empresa se chamará Enel Distribuição São Paulo, em decorrência da aquisição realizada pelo grupo italiano cerca de seis meses atrás. Aliado a isso e de acordo com a própria companhia, a empresa fará um investimento de R$ 3,1 bilhões, entre 2019 e 2021, com foco em melhoria da qualidade do serviço e muito mais.

De acordo com o Valor Econômico, a empresa de fidelidade da Gol, Smiles, marcou o dia da inauguração de sua operação na Argentina: 10 de dezembro. Para que sua instalação fosse viabilizada, foi necessário um investimento da ordem de R$ 20 milhões neste ano, realizado pela companhia.