Brasil deve perder o trono de maior produtor mundial de açúcar após 16 anos de reinado

O Brasil vem mantendo a tradição de maior produtor de açúcar do mundo há 16 anos, mas parece estar prestes a perder o reinado para a Índia. O país asiático pode registrar uma alta de 5,2% na produção deste ano, o que lhe dará o recorde de 35,9 milhões de toneladas.

De acordo com Serviço de Agricultura Estrangeira do Departamento de Agricultura dos EUA (Usda, na sigla em inglês), esse crescimento tão significativo é atribuído, em especial, ao aumento da área plantada e à melhora da produtividade.

Se por um lado a produção asiática tem crescido em grande escala, a produção brasileira pode registrar um recuo de 21%, caindo para 30,6 milhões de toneladas produzidas. Essa queda é atribuída ao clima adverso e à opção por uma maior produção de etanol à base de cana.

O primeiro levantamento da safra brasileira de cana-de-açúcar 2018/19, divulgado pela Conab em maio, apontava para uma retração total de 6,3% na produção de açúcar.

Baixe o Infográfico: 5 motivos – Por Que Investir na Bolsa Agora É Um Bom Negócio

Segundo a companhia, o maior agente que tem influenciado o desaquecimento na produção brasileira é o aumento da produção mundial que derruba as cotações internacionais, muito embora a estimativa seja de queda em escala global na produção (4,5%, para 185,9 milhões de toneladas), volume menor que o da estimativa de maio (188,3 milhões) pois foi necessário um reajuste à perspectiva para o Brasil, Tailândia e União Europeia que, na ocasião, foram revisadas para baixo.

Os futuros de açúcar bruto caíram 18% neste ano em Nova York. Em 2017, o preço caiu 22%. Outro fator determinante é a desvalorização do petróleo no mercado internacional, como aconteceu na última terça-feira (20) que derrubou os contratos do açúcar.

Com a oferta nacional mais ajustada e cotações internacionais menos atrativas para o açúcar, as usinas brasileiras devem reduzir os volumes exportados. De acordo com a projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o Brasil deve reduzir suas exportações consideravelmente, saindo dos 28,2 milhões de toneladas da safra passada para, em média, registrar 23,60 milhões de toneladas de açúcar na safra 2018/2019.

Apesar da redução significativa em termos exportação, o país deve continuar liderando em escala global como o maior exportador de açúcar, seguido pela Tailândia e Índia.

No Brasil, o período de comercialização vai de abril a março. Na Índia, esse momento acontece de outubro a setembro e, nos demais países, em sua maioria, o ano-safra vai de maio a abril.

A desvalorização percebida do Real frente ao Dólar ajuda a fomentar essa competitividade do açúcar brasileiro, muito embora esse favorecimento cambial também tenha ocorrido nos grandes produtores da Ásia. Em alguns casos, como na Índia, por exemplo, os volumes exportados devem ser triplicados, passando de 2 milhões de toneladas para 6 milhões de toneladas.

Ainda conforme levantamento realizado pela unidade do Usda, esse crescimento registrado na Índia é tão significativo que, em escala global, o armazenamento de açúcar deverá ser puxado para cima, uma vez que os índices positivos indianos (seu aumento tão significativo nos estoques) compensarão o estoque mais enxuto da China e EU.

Baixe o E-book O Guia Completo de Como Ter Sucesso Nas Operações de Day Trade

Leia também:

O que vai agitar os mercados nesta sexta-feira?