Brasil, referência mundial em fontes renováveis e China encaram 2020 como um ano determinante para biocombustíveis

Em relatório oficial publicado nesta segunda-feira (26), a Agência Internacional de Energia (AIE) aponta que 2020 será um ano chave para as políticas de biocombustíveis em todo o mundo. Aqui no Brasil o programa RenovaBio que foi formulado pelo governo federal para atender aos compromissos assumidos pelo Brasil no acordo climático, de reduzir as emissões de gás carbônico nas áreas de energia e transportes entrará em vigência de forma completa, com metas de descarbonização.

A expectativa é que, com esse programa específico para combustíveis, o RenovaBio fortaleça a economia dos biocombustíveis, reduza os gases do efeito estufa e acelere os investimentos em nova capacidade e produção nas usinas que já existem. Além disso, uma de suas principais metas é a redução de 10,1% na intensidade de emissão de carbono no setor de energia e transportes até 2028.

Plinio Nastari, presidente da consultoria Datagro, acredita que o etanol já é o combustível mais sustentável e, com esse novo plano de ação, a probabilidade é que se torne cada vez mais eficiente do ponto de vista ambiental. Desse modo, o etanol será indiscutivelmente o combustível sustentável em todo o mundo.

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De acordo com o presidente, é muito improvável que o Brasil saia dessa rota de sustentabilidade crescente em que o país se encontra hoje.

O relatório realizado pela Agência Internacional de Energia diz ainda que a China tem atendido sua mistura obrigatória de 10% do etanol na gasolina, em especial por razões de segurança energética, e tem planos para estender essa prática em todo o país. Outro fator determinante é que essa medida também é estimulada pelo controle da poluição do ar.

Inicialmente, o abastecimento acontecerá especialmente por meio do etanol de milho, produzido localmente.

Embora o Brasil e a China se posicionem como os grandes destaques da política de biocombustíveis, a probabilidade é que dentro de pouco tempo a Índia também aumente a produção, uma vez que a política foi recentemente anunciada no local e promete forte adesão.

Com a nova participação somada ao que já tem se manifestado em grandes polos como o Brasil e China, o estudo indica uma ampliação de 12,4% até 2023 na participação de fontes renováveis na demanda energética global, último ano do panorama traçado pela agência responsável pelos estudos. Esse aumento é muito significativo, visto que cresceu muito mais rápido que o último quinquênio avaliado (período que correspondia entre 2012-2017). Logo, as energias renováveis vão atender 40% do aumento de consumo projetado para os próximos cinco anos.

Neste documento publicado, a diplomacia brasileira destaca dois trechos específicos: em um deles, o Brasil é retratado como o país – entre os grandes consumidores globais de energia – com maior participação de renováveis e que que apresenta a matriz energética com menos poluente (“greenest energy mix”).

A biomassa também recebeu um considerável destaque na publicação, não apenas ao compor a capa internacional do relatório mencionado, como também foi chamado de “gigante oculto” em meio às renováveis – expressão coincide com a iniciativa global que agrupa 20 países para promover biocombustíveis, em meio aos seus esforços liderados pelo próprio governo na “plataforma do biofuturo”.

Segundo o Itamaraty, isso contribui com a difusão do etanol e do biodiesel, bem como da biomassa para geração elétrica. Ao contrário das fontes eólica e solar, que são intermitentes, a biomassa pode ser fonte de megawatts independentemente de período do ano.

O analista da Agência Internacional de Energia, Heymi Bahar, que também é um dos autores do relatório em questão, acredita que as energias renováveis devem representar 2/3 do crescimento da demanda brasileira por energia nos próximos cinco anos e que em meio a essa oportunidade, o Brasil tem muito a oferecer e mostrar para o mundo.

Atualmente, o país já é considerado a maior referência mundial na substituição de combustível fóssil por combustíveis renováveis, na forma de etanol e biodiesel. De janeiro a setembro do presente ano, o etanol adicionado à gasolina e utilizado na frota flex do País substituiu 44,3% da gasolina.

Em São Paulo (maior consumidor do modelo de gasolina + etanol), a substituição alcançou 57,8% no período mencionado, ao passo que em Mato Grosso, a taxa foi de 64,2%.

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