Exportações do agronegócio brasileiro registram recorde anual e batem US$ 100 bi em 2018

As exportações do agronegócio brasileiro registraram um novo recorde anual após atingir o valor nominal de US$ 101,69 bilhões no ano passado. Esse saldo representa um avanço de 5,9% quando comparado ao saldo exportado no ano anterior (US$ 96,01 bilhões) e supera o recorde anterior alcançado cinco anos antes, em 2013. Na ocasião, o Brasil havia exportado US$ 99,93 bilhões em produtos do setor.

O crescimento foi impulsionado pelo salto das vendas à China que, começou a importar mais do Brasil após a disputa comercial entre a potência asiática e os Estados Unidos ter início em março de 2018. O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou a intenção de impor tarifas de US$ 50 bilhões a produtos chineses. Para isso, baseou-se na Lei de Comércio de 1974 e citou um histórico chinês de “práticas comerciais desleais” e roubo de propriedade intelectual.

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A partir daí, somaram-se imposições de tarifas em inúmeros produtos norte-americanos, levando a China a buscar os produtos em outro lugar – em especial a soja em grão, carro-chefe do agronegócio brasileiro, mas também de produtos como carne bovina e produtos florestais (celulose).

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Ministério da Agricultura, o aumento foi de US$ 9 bilhões em relação ao ano anterior – valor que supera o aumento US$ 5,67 bilhões registrado no mercado externo de alimentos como um todo.

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Para a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), as vendas para o país asiático explicam o comportamento da balança comercial do agronegócio brasileiro que teve um grande salto positivo.

Em grande escala, a soja foi o principal produto exportado pelo Brasil e chegou a bater seu volume recorde de 83,6 milhões de toneladas. De acordo com o boletim oficial da Secretaria, se não fosse pelas exportações à China decorrentes da forte demanda, o incremento na quantidade exportada não seria possível.

Esse índice também refletiu no consumo chinês que registrou um forte aumento de 15 milhões de toneladas de soja em grãos entre 2017 (quando somou 53,8 milhões de toneladas), para 2018 (quando somou 68,8 milhões de toneladas.

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Embora esse tenha sido o protagonista do agronegócio brasileiro em 2018, especialmente na relação entre Brasil e China, o comércio de carne bovina in natura também atingiu volume recorde na série histórica iniciada em 1997. No ano passado, o setor teve alta de 12,2% quando comparada ao mesmo período do ano anterior e exportou o equivalente a 1,35 milhão de toneladas. Só para a potência asiática foram vendidas 322,3 mil toneladas dessa soma, saldo que representa um aumento de 111,1 mil toneladas em relação a 2017.

A celulose – dentro do segmento de produtos florestais – também se destacou nos últimos 12 meses e obteve valor recorde de US$ 8,35 bilhões (+31,5%), também, em quantidade, chegando a 15,3 milhões de toneladas (+10,6%). A China mais uma vez contribuiu ativamente para esse saldo positivo uma vez que aumentou suas aquisições em 20%, para 6,5 milhões de toneladas de celulose em 2018.

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Em escala maior, a participação do agronegócio brasileiro representou quase 50% do total das vendas externas brasileiras no ano (42,4%). Embora as importações tenham registrado um recuo de 0,8% (US$ 14 bilhões), o saldo da balança comercial do setor ainda teve alta de 7,1%.