PIB do agronegócio registra alta de 0,38% em julho, mas segue negativo, a -0,85%

Cálculos e estudos realizados pelo Cepea/Esalq-USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostram que a estimativa do PIB-renda segue com desempenho negativo de 0,85% no acumulado de 2018, embora tenha respirado em julho ao registrar alta de 0,38%.

Esse crescimento foi impulsionado por todos os segmentos do agronegócio que apresentaram alta em julho: insumos (1,41%), primário (0,49%), que havia registrado uma retração de -3,62% entre janeiro e julho deste ano, agroindústria (0,46%) e agrosserviços (0,15%), que também retraiu entre janeiro e julho em 2018 e registrou -1,13%.

Dentre todos os segmentos do agro e no acumulado de janeiro a julho, o destaque vai para o segmento de insumos por ter apresentado um melhor desempenho e registrado um saldo positivo de 2,84%.

Para as instituições, esse atual cenário da renda acumulada pelo agronegócio em 2018 está diretamente ligado à redução dos preços dos produtos agropecuários.

Se por um lado os preços dos produtos agrícolas registram quedas significativas já no final de 2017, mas alcançaram certa recuperação em 2018, o fechamento abrupto de importantes mercados externos destinos de carnes bovina, suína e de aves brasileiras fez com que o preço dos produtos pecuários, que tem apresentado uma retração significativa, caísse ao longo deste ano.

Outro ponto relevante a ser considerado é a branda recuperação da atividade econômica brasileira que tem limitado o aquecimento da demanda, dos preços e dos produtos pecuários.

Para os pesquisadores do Cepea, esse baixo crescimento econômico também pode ser avaliado após uma análise de questões sociais como a alta taxa de desemprego e a queda do poder de compra da população, mas também as incertezas do mercado provocadas pelas especulações no período eleitoral, como também a manutenção do elevado déficit público.

A medida que tem refletido em resultados mensais positivos é a elevação nos preços, em especial para os produtos agrícolas e teve início em junho deste ano, o que não apenas tem impulsionado a renda gerada no agronegócio como um todo para o segmento dentro da porteira (primário), mas também reflete na alta do PIB registrada em julho.

Contexto macroeconômico brasileiro

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro iniciou o segundo semestre de 2018 com um modesto crescimento de 0,38% em julho e contribuiu para, em conjunto com o crescimento de 0,82% observado em junho, amenizar o desempenho adverso do PIB do Agronegócio no início de 2018 que hoje (com dados até julho) é de -0,85%, mas chegou a -2,12% no acumulado até maio.

De acordo com o apontamento feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), houve um crescimento de 1,1% no primeiro semestre de 2018 no PIB brasileiro quando comparado com o mesmo período de 2017.

Com resultado aquém do esperado pelo mercado no início de 2018, o PIB brasileiro ainda tem grandes chances de se consolidar com crescimento, embora não alcance a meta inicial, um cenário que chama a atenção de todos os setores produtivos brasileiros, com destaque ao agronegócio.

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