Setor bancário adota projeções mais favoráveis para o câmbio em 2019

A postura do Banco Central americano em manter a taxa de juros estável e trabalhar com um tom mais “dovish” junto ao mercado, culminou em um amplo ajuste de expectativas no câmbio. Essa ação aliviou a pressão sobre as moedas emergentes e os bancos Itaú Unibanco, J.P. Morgan e Fibra passaram a adotar projeções mais favoráveis para o desempenho do real.

Contudo, a concretização do cenário positivo dependerá da aprovação da reforma da previdência e do desenvolvimento dos mercados no exterior. Na semana passada, o dólar acumulou alta de 1,95% e fechou cotado a R$3,73, depois de desvalorizar 5,58% em janeiro em meio ao clima otimista com o noticiário político. Em contrapartida, o Ibovespa que prometia superar os 100 mil pontos já no início do ano, parece estar um pouco mais longe de atingir a sua meta recuando aos 95.343 pontos.

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Embora o clima de cautela ainda perdure, as previsões do Itaú Unibanco e J.P. Morgan demonstram que existe espaço para uma depreciação maior do câmbio em relação ao nível atual, projetando o dólar para R$3,80 ao final de 2019, ante o patamar de R$3,90 na estimativa anterior. “Incorporamos nas nossas contas um cenário internacional mais benigno, especialmente em razão da mudança de postura do Fed”, declarou Fábio Mesquita, o economista-chefe do Itaú ao Valor.

Para os economistas do J.P. Morgan, ao longo de 2019, o Fed deverá aumentar os juros duas vezes e o Banco Central Europeu (BCE) deverá intervir pelo menos uma vez na taxa, devido à volatilidade do cenário externo e o agravamento das tensões comerciais entre EUA e China. Suas estimativas apontam para uma redução no dólar para R$3,60 até o final de junho, porém, a divisa americana deve encerrar o ano próximo a R$3,90, como forma de alerta para o crescimento interno.

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Em nota divulgada ao Valor, a economista-chefe do Banco do Brasil, Cassiana Fernandez, afirma que o crescimento “decepcionará as expectativas mais otimistas, à medida que a demanda externa enfraquece e o fardo fiscal persiste”.

O J.P. Morgan acredita que o governo tenha hoje cerca de 80% de chances de aprovar uma Reforma da Previdência mais modesta, contudo, sabe que haverá grandes dificuldades na articulação de apoio parlamentar à uma agenda de ajustes econômicos, principalmente no Senado. Com a volta dos trabalhos no Congresso, o mercado tende a permanecer cada vez mais instável e suscetível às nuances do cenário político.

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“Não acreditamos que esse processo político será linear e sem sobressaltos”, pontuou o economista-chefe do banco Fibra, Cristiano Oliveira. A instituição estabeleceu projeções que consideram uma possível vitória do presidente Jair Bolsonaro na aprovação da Reforma da Previdência junto ao Congresso e sinalizam para o dólar a R$3,50 no fim de 2019. Porém, a equipe do banco segue em alerta para os riscos que decorrem do processo de tramitação da proposta.

Ainda que o cenário externo atue como catalisador dos ajustes para o câmbio, a desaceleração do crescimento global pode afetar o preço das commodities e elevar a busca por proteção, sobretudo nos mercados emergentes, que estão mais suscetíveis a riscos. Tais fatores exercem um impacto muito negativo no desempenho do real e da Bolsa de valores brasileira.