Argentina pode continuar em crise das dívidas em 2020 dependendo do resultado da eleição

Com a derrota de Maurício Macri nas primárias das eleições presidenciais da Argentina, os mercados acionários do país começaram a despencar, além de outras praças ao redor do globo, o que mostra que o país terá dificuldades para quitar suas dívidas no ano que vem.

O mercado de capitais aparentemente está fechado para a Argentina. “Para este ano, todas as necessidades de financiamento estão cobertas. O problema será no ano que vem”, disse ao jornal Valor Econômico Gabriel Caamaño, da consultoria Ledesma.

Segundo Caamaño, a necessidade de financiamento da Argentina em 2020 é de US$ 18 bilhões, sendo que R$ 5,5 bilhões são da nova dívida e o resto em rolagem.

“Em uma situação normal, esses US$ 5,5 bilhões não seriam um problema. Mas para a Argentina de hoje é”, diz Caamaño. “Se o próximo governo não conseguir reverter rapidamente o cenário e recuperar a confiança para que o mercado volte a financiar a Argentina, a quem vai recorrer?’’.

No início de julho, o Fundo Monetário Internacional (FMI) fechou um acordo com a Argentina para a liberação de um saldo de US$ 5,4 bilhões, como parte de um crédito para melhorar a situação econômica do país.

A crise argentina teve início em 2018, após corridas cambiais que aumentaram a inflação e levaram o governo a pactuar um plano com o FMI que inicialmente era de US$ 50 bilhões, mas foi ampliado em mais US$ 6 bilhões.

Para Edward Glossop, da consultoria Capital Economics, ‘’é possível que o FMI peça uma reestruturação da dívida antes mesmo da eleição de outubro.”