As andorinhas vão voltar? S&P pode iniciar onda de melhoras de rating do Brasil

Entre os diversos eventos importantes da Super Quarta, que incluíram decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, o que deve impactar mais os mercados hoje é a melhora da perspectiva da nota de crédito brasileira pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s, a grande novidade de ontem.

A melhora do rating brasileiro vinha sendo cogitada por economistas como Mário Mesquita, do Itaú, e pelo governo. Na semana passada, o secretário do Tesouro, Mansueto de Almeida, afirmou em evento que esperava a ação de alguma agência nos próximos dois meses – mas o mercado não costuma se antecipar a esses eventos sem data marcada. Agora, com a primeira levantando a bandeira, veremos alguma reação, pois as agências de rating, como as andorinhas, costumam andar em bando e outras em breve devem ajustar suas perspectivas ou suas notas à nova realidade brasileira de juros baixos, inflação sob controle e Previdência minimamente ajustada. Faltava apenas a retomada do crescimento, que teimava em não aparecer.

Algumas agências, por tradição, podem demorar mais, como a Moody’s, mas todas já devem estar aguardando novos dados de atividade para reavaliar as notas. Sinais de continuidade das reformas também ajudarão nesse processo. No curto prazo, a melhora da perspectiva do rating, apesar das agências sempre chegarem atrasadas, vai chamar ainda mais a atenção para o Brasil entre os investidores lá fora – como a luz atrai as mariposas. Os grandes fundos institucionais só podem aplicar em países com grau de investimento de baixo risco, o que ainda vai demorar para o Brasil voltar a ter. Mas outros investidores, de fundos que aceitam maior risco, se antecipam e começam a comprar antes. Isso deve ajudar a valorizar o real perante o dólar e ajudar algumas empresas que captam recursos no exterior, pois a perspectiva de risco menor reduz o custo delas. Bancos devem ser beneficiados.