BC deve indicar se Selic abaixo de 4,50% no ano que vem é possível

Com a redução dos juros básicos de 5,00% para 4,50% hoje pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central já dada como certa, a expectativa do investidor estará centrada no tom do comunicado que acompanha a decisão e nas indicações que dará sobre a continuidade ou não dos cortes no próximo ano, disseram economistas e gestores.

O comitê conhecido como Copom já sinalizou em outubro que será mais cauteloso após reduzir a taxa básica Selic na reunião deste mês, e que pretende verificar os efeitos dos cortes anteriores sobre a economia antes de arriscar novas reduções. Os juros futuros já precificam manutenção nos níveis atuais ao longo de 2020. A cautela é justificada, uma vez que a taxa se aproxima da inflação esperada para os próximos dois anos: a projeção é de IPCA subindo 3,6% em 2020, e 3,75% em 2021 para uma meta de inflação de 4,00% e 3,75%, respectivamente. Isso significa um juro real muito inferior aos padrões brasileiros e um diferencial entre o juro local e o dos Estados Unidos decrescente.

Por isso, economistas como José Francisco de Lima Gonçalves, do Banco Fator, acreditam que o Copom vai deixar razoavelmente claro hoje que os cortes precisam parar por aqui. Ele espera A Selic no mesmo patamar até o fim de 2020, em um cenário sem altas súbitas no câmbio ou retomada forte da economia que pressionem a inflação. Em princípio, a taxa na mínima histórica ajudará o consumo e o investimento, reduzirá os custos de refinanciamento das empresas e do governo, e impactará os investidores em renda fixa – que devem aumentar a procura por mais risco, disseram membros experientes do TC como o trader Rafael Ferri.

Para Sérgio Machado, membro experiente do TC e sócio da SF2 Investimentos, o BC já cortou demais os juros e um corte adicional “não teria eficácia sobre a economia”. Para ele, juros e câmbio já estão ajustados ao corte de hoje, mas podem reagir ao tom do comunicado. Mesmo assim, há espaço para novos cortes, defende José Pena, economista-chefe da Porto Seguro Investimentos. Ele diz que o Copom vai deixar a porta aberta para mais um corte de 0,25 ponto percentual em fevereiro, porém evitando comprometer-se claramente com ele. A atividade mais forte, a ser confirmada hoje pelos dados do varejo de outubro, permitem projetar um crescimento de PIB de 2,5% em 2020 que não é impeditivo de um juro mais baixo, diz Pena. A alta recente da inflação também não preocupa, pois foi provocada por fatores localizados que não sofrem impacto da política monetária, aponta, ressaltando que as expectativas para a inflação continuam ancoradas.

Os riscos para esse cenário incluem uma piora nas leituras dos núcleos de inflação, que são mais sensíveis à política de juros, ou das expectativas de inflação, e um impasse comercial mais duradouro entre os EUA e China, que aumentaria a aversão ao risco e pressionaria o dólar para cima. O BC anuncia a decisão a partir das 18h20 de hoje.