Brasil se aproxima do juro real zero, o que deve forçar a mais tomada de risco

Um evento inédito acontece hoje após a decisão de juros do Banco Central de ontem: o juro do contrato do DI com vencimento em janeiro de 2021 oferece pagar menos ao investidor do que o contrato similar para janeiro próximo. Além de inédita, é uma situação atípica: quanto maior o prazo de vencimento, maior, em teoria deve ser a taxa de juros. Mas, como acontece no Japão e em 11 países da União Europeia, estamos na era em que esse paradigma está sendo desafiado.

Neste momento, há uma chance crescente, próxima dos 78%, de que a taxa básica de juros Selic seja reduzida para 5,00% em 31 de outubro. E hoje, mais bancos ajustaram as projeções para o juro: cada vez mais participantes do mercado acham que a Selic pode acabar o ano entre 4,50% e 4,75%. De fato, a probabilidade de um corte de 25 pontos-base em dezembro já atinge quase 35%, disseram traders.

Para o investidor, esse tende a ser um evento importantíssimo: tire 20% de imposto de renda de uma aplicação atrelada à Selic e você terá retorno de 4,40%. Com a inflação referência, o IPCA, cerca dos 3,50%, o ganho real seria de pouco menos de 1%. Se a Selic chegar aos 4,75% ou aos 4,50%, o Brasil entraria no grupo seleto “dos países com juros reais negativos”, disse o diretor da Mirae Corretora, Pablo Spyer. É mais um sinal para o investidor de que precisa tomar risco se quer ver seu patrimônio crescer.