Juros futuros recuam após deflação inesperada em setembro reforçar apostas de corte da Selic

Os contratos de juros futuros abriram em queda nesta quarta-feira, após o índice de preços ao consumidor de setembro mostrar deflação, resultado inesperado, e reforçar as apostas de cortes mais agressivos na taxa básica de juros nos próximos meses.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, mostrou variação negativa de 0,04% no mês passado, desacelerando ante os 0,11% registrados em agosto e abaixo do consenso colhido pelo TC, de alta de 0,03%. Este é o menor resultado para um mês de setembro desde 1998, quando o IPCA ficou em -0,22%. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice ficou em 2,89%, abaixo dos 3,43% registrados em agosto e do consenso de 2,98%. Segundo o IBGE, três dos nove grupos pesquisados apresentaram deflação de agosto para setembro, com destaque para alimentação e bebidas, que mostrou recuo de 0,43%, e artigos de residência, com deflação de 0,76%.

“A deflação inesperada de setembro é o que derruba os juros”, disse Pablo Spyer, diretor da Mirae Corretora. De acordo com economistas e gestores, a retomada fraca da economia e a recente queda nos preços das commodities se tornaram fontes de desinflação na economia brasileira, mitigando em grande parte a alta do dólar – que tende a encarecer os bens importados. A válvula de escape na divulgação de hoje foram os juros futuros, que devem apontar para uma precificação da taxa básica Selic entre os 4,50% e os 4,75% nos primeiros meses do ano que vem. O DI com vencimento em janeiro de 2021, o mais líquido no segmento BM&F da bolsa, caiu 5 pontos-base para 4,760%. O DI para janeiro próximo recuou 2 pontos para 4,970%.

Os núcleos do IPCA, que retiram do índice alguns dos itens mais voláteis na medição da inflação, mostraram, na média, desaceleração, passando de 0,23% em agosto para 0,10% em setembro. O índice de difusão, que calcula a percentagem de itens que subiram na amostra base do IPCA, caiu de 54,3% em agosto para 47,3% em setembro, de acordo com cálculos de economistas.