Santander Brasil, rivais e governo trabalham em fundo para PMEs de R$100 bilhões, diz analista

Os maiores bancos comerciais do país e o governo trabalham na estruturação de um fundo de R$100 bilhões para financiar pequenas e médias empresas, disseram analistas do BTG Pactual nesta quarta-feira, no que até momento seria a maior iniciativa sendo costurada pelo setor privado na esteira da crise econômica causada pela pandemia do coronavírus.

No que o analista Eduardo Rosman, do BTG Pactual, definiu como um “anúncio em primeira mão” feito pelo presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial, a investidores em evento fechado, o fundo seria um veículo de ajuda para a cadeia de pagamentos e fornecedores de PMEs no Brasil. De acordo com Rosman, o fundo seria 70% a 90% garantido por recursos do Tesouro Nacional e o restante bancado pelas maiores instituições financeiras privadas. De acordo com o analista, Rial sinalizou que, “dada a natureza da crise, é necessário fazer mais coisas, como planos para ajudar a rolar a folha de pagamento de todas as PMEs a taxas muito baixas – com uma grande parte desse dinheiro garantido pelo estado. Caso contrário, a mortalidade das PMEs e o desemprego pode disparar”.

O relatório do BTG Pactual veio no mesmo dia em que o bilionário Abilio Diniz disse, em teleconferência organizada pela XP Investimentos, que o ministério da Economia prepara um pacote de socorro de pelo menos R$600 bilhões. Diniz disse ter ouvido a cifra da boca do ministro da pasta, Paulo Guedes. O empresário indicou que o programa de estímulo vai compreender “recursos de bancos públicos, privados, compulsórios”. Não foi possível confirmar com o Ministério se as duas propostas estão sendo desenhadas juntas e fazem parte do mesmo pacote. Faz sentido que os bancos comerciais mantenham parte do risco, embora numa proporção menor, pois há o incentivo entre eles que a crise causada pelo vírus não destrua o modelo de negócio das PMEs e gere uma onda de inadimplências de trabalhadores e empresários. Segundo Rial, o fundo será anunciado em breve e os bancos não estão interessados em lucrar com ele, de acordo com o relatório. (Guillermo Parra-Bernal)