ADR da Gerdau recua em Nova Iorque após Trump retomar sobretaxa sobre aço brasileiro

O recibo de ações da Gerdau negociado em Nova Iorque recuava no pré-mercado desta segunda-feira, após o presidente americano Donald Trump dizer que os Estados Unidos vão retomar a sobretaxação de aço do Brasil e da Argentina, com o argumento de que as desvalorizações das moedas desses países afetam o produtor rural americano.

Em tuíte, Trumo usou a desculpa de que as desvalorizações das moedas argentina e brasileira estão onerando o agricultor dos EUA para elevar as tarifas nos produtos de aço longo e plano desses países. A ação de hoje serve como um lembrete de que, mesmo se Trump fechasse uma trégua com a China, seu governo vai buscar mais frentes para travar guerras comerciais. Os EUA de Trump veem com maus olhos o multilateralismo, e por isso uma solução a esse problema poderá ser negociada longe da Organização Mundial do Comércio – reacendendo o temor de que as tensões comerciais se acirrem ainda mais, após 18 meses de guerra comercial entre EUA e China.

O ADR da Gerdau recuava 0,50% a US$3,95 por volta das 09h50 de hoje. As ações da CSN, outra siderúrgica que negocia na bolsa de Nova Iorque, não operava no mesmo horário. Gerdau tem uma parte significativa das operações de ações longos e especiais nos EUA, com uma rede de usinas espalhada em vários estados. O peso das operações da América no Norte na receita do grupo é da ordem dos 37% da receita.

“O Brasil e a Argentina têm presidido uma desvalorização maciça de suas moedas. o que não é bom para os nossos agricultores. Portanto, com efeito imediato, restaurarei as tarifas de todos os aços e alumínio enviados para os EUA a partir desses países”, disse Trump em tuíte. O presidente Jair Bolsonaro declarou à imprensa hoje de manhã que irá conversar com o ministro da Economia, Paulo Guedes, a respeito e que, se for o caso, telefonará para Trump para tentar resolver o imbróglio. Em 2018, após anunciarem tarifas de 25% sobre o aço e de 10% sobre o alumínio a todos os países, os EUA ofereceram isenções a alguns parceiros, entre eles Brasil e Argentina.