BNDES poderá assumir mais riscos em operações de crédito

Em entrevista ao jornal Valor Econômico desta segunda feira (12), o novo presidente do BNDES, Gustavo Montezano, afirmou que deseja que a instituição passe a assumir mais riscos em operações de crédito.

Para Montezano, o banco ousou mais nos últimos anos nas operações em que apoiou grandes empresas com a compra de participações acionárias, por meio da BNDESPar. “O banco é extremamente conservador no risco de liquidez e crédito. E olha pouco para risco de mercado e risco reputacional” disse Montezano ao Valor.

“O que imagino do banco daqui a cinco anos? O banco tomando menos risco de mercado, sobretudo via BNDESPar, e menos risco reputacional, por tudo o que estamos falando. E tomar mais risco de crédito e um pouco mais de risco de liquidez. Porque quando toma pouco risco de crédito e pouco risco de liquidez fica ineficiente’’, completou o presidente do BNDES.

Mesmo assim Montezano tem ciência de que tomar mais risco de crédito significa mais inadimplência. O Valor apontou que a inadimplência da carteira do BNDES, operações com atraso superior a 90 dias, é a menor do mercado.

Quando, em março, a inadimplência do mercado estava em 2,9%, segundo o Banco Central, a do BNDES era de 1,32%. Neste mês, a inadimplência do segmento de crédito livre chegou a 3,8% e a do direcionado (caso do BNDES e de outros bancos oficiais), em 1,8%.

Montezano também foi questionado sobre a tão debatida transparência do BNDES, e listou 5 metas para aumentá-la: explicar a suposta ‘caixa preta’ do BNDES até 16 de setembro; acelerar o desinvestimento da BNDESPar; transformar a instituição em prestadora de serviços para o setor público; definir plano trianual com orçamento e revisão das dimensões do banco; e devolver R$ 126 bilhões neste ano da dívida com o Tesouro.