Credit Suisse inicia cobertura da JBS com compra, vê ação perto de uma reavaliação estrutural

Credit Suisse iniciou a cobertura da ação ON da JBS, com recomendação equivalente a compra, citando potencial de alta no papel de 29%, expectativa de melhores resultados no médio e longo prazo, o alastramento da febre suína na Ásia e a retomada de aquisições em segmentos mais lucrativos, como alimentos processados.

A equipe do analista Victor Saragiotto estabeleceu um preço-alvo de R$40,00 para o papel. Em relatório, Saragiotto disse que a empresa continuará apresentando fortes resultados, o que deve se traduzir em melhorias na geração de caixa. Além disso, a JBS, maior frigorífico do mundo e o segundo maior produtor de alimentos processados, pode acelerar sua estratégia de crescer inorganicamente, ou seja, via aquisições de empresas rivais, o que deve levar a “uma reavaliação múltipla, se lançar com êxito uma oferta inicial de ações nos Estados Unidos”. A companhia disse que esse IPO, como a oferta é conhecida, é uma possibilidade.

O relatório mostra que existe mais espaço para uma maior valorização das ações e, para Saragiotto, a tese de investimento da JBS “atende aos critérios de muitos investidores, uma vez que possui uma posição de mercado líder nos segmentos em que opera, muitas oportunidades de crescimento e uma equipe de gerenciamento experiente, focada na captura de sinergias e na melhoria dos retornos.” A recente movimentação dos analistas para reavaliar a JBS, por muito tempo vista com apreensão por conta da alta dívida e dos escândalos relacionados a propinas pagas a funcionários do governo do PT desde 2003 até 2015, reflete o trabalho de faxina feito na companhia pelo presidente do conselho, Jerry O’Callaghan, e a gestão.

Com relação aos múltiplos, o papel negocia a 5,9 vezes o múltiplo EV/EBITDA estimado para o ano que vem, um desconto de 33% para uma média de pares internacionais, incluindo a Tyson. O múltiplo pode ser interpretado como o número de anos de lucro operacional necessários para pagar o valor do negócio. “Consequentemente, acreditamos que a JBS continua a ser um bom veículo para tirar proveito da situação de febre suína na China”, apesar da alta de 170% no papel neste ano.