Lucro do BB fica acima do consenso com despesas menores; retomada do ROE em ascensão

O Banco do Brasil reportou lucro acima das projeções dos analistas no primeiro trimestre, refletindo o aumento das receitas de serviços e por empréstimos, a queda nas provisão por créditos ruins e os controles nas despesas – em mais um sinal de que o maior banco estatal da América Latina está a caminho de reduzir significativamente a diferença de rentabilidade com seus pares privados.

O lucro líquido ajustado, ou excluindo itens não recorrentes, atingiu R$4,247 bilhões no trimestre passado, alta de 40% na base anual e acima do consenso TC de R$3,8 bilhões. Na comparação frente ao último trimestre de 2018, o lucro recorrente cresceu 10,5%.

O retorno médio sobre o patrimônio líquido, uma medida de rentabilidade do setor bancário conhecida como ROE, disparou para 16,8%, comparado com 12,6% um ano atrás e acima do consenso de 15%. O banco disse em fato relevante que a elevação do indicador, produto da maior eficiência de custos e do foco na melhora da qualidade da carteira de crédito, “reforça o compromisso de aumento da rentabilidade” – como contraponto aos temores de uso político do banco, que é mais de 60% controlado pelo governo federal.

Por anos, o BB tem ficado atrás dos seus concorrentes privados em matéria de rentabilidade. Entre os maiores grupos financeiros nacionais – Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil, – o ROE tem ficado consistentemente perto ou acima dos 20% no último ano.

A margem financeira bruta, ou a receita líquida decorrente dos empréstimos e das atividades de tesouraria, somou R$12,71 bilhões, alta de 6,3% na base anual, porém levemente abaixo do consenso de R$12,88 bilhões. A maior concorrência entre bancos para emprestar, que empurra a taxa de juros dos empréstimos para baixo, assim como o desempenho ímpar dos mercados de dívida e câmbio no período, frearam crescimentos mais significativos para a receita de crédito no setor no primeiro trimestre.

A carteira de crédito ampliada cresceu 0,8% na base anual, a R$ 684,171 bilhões, impulsionada pelos empréstimos para pessoa física no consignado, no financiamento imobiliário e para uso de cartões. Um destaque dessa linha foi a queda nas concessões de crédito para compra de veículos – na contramão do sistema bancário. Já a carteira de pessoa jurídica recuo mais de 6% para R$ 208,459 bilhões na base anual.

O diretor-presidente do BB, Rubem Novaes, está colhendo os frutos do trabalho do seu antecessor, Paulo Caffarelli, que cortou o número de agências, demitiu funcionários e focou em áreas rentáveis. Por anos, o BB foi usado, especialmente nos governos do PT, entre 2003 e 2016, como um instrumento de políticas públicas para fomentar o crescimento econômico, às custas da rentabilidade e da qualidade da carteira.

Os executivos do banco devem explicar os resultados em coletiva de imprensa hoje e em teleconferências com investidores amanhã.

As despesas líquidas com provisões para devedores duvidosos caíram 26,3% na base anual, mostrando a elevação da qualidade dos empréstimos e os melhores esforços de recuperação de empréstimos de baixa qualidade. O índice de inadimplência, que é a relação entre as operações vencidas há mais de 90 dias e o saldo da carteira de crédito, atingiu 2,59% em março, abaixo dos 3,63% de um ano atrás, graças a melhoras na qualidade dos empréstimos para empresas e agricultores. O BB fechou março com índice de Basileia de 19,26%.

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