Indicadores fracos colocam em xeque ritmo de recuperação da economia em 2019

A economia brasileira continua avançando em passos muito lentos, após vivenciar uma das maiores crises de sua história. O crescimento de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2018 demonstrou que o ritmo de recuperação econômica ainda está longe de avançar e despertou no mercado preocupações sobre como se dará esta dinâmica em 2019. Há um risco muito grande de que o desempenho real passe longe das projeções de expansão de 2,5% segundo estimativas divulgadas pelo boletim Focus do Banco Central.

As perspectivas não são promissoras, mesmo que alguns dados sejam positivos dentre um conjunto amplo de estatísticas. Nos últimos quatro trimestres, considerando a oferta, apenas o segmento de construção segue em níveis negativos (-2,5%), embora desde meados de 2018 tenha mostrado recuperação em termos de empregabilidade e desenvolvimento.

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O setor de serviços, que é responsável por quase dois terços do PIB, subiu 1,5% no segundo trimestre e encerrou o ano com um avanço de apenas 1,3%. De maneira semelhante, a indústria, que ensaiou dois trimestres consecutivos de alta, recuou 0,3% no último trimestre, evidenciando que há muito o que fazer para acelerar a recuperação.

Em janeiro, os níveis de desemprego não tiveram redução, os dados do Caged ficaram abaixo do esperado e a concessão de crédito para pessoas físicas declinou 4,1%, já tendo mostrado forte desaceleração em 2018. Os juros aumentaram substancialmente contrapondo à massa salarial, que cresceu de forma modesta apenas.

E pensando em uma projeção que toma por base o mesmo cenário registrado no ano passado, acrescido da elevação de 5% em investimentos no país, para o PIB alcançar o patamar de 2,5%, como supõe a autoridade monetária, seria preciso que o consumo crescesse em torno de 3,5%, superando o melhor momento da economia em 2018. Meta difícil? Sem dúvida.

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A situação é desafiadora, tanto para o governo que precisa concretizar as reformas, quanto para a população, que terá que esperar pelo menos mais 12 meses para assistir a um avanço real nas condições de trabalho e infraestrutura do país.