Entenda o que é e como investir no Tesouro Direto

O Tesouro Direto é um dos investimentos mais populares do país. Em julho de 2019, o número de investidores ativos nessa modalidade chegou a 1,1 milhão de pessoas, um crescimento de 74,4% em doze meses, segundo dados oficiais divulgados pelo Tesouro Nacional.

Os motivos para isso são vários: é um investimento simples, seguro, acessível e mais rentável do que a poupança. Não é à toa que ele se popularizou dessa forma.

Neste artigo, vamos explicar melhor do que se trata essa modalidade e tirar todas as dúvidas de como investir no Tesouro Direto. Acompanhe!

O que é o Tesouro Direto?

O Tesouro Direto é um programa do Tesouro Nacional que permite aos investidores pessoas físicas comprarem títulos públicos, ou seja, títulos da dívida do governo. Assim, quem adquire um desses está, na prática, emprestando dinheiro ao país em troca de uma remuneração. O governo, por sua vez, usa esse valor para bancar as necessidades nacionais.

Os títulos públicos são ativos de renda fixa. Isso quer dizer que o investidor sabe, no momento da compra, qual a rentabilidade que ele vai receber se permanecer com aquele título até o vencimento.

Vamos detalhar mais porque essa é uma informação importante. Cada título tem um vencimento diferente. Enquanto escrevemos este texto, podemos ver no site do Tesouro Direto que existem títulos, por exemplo, que vencem em janeiro de 2022, mas também há aqueles que vencem em agosto de 2050 e vários outros entre essas datas.

Isso quer dizer que você, como investidor, só vai receber aquele rendimento que viu no momento da compra se ficar com o título até a data de vencimento. Se decidir vender antes, receberá o preço que o mercado está pagando pelo título no momento do resgate, assim, o resultado pode ser muito diferente.

Quais são os tipos de títulos públicos disponíveis no Tesouro Direto?

Existem três tipos de títulos públicos e eles se diferenciam pela forma como sua rentabilidade é calculada. Confira!

Tesouro Selic

Este é um título pós-fixado, o que significa que a sua rentabilidade está atrelada ao desempenho de um determinado índice de referência. Neste caso, é a Selic. A taxa básica de juros da economia.

Isso quer dizer que, quanto maior a Selic, maior o rendimento que esse título vai pagar ao investidor e o contrário também é verdade: quanto mais baixa a Selic, menor o retorno.

Tesouro Prefixado

Nesse título, o investidor sabe exatamente qual o rendimento que ele vai receber no momento do vencimento, independentemente da oscilação de taxas ou índices.

Ele costuma ter uma rentabilidade mais interessante quando há perspectiva de queda na taxa Selic.

Tesouro IPCA+

Este título tem um modelo híbrido de rentabilidade: parte dela é uma taxa prefixada, enquanto a outra é atrelada à variação do IPCA, que é o índice oficial de inflação do país.

Por isso, ele é considerado ideal para investimentos de longo prazo, como aqueles que querem poupar para a aposentadoria, uma vez que ele protege o dinheiro contra os efeitos da inflação. Assim, se você pesquisa a taxa do IPCA+, vai encontrar algo como: IPCA + 3,56%, ou seja, a variação do IPCA (parte pós-fixada) mais 3,56% (parte prefixada)

Existe uma última questão que vale a pena mencionar em relação à forma como os rendimentos são pagos. Há títulos públicos em que o investidor recebe toda a remuneração no momento do vencimento, enquanto outros pagam os chamados cupons semestrais, isto é, os rendimentos são creditados todo semestre.

Quais são os benefícios de investir no Tesouro Direto?

Mais uma vez, não é à toa que os títulos públicos caíram nas graças dos investidores. Confira os principais benefícios de investir nessa modalidade:

  • baixo risco: o risco dos títulos públicos é o de o governo não pagar os seus credores, que é considerado baixíssimo;
  • valor mínimo baixo: é viável investir com apenas R$30. Um título inteiro pode custar mais de R$1.000, mas é possível comprar frações dele, o que torna o investimento mínimo muito baixo;
  • taxas baixas: boa parte das corretoras de valores não cobra taxas para quem investe em títulos públicos, o investidor precisa pagar apenas a taxa de custódia cobrada pela B3, que é de 0,3% ao ano sobre o valor dos títulos. Essa taxa é bem inferior, por exemplo, às praticadas pela maioria dos fundos de investimento de renda fixa, que podem chegar a 1%;
  • liquidez diária: se você precisar, pode vender seus títulos a qualquer momento. O Tesouro garante a recompra a preço de mercado. Assim, também são uma ótima opção para a sua reserva de emergência, especialmente o Tesouro Selic, que tem baixa volatilidade;
  • rendimento maior que o da poupança: quando a taxa Selic está abaixo de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança é de 70% dela mais TR (taxa referencial). Como a TR está zerada há um bom tempo, a rentabilidade vai ser mesmo os 70% da Selic, que está a 6% ao ano. Assim a poupança lucra 4,20% ao ano, o que é muito pouco.

Como começar a investir no Tesouro Direto?

Para comprar títulos públicos, basta se cadastrar em uma corretora de valores. O cadastro costuma ser bem simples e a maioria é totalmente digital, sem a necessidade de envio de documentos.

Depois disso, você escolhe o título de sua preferência, levando em consideração os seus objetivos, e faz a compra por ali mesmo. Não tem segredo nenhum.

Os títulos públicos estão disponíveis para compra nos dias úteis, das 9h30 às 18h, pelo valor daquele momento. Fora desse horário e nos fins de semana, é possível adquiri-los, mas a transação só será efetivada no próximo dia útil, com o valor de abertura daquele dia.

Agora você já sabe como investir no Tesouro Direto. É uma ótima alternativa à poupança, com possibilidade de ter uma rentabilidade um pouco maior e também uma excelente opção para quem busca proteger seu dinheiro dos efeitos da inflação a longo prazo. Para isso, o título mais recomendado é o IPCA+.