Renda fixa: o que é?

Você entende o que um título de renda fixa? Basicamente, esse tipo de investimento é uma forma de aplicação na qual o investidor adquire títulos e, a partir deles, consegue obter alguma rentabilidade. O ganho na aquisição de títulos pode ser delimitado já na própria compra (pré-fixado) ou no momento do resgate (pós-fixado).

Em outras palavras, é quando você empresta dinheiro para alguma instituição e lucra ao longo do tempo com o empréstimo feito. Quer saber mais? Continue a leitura!

Os tipos de investimento em renda fixa

Os títulos de renda fixa envolvem um conjunto de títulos. A seguir, confira quais são eles.

CDB

O Certificado de Depósito Bancário, ou CDB, é um título emitido por bancos para captação de dinheiro.

O CDB recebe garantias do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Isso significa que, se o banco falir, o investidor recebe o dinheiro investido e os juros, respeitando-se um total máximo de R$250.000,00 por CPF.

O CDB pode ser pré-fixado (com os rendimentos já definidos na hora da compra) ou pós-fixado (os rendimentos só serão conhecidos efetivamente no final do prazo).

Esse tipo de título não exige um capital inicial tão alto, ficando em torno de R$1.000,00, dependendo da instituição financeira.

Em relação à liquidez, o título oferece muita flexibilidade, existindo opções com liquidez diária. Mas, geralmente, os CDBs com prazo de vencimento mais estendidos oferecem melhor rentabilidade.

Incidem sobre ele o imposto de renda (IR) e o imposto sobre operações fiscais (IOF). O IOF incide apenas nos 30 primeiros dias de aplicação. Já o IR incide sobre a rentabilidade e de forma regressiva, ou seja, quanto mais longo o prazo da aplicação, menor será a alíquota do imposto.

LCI e LCA

As LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) são títulos emitidos por bancos para captação de dinheiro para o mercado imobiliário. As LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) são títulos emitidos por bancos para captação de dinheiro para o mercado do agronegócio.

Uma boa vantagem é que são isentos de IR e contam com a proteção do FGC. O capital inicial é mais alto, girando em torno de R$5.000,00, na maioria das instituições financeiras.

Elas têm prazo de carência, ou seja, antes desse prazo não é possível resgatá-las (período de 90 dias, geralmente). Também têm baixa liquidez: o correto é respeitar a data de vencimento para fazer o resgate, evitando prejuízos financeiros.

Também podem ser prefixadas ou pós-fixadas, sendo atreladas a índices como CDI ou IPCA.

LC

A Letra de Câmbio é um título emitido por financeiras para a captação de dinheiro, como um CDB. Suas principais características são:

  • proteção do FGC;
  • investimento inicial em torno de R$2.000,00, dependendo do banco ou corretora;
  • pode ser pré-fixada, pós-fixada ou híbrida;
  • rentabilidade atrelada ao CDI;
  • baixa liquidez;
  • tributação regressiva do IR.

Debêntures

São títulos emitidos por grandes empresas, como a Cemig, para captação de recursos, e que não trazem a garantia do FGC. Podem ser incentivadas (emitidas por organizações que desejam efetuar obras de infraestrutura, como rodovias, aeroportos, portos) ou comuns.

Outras características são:

  • rentabilidade atrelada a indicadores como IPCA ou CDI;
  • isenção de IR para as incentivadas;
  • prazos geralmente mais longos;
  • baixa liquidez;
  • investimento inicial variável (pode ser até a partir de R$1.000,00);
  • algumas debêntures podem ser convertidas em ações da empresa (conversíveis/permutáveis);
  • algumas debêntures não têm prazo de validade (são perpétuas).

COE

O COE — Certificado de Operações Estruturadas — é um investimento, ainda novo no mercado brasileiro, que une produtos da renda fixa e renda variável.

As chamadas operações estruturadas são as operações no mercado que combinam dois ou mais ativos. Assim, sua rentabilidade pode estar atrelada, em parte, à SELIC ou ao CDI e, em parte, às oscilações na Bolsa de Valores.

Outras características:

  • investimento inicial em torno de R$1.500,00, conforme a instituição;
  • sem proteção do FGC;
  • tributação regressiva do IR;
  • baixa liquidez;
  • algumas opções oferecem rendimentos semestrais.

CRI e CRA

Os CRIs (Certificado de Recebíveis Imobiliários) são títulos emitidos por sociedades securitizadoras para captação de recursos. Securitização (do inglês securitization), ou titularização, é uma prática financeira que consiste em agrupar vários tipos de ativos financeiros — notadamente, títulos de crédito, tais como faturas emitidas e ainda não pagas, dívidas referentes a empréstimos, entre outros —, convertendo-os em títulos padronizados negociáveis.

Os CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) são títulos de renda fixa emitidos diretamente pelas empresas — incluindo produtores rurais, cooperativas etc. —, com o objetivo de captar recursos para atuar no agronegócio.

Outras características desses tipos de renda fixa:

  • os CRAs exigem capital inicial mais alto que as CRIs;
  • somente as CRIs contam com proteção do FGC;
  • prazo longo de vencimento;
  • baixa liquidez;
  • isenção de IOF;
  • tributação regressiva do IR.

Tesouro Direto

O Tesouro Direto tornou-se um dos investimentos de renda fixa mais populares do Brasil. Um dos motivos para essa popularidade é o baixo investimento inicial, pois é possível começar a aplicação apenas com R$30,00.

Outra razão do sucesso do Tesouro Direto é a sua segurança. Os títulos ofertados são do governo federal, que detém o Banco Central do Brasil (BCB) e a Casa da Moeda. As possibilidades de falência ou calote são mínimas e, por isso, mesmo sem a proteção do FGC, o Tesouro Direto oferece alta segurança.

A maior parte dos títulos públicos oferece alta liquidez e a tributação do IR também é regressiva. Algumas instituições cobram taxa zero pela administração do investimento.

Tesouro Selic

É um título indexado à taxa Selic, que é emitido pelo governo federal para captação de recursos.

Tesouro IPCA

É um título indexado ao IPCA que é emitido pelo governo federal para captação de recursos.

Tesouro Prefixado

É um título que possui um valor prefixado e que é emitido pelo Governo Federal para a captação de recursos.

Tesouro IGPM

É um título indexado ao IGPM, emitido pelo governo federal para captação de recursos.

Os tipos de indexadores

CDI

O Certificado de Depósito Interbancário é um índice gerado por transações realizadas entre bancos. Por exemplo: um banco A teve mais depósitos no dia e o banco B mais saques. Nesse contexto, o banco A empresta dinheiro ao banco B e a realização de várias transações como essa geram o CDI.

Tesouro Selic

É a taxa mãe da economia que dita a política de juros do Brasil.

IPCA

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo é medido mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e foi criado com o objetivo de oferecer a variação dos preços no comércio para o público final. O IPCA é considerado o índice oficial de inflação do país.

IGPM

O Índice Geral de Preços do Mercado é o indicador de movimento dos preços, calculado mensalmente pela Fundação Getúlio Vargas e divulgado no final de cada mês de referência. Atualmente, ele é o índice de referência utilizado para o reajuste dos aumentos da energia elétrica e dos contratos de aluguéis.

A escolha de um título para investir

Escolher um título para investir não é uma tarefa tão fácil, mas com uma análise detalhada e a ajuda de um bom comparador ou de uma boa calculadora de investimentos pode ser mais simples do que você imagina. Para utilizar qualquer uma das ferramentas citadas, é importante conhecer a composição de um título e o que pode lhe dar maior rentabilidade no prazo que você precisa.

Vamos utilizar o exemplo de dois títulos, um CDB que paga 110% do CDI e um LCI que paga 89% do CDI.

O que temos que analisar?

Qual é o prazo de vencimento dos títulos?

  • o CDB tem vencimento em 90 dias;
  • o LCI tem vencimento em 90 dias.

Qual é a liquidez dos títulos?

  • a liquidação do CBD é no vencimento;
  • a liquidação do LCI é diária.

O título desconta imposto de renda?

  • no CDB é descontado 15% do valor que você ganhou no período;
  • no LCI não é descontado imposto de renda.

Vamos fazer uma conta de papel de pão?

Se você aplicar R$ 100,00 em ambos os títulos, você vai ter o seguinte cenário:

Para o CDB:

  • será gerado um lucro de R$ 1,33 no prazo de 90 dias, descontado o Imposto de renda;
  • a rentabilidade por mês é de 0,44% a.m.

Para o LCI:

  • será gerado um lucro de R$ 1,39 no prazo de 90 dias, sem cobrança do imposto de renda;
  • a rentabilidade por mês é de 0,46% a.m.

LCI ou CDB?

O melhor investimento no cenário é o LCI, mesmo parecendo que o CDB traria uma rentabilidade maior, pois rende 110% do CDI, enquanto o LCI rende 89%, o CDB tem desconto de imposto de renda sobre o lucro do investimento, enquanto o LCI não. Por isso, o LCI é a melhor escolha.

A segurança da renda fixa

Analisando os diferentes tipos de investimentos, a renda fixa é um tipo que lhe trará tranquilidade, pois a maior parte dos títulos tem a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) e não lhe traz risco de perda de recursos.

Para a escolha do melhor investimento, é preciso analisar todos os critérios (liquidez, rentabilidade, maior segurança, incidência do IR, valor mínimo de investimento) e compará-los com o seu próprio perfil de investidor e as suas necessidades.