Acabou a lua de mel? Reforma da Previdência não avança; governo enfrenta polêmicas e mais

Após uma semana movimentada para os principais índices globais, esta segunda-feira ganha um tom mais cauteloso.

Em destaque, o baixo desempenho da atividade econômica global, ao qual grandes instituições como o Federal Reserve já advertiram sobre.

No Brasil, a reforma previdenciária ganha novos capítulos, protagonizados pelos desafetos entre Rodrigo Maia e o presidente, Jair Bolsonaro.

O continente asiático registrou grandes perdas em suas bolsas, acompanhando vendas generalizadas globais.

Há muita cautela, mas também grandes expectativas quanto o encontro entre membros de alto escalão dos Estados Unidos e China.

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A disputa comercial pode ser solucionada em breve, embora ainda haja controvérsias quanto ao desdobramento dos acordos.

Na última sexta-feira (22), os índices acionários norte-americanos amargaram sua maior perda percentual de um dia, desde 3 de janeiro.

Hoje, tudo indica para uma abertura sem grandes variações.

Na Europa, muito caos quanto a saída do Reino Unido da União Europeia.

De acordo com o Sunday Times, ministros podem estar arquitetando derrubar a primeira-ministra, Theresa May e assumir o Brexit.

Em commodities, o minério de ferro e os metais caem, ao mesmo tempo em que o petróleo segue operando estável.

Bate-boca dos presidentes

Você já deve ter notado que eu não comento sobre a guerra comercial entre EUA e China há algum tempo. Mas essa ausência de informações, não necessariamente é positiva – é por falta de novidades e avanços nas negociações entre os dois países mesmo. Um encontro está marcado para o fim da semana e os dados de crescimento mais fracos dos países podem impulsionar um acordo.

Por aqui, o clima tampouco é amistoso. Bolsonaro e Maia subiram ao ringue e trocaram críticas publicamente. Os esforços devem se voltar à aprovação da reforma da Previdência, que é amplamente esperada por todos. Mas pode ser que Bolsonaro ganhe o impulso que faltava para voltar o seu foco para isso. Em meio ao pior pregão do Ibovespa do mês na sexta-feira, o final de semana trouxe poucos sinais de alívio.

Glenda Ferreira – Economista e bacharel em Relações Internacionais pela Facamp, tem experiência em planejamento financeiro. Atualmente é Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

Saiba quais são os principais compromissos econômicos globais para esta semana

Os últimos dias úteis do mês de março serão bem agitados e contarão com célebres eventos.

Na Europa, o Brexit recobra sua posição de destaque, marcado para acontecer nesta sexta-feira (29). A grande chave para o adiamento (para o dia 22 de maio), é a aprovação do acordo defendido por May. Em caso da não aprovação, o prazo será antecipado para 12 de abril. O Conselho Europeu “espera que o Reino Unido indique um caminho a seguir antes desta data para apreciação” [do mesmo].

Nos Estados Unidos, por sua vez, muita expectativa quanto a fala de diversos membros do Fed. Paralelo a isso, o PIB do quarto trimestre de 2018 pode ditar um novo tom quanto a desaceleração da economia. Ainda nos EUA, outros dados fundamentais virão a público, como o número da balança comercial e inflação, como o PCE.

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Internamente, os dias prometem ainda mais agito – e com dados importantíssimos que chamam a atenção do investidor. Hoje, o Banco Central divulga sua tradicional pesquisa Focus, com destaque para indicadores como PIB, câmbio, inflação e juros.

Dados do Caged também são aguardados. A Bloomberg estima uma média de 87.500 vagas de trabalho criadas no mês passado.

Ao longo da semana, a Ata do Copom – que será disponibilizada amanhã (26) – ganha destaque.

No mesmo dia, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) relacionado a este mês será divulgado.

De acordo com a GO Associados, a taxa deve apontar alta de 0,46% no mês.

Na quinta-feira (28), sai o Relatório Trimestral de Inflação.

No dia seguinte, destaque para a PNAD Contínua relacionada ao mês anterior.

Com dificuldades para fazer a reforma avançar no Congresso, Bolsonaro se reúne com Paulo Guedes e outras notícias

Depois de um final de semana polêmico, Jair Bolsonaro se encontrará com o ministro da Economia, Paulo Guedes, em Brasília. Com a articulação dentro da Câmara endurecida, Bolsonaro e Guedes devem buscar alternativas para que o governo obtenha o apoio necessário à reforma.

Paralelo a isso, muito se discute quanto a limitada pauta do governo, que não tem demonstrado coordenação ou base aliada. O tom é de crise política, levando a todos ao questionamento: a lua de mel acabou?

Hoje, o presidente da República destacou um projeto do Ministério da Justiça que espera por aprovação no Congresso. O documento se refere a uma agência nacional de bens apreendidos que envolvem tráficos de drogas. A operação envolveria um cuidado da administração e dos destinos dos bens sequestrados em casos e crimes organizados.

“Ministro Sérgio Moro articula acordos com Europa no combate às drogas”, disse Bolsonaro em sua página pessoal do Twitter. “Órgãos de países europeus fazem a gestão nacional de bens apreendidos de traficantes de drogas e de outros criminosos condenados. A matéria terá que passar pelo crivo do Congresso Nacional.”

Além da reforma, há o impasse da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Cortes Superiores (CPI da Lava-Toga).

Gilmar Mendes tem personificado críticas de parlamentares ao Supremo Tribunal Federal, ao passo que o Senado pode estar cogitando seu impeachment, de acordo com o Valor Econômico.

Governo deve reduzir fatia do BB em crédito rural; Queiroz Galvão Energia tem recuperação negada e mais destaques

O CVM autorizou um pedido de oferta pública de aquisição de ações da “Somos Educação”, empresa adquirida pela Kroton. Essa operação cancelará o registro da companhia na B3 e a excluirá do segmento especial de negociação do Novo Mercado.

*Líder no segmento de crédito rural, as coisas estão prestes a mudar para o Banco do Brasil. Faz parte dos planos da equipe econômica do governo de Jair Bolsonaro reduzir o papel do banco no crédito agrícola. Sob orientação do ministro Paulo Guedes, a abertura daria mais espaço para bancos privados. Nas últimas safras, o BB deteve uma média de 58% a 60% de participação.

*A tragédia do avião da Ethiopian Airlines está transformando o modelo de operação da Boeing. O caso culminou na morte de 157 passageiros e tripulantes a bordo da aeronave de modelo 737 Max. Hoje, a companhia publicou uma carta aberta e assinada por seu diretor-presidente e presidente do conselho de administração, Dennis Muilenburg. No documento, Muilenburg afirma o empenho da companhia para garantir a “segurança total” das aeronaves do modelo em questão.

*A semana não começou bem para os ADR da Vale. Ainda no pré-mercado da Bolsa de Valores de NY (Nyse), a mineradora protagonizou uma queda, após o Ministério Público de Minas Gerais solicitar à Justiça uma interdição de barragens de outros quatro complexos no Estado. Ainda em destaque, o Valor Econômico pontuou que a mineradora tem se esforçado para fechar 2019 com um acordo. O assunto em destaque é a reparação integral pelos danos causados na tragédia de Brumadinho.

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*O plano de recuperação extrajudicial da Queiroz Galvão Energia foi indeferido pela 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo. Apurações do Valor indicam ser improvável que todas as empresas do grupo apresentem um plano em conjunto.

*A revista “Exame” deixará de ser um título da editora Abril e passará a ser controlada pelo banco BTG Pactual.

*O Itaú Unibanco propôs uma reeleição de membros do Conselho em assembleia geral ordinária (AGO), prevista para 24 de abril. Além disso, os acionistas devem votar a composição do conselho de administração.