Bolsas e commodities sobem à espera de atas do Fed, BCE e Jackson Hole

As bolsas na Europa e na Ásia avançaram nesta segunda-feira, puxando consigo os futuros dos índices acionários americanos, com o investidor à espera de mais desdobramentos no front da guerra comercial, assim como as atas das últimas reuniões de política monetária dos bancos centrais dos Estados Unidos e da União Europeia.

Outro fato que concentra a atenção dos mercados é o início da reunião anual de banqueiros centrais em Jackson Hole, com o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, na sexta. O tom mais positivo do mercado de hoje rompe com as quedas que marcaram o início do pregão das últimas três segundas-feiras – com maior volatilidade e noticiário ruim. De todos os dados e eventos da semana, a fala de Powell deve dar indicações mais precisas para o investidor sobre o rumo dos juros nos EUA em meados do mês que vem.

Mas, o bom humor de hoje não quer dizer que o ruído quanto à guerra comercial ou os juros tenha desaparecido. O presidente Donald Trump sugeriu ontem que não está pronto para assinar um acordo com a China e voltou a ligar as discussões comerciais aos protestos em Hong Kong, “o que confirma o desejo dele de empurrar a questão comercial para virar tema eleitoral nos EUA”, diz um gestor sediado em Hong Kong.

O Stoxx600 avançava 0,74%, liderado por bancos e ações industriais, enquanto os três principais contratos futuros dos índices acionários americanos subiam mais de 0,9%. As bolsas em Hong Kong e China lideraram os ganhos na Ásia, impulsionados pelo plano do governo chinês de reformar seu sistema de taxas de juros para reduzir o custo dos empréstimos – o que é visto por um gestor em Hong Kong como “um mini relaxamento monetário.

Os rendimentos dos Treasuries de dez anos ultrapassaram o 1,61% em movimento de menor aversão ao risco, sinalizando a volatilidade que ainda impacta os mercados. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar americano ante pares, registrava alta de 0,04%. Em linha com o maior apetite por risco, o contrato de ouro caiu e retornou ao patamar mais próximo dos US$1.500 a onça.

Entre as commodities, o petróleo subiu mais de 1% depois que um ataque de drones a instalações de petróleo e gás na Arábia Saudita reacendeu o risco geopolítico no Oriente Médio. O contrato futuro do minério de ferro negociado em Dalian recuou 1%, com investidores citando maiores estoques e menor demanda pelo mineral na China.