Caixa reduz juro do crédito imobiliário; oferta de ações; déficit primário e mais destaques

A recuperação da economia brasileira a passos lentos atrelado aos índices controlados de inflação levaram o Banco Central a promover a terceira redução consecutiva de juros.

Seguindo o consenso do mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou ontem (30) corte de 0,50 ponto porcentual da Selic, de 5,5% para 5% ao ano.

No mesmo dia e conforme prometido, a Caixa Econômica Federal anunciou nova redução das taxas de crédito imobiliário da instituição.

De acordo com a instituição, essa medida vale para contratos de financiamento baseados na TR (taxa referencial) e com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (SBPE).

Assim sendo, a taxa mínima para imóveis financiados no Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e no Sistema Financeiro Imobiliário (SFI) será de TR + 6,75% ao ano.

Em contrapartida, a taxa máxima será de TR + 8,5%. Assim, houve redução de 0,75 ponto e 1 ponto, respectivamente.

As novas taxas passam a valer apenas para novos contratos celebrados a partir do mês que vem, 6 de novembro.

Em destaque, o Tesouro Nacional renovou suas perspectivas para a dívida pública brasileira até o ano de 2028. Conforme publicado, a dívida bruta do governo geral sairia de 80,8% do PIB em 2019 para 73,5% do PIB em 2028.

Números de desemprego (PNAD Contínua); resultado fiscal e outros indicadores econômicos

No último dia do mês de outubro, são aguardados indicadores econômicos importantes referentes aos números de desemprego, com PNAD Contínua.

Após publicação do IBGE, o BC informa o mercado sobre o resultado fiscal consolidado e dívida líquida do setor público.

Seguindo a safra dos balanços corporativos internos, o mercado acompanha os resultados do Bradesco (BBDC4) e Gol (GOLL4) antes do início do pregão e Copasa (CSMG3), Cia. Hering (HGTX3), Direcional (DIRR3), Petro Rio (PRIO3), Suzano (SUZB3) e Valid (VLID3) após fechamento da sessão.

Nos Estados Unidos, saem os números de pedidos de auxílio-desemprego, bem como o índice de atividade industrial ISM/Chicago.

Ontem, o setor privado dos EUA revelou acréscimo de 125 mil postos de trabalho em outubro, conforme relatório da ADP, impactando inclusive os números de desemprego.

No México, o PIB avançou 0,1% no 3T19 frente ao 2T19, segundo o Instituto Nacional de Estadística e Geografia (Inegi).

Anteriormente, a atividade econômica do México havia ficado estagnada em relação aos três meses anteriores, na comparação com o 2T19.

Na Europa, o mercado acompanha os dados do PIB da zona do euro, mas também indicadores de emprego e o índice de preços ao consumidor (CPI) na Europa.

Por fim, o PMI (Índice de gerentes de compras) oficial da China chegou a 49,3 em outubro, recuando ante os 49,8 do mês anterior.

O índice oficial dos gerentes de compras (PMI) da indústria chinesa caiu a 49,3 em outubro, abaixo de 49,8 do último mês, contrariando a previsão de estabilidade. Enquanto o PMI de serviços caiu a 52,8. Os dados não são nada animadores e demonstram a fragilidade da economia do gigante asiático, que ainda que esteja crescendo, vez ou outra, tem mostrado que sofre os efeitos da guerra comercial. Além disso, o cancelamento da cúpula de países da Ásia-Pacífico que seria uma chance de já haver um acordo com os EUA freando a imposição de novas tarifas que são tão prejudiciais às economias de todos.

Além disso, os bancos centrais cumpriram exatamente como o prometido ontem. Nos EUA fizeram o corte de 0,25 por cento e aqui em 0,50 por cento. A tendência de declínio das taxas já era esperada, agora o importante é acompanhar os próximos passos. Para os americanos, o comunicado foi de que é necessária uma “mudança material” para justificar outro corte na taxa de juros, enquanto por aqui, o BC foi bem claro ao indicar mais um corte de 0,50 por cento, o que provavelmente encerrará a onda de cortes.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

Governo central reporta déficit primário de R$ 20,372 bi em setembro

O governo central reportou déficit primário de R$ 20,372 bilhões em setembro, o menor para o mês desde 2015.

Em 2018, o terceiro trimestre da entidade que reúne as contas do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central ficou negativado em R$ 23,026 bilhões.

Na véspera (30), a Secretaria do Tesouro Nacional informou que o resultado de setembro é reflexo de um superávit de R$ 13,242 bilhões registrado pelo Tesouro, mas também de um déficit de R$ 95 milhões oriundo do Banco Central e, por fim, de um rombo R$ 33,520 bilhões na Previdência Social.

Entre os nove primeiros meses do ano (janeiro a setembro), o governo central acumula um déficit de R$ 72,469 bilhões.

No acumulado de 12 meses, o déficit primário chega a R$ 118,8 bilhões ou o equivalente a 1,57% do PIB.

Hoje, a meta fiscal para 2019 tem como previsão um rombo de R$ 139 bilhões no total.

Em paralelo, houve uma alta real de 3,6% na receita líquida total do governo frente ao mesmo período de 2018.

No total, foram R$ 103,022 bilhões contabilizados pela receita do governo central.

Por outro lado, as despesas totais cresceram 0,2% nessa comparação. No mês, elas totalizaram o montante de R$ 123,394 bilhões.

Quanto ao teto de gastos, as despesas do governo já consumiram 70,41% este ano.

Além disso, os pagamentos efetuados já somam R$ 990,708 bilhões, contra um limite para 2019 é de R$ 1,407 trilhão.

Em termos de receita, o governo federal reportou R$ 5,160 bilhões em dividendos de empresas estatais em setembro.

Isso impacta as contas do governo central. No mesmo mês do ano passado, foram pagos R$ 124,5 milhões em dividendos.

Entre os maiores pagadores do mês estão a Caixa (R$ 3 bilhões), seguida do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) (R$ 1,819 bilhão).

Lucro do Bradesco vai a R$ 6,5 bilhões no 3T19, alta de 19,6%

O lucro do Bradesco (BBDC3;BBDC4) no terceiro trimestre contabilizou R$ 6,542 bilhões, em linha com as expectativas do mercado.

Esse resultado representa um avanço de 19,6% do lucro líquido na comparação anual e 1,2% frente ao trimestre anterior.

Além disso, a instituição monetária reportou um retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) de 20,2%.

Com isso, houve uma contração de 0,4 p.p. na comparação trimestral, mas também uma alta de 1,2 p.p. na anual.

“As evoluções no lucro líquido dos períodos refletem o desempenho do resultado operacional, decorrente das maiores margens financeiras, menores despesas com PDD (expandida), crescimento das receitas de prestação de serviços e da contribuição de nossas operações de seguros, previdência e capitalização, fatores que suportam a rentabilidade sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) de 20,5%”, explicou o banco em seu press release.

Segundo os dados do banco, o impulso para o resultado positivo também pode ser atribuído à maior agressividade em crédito.

A carteira de crédito do Bradesco, por exemplo, atingiu R$ 578,317 bilhões no conceito expandida ao fim de setembro (+3,2%).

Em um ano, esse avanço chegou a 10,5%. No terceiro trimestre, os empréstimos foram impulsionados, principalmente, pelas pessoas físicas.

Traçando um paralelo, enquanto a carteira de indivíduos cresceu 5,5% ante os três meses anteriores, a de empresas avançou 1,8%.

No comparativo anual, as altas foram de 19,0% e 5,8%, nesta ordem.

Ao fim do mês de setembro, o Bradesco contava com R$ 1,404 trilhão em ativos totais, incremento de 3,5% frente ao 3T18, quando o banco havia reportado R$ 1,356 trilhão.

Ademais, os menores gastos com provisões para devedores duvidosos, as chamadas PDDs também contribuíram para o resultado.

Por fim, o resultado de seguros impactou o índice, conforme explica o banco em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras.

Magazine Luiza anuncia oferta de ações; operação pode captar até R$ 5,2 bilhões

Em fato relevante, a Magazine Luiza (MGLU3) informou a aprovação de oferta de ações ordinárias de distribuição primária e secundária.

De acordo com a publicação da varejista, seu conselho de administração aprovou uma oferta restrita que funcionará da seguinte forma:

Na distribuição pública primária, a Magalu se prepara para distribuir 90 milhões de novas ações de emissão da companhia.

Conforme instruído, esse montante pode ser acrescido em até 30 milhões de ações ordinárias até a data de conclusão do procedimento de bookbuilding, em 12 de novembro.

Esse acréscimo em primária será de até 10 milhões de ações, mas também dos acionistas vendedores, em até 20 milhões.

Com base na cotação de fechamento da véspera, quando os papéis da varejista encerraram o pregão cotados a R$ 44,02, a oferta poderia captar entre R$ 3,961 bilhões e R$ 5,282 bilhões considerando a totalidade das ações adicionais.

Vale ressaltar que as ações MGLU3 saltaram 7% no mesmo dia do fato relevante, após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre, que mostraram um crescimento exponencial do segmento de e-commerce, surpreenderam analistas já otimistas com a companhia e reportou um lucro líquido de R$136,3 milhões para o período.