Conferência da ONU e decretos ambientais; saúde econômica do Brasil e mais destaques

Diante da reta final do ano, os mercados globais digerem as crescentes tensões que acometem os Estados Unidos e China.

O jornal chinês Global Times noticiou na véspera (1) que Pequim exige a retirada de tarifas impostas a bens chineses como prioridade fase um do acordo com a potência americana.

Esse interminável cabo de guerra pode ser um banho de água fria em meio às expectativas de resolução da primeira fase do acordo comercial, previsto para ser selado em novembro.

No mercado de capital aberto, a petrolífera saudita Aramco já atraiu oferta de US$ 44,3 bilhões, aproximadamente 1,7 a mais que o montante projetado pelo governo da Arábia Saudita

Segundo especulações do mercado, esta pode ser a maior listagem do mundo. A fixação monetária deve acontecer nos próximos dias.

Nesta semana, a cúpula do Mercado Comum do Sul (Mercosul) se reúne, bloco comercial que engloba países da América Latina.

O encontro, que visa consolidar políticas econômicas e sociais comuns aos membros, será celebrado na cidade gaúcha de Bento Gonçalves.

Para o evento, que acontece entre 4 e 5 de dezembro, o Brasil convidou representantes do governo interino da Bolívia, com a autoproclamada presidente Jeanine Añez desde que Evo Morales renunciou ao cargo.

Com a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que revogou sua própria decisão de suspender novos procedimentos da investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), as apurações sobre o envolvimento do parlamentar em esquema de desvio de salários de servidores de seu gabinete, quando ainda era deputado estadual no Rio de Janeiro agora podem voltar a avançar.

No âmbito corporativo, a Fertilizantes Heringer (FHER3) elaborou uma nova proposta de alteração e consolidação do Plano de Recuperação Judicial.

A taxa de desemprego recuou para 11,6% no trimestre encerrado em outubro, segundo apontamentos do IBGE.

A semana inicia mais otimista lá fora devido aos bons dados reportados na Europa e China. O PMI chinês, da zona do euro e da Alemanha, por exemplo, vieram acima do esperado. O índice de manufaturas chinês subiu para 50,2 (expectativa era de 49,5), de serviços foi para 54,4 e o Caixin industrial alcançou 51,8. Foi a primeira vez que o PMI industrial ficou acima de 50 desde abril (o que é sinal de crescimento). Os dados retiram, ao menos por enquanto, o temor de recessão no curto prazo. Por outro lado, os chineses deverão impor algum tipo de sanção aos EUA após o apoio que o país deu aos manifestantes em Hong Kong, mas que não deve atrapalhar que o acordo, em primeira fase, seja assinado entre os dois países.

Por aqui, só a reforma da Previdência aprovada não é o suficiente, precisamos das demais reformas. De acordo com Paulo Guedes, o timing foi prejudicado devido aos protestos pela América Latina, que apesar de não termos o indício de que manifestações ocorreriam, Guedes afirmou que o ambiente político foi contaminado. Agora, com o recesso parlamentar chegando, é esperar que em 2020 a agenda de reformas seja tocada com diligência.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

A saúde econômica do Brasil entre os principais indicadores econômicos da semana

Saem muitos indicadores econômicos relevantes na primeira semana de dezembro que podem indicar sobre a saúde econômica do Brasil.

Além do tradicional Relatório Focus, do Banco Central, serão publicados nesta segunda-feira (2) o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), pela FGV, e o indicador de confiança do consumidor, produzido pela Confederação Nacional da Indústria – CNI.

Amanhã, o IBGE publica os números oficiais do Produto Interno Bruto (PIB) em seu relatório das Contas Nacionais Trimestrais.

Posteriormente, na quarta-feira (4), o mercado monitora os dados da Produção Industrial Mensal (PIM), que será divulgada pelo IBGE.

Por fim, na sexta-feira (6), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro ganha o seu devido destaque.

Dados da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) revelam que o Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista avançou 0,7% em outubro, frente a setembro.

Outro indicativo recente da saúde econômica do Brasil é a Incerteza da Economia (IIE-Br), que contraiu 6 pontos em novembro.

Assim, o índice chegou aos 105,1 pontos, o menor nível desde fevereiro de 2018, segundo informou a Fundação Getulio Vargas.

Lá fora, os Estados Unidos divulgam hoje o Índice de Gestores de Compras (PMI) no Setor da Manufatura do Markit.

Assim também, a zona do euro revela um avanço de 45,9 do PMI em outubro para 46,9 em novembro.

Na sexta-feira (29), o Escritório de Estatísticas da Alemanha revelou que as suas vendas do varejo regrediram 1,9% em outubro.

O resultado, em termos reais, representa a maior queda desde dezembro do ano anterior.

Ademais, a Índia divulgou ao mercado uma contração de 4,5% no crescimento econômico medido pelo PIB da região do 3T19.

Nesse sentido, este é o nível mais baixo registrado em seis anos, embora o governo refute o risco de recessão.

Retomada das obras da usina nuclear Angra 3 ganha previsão

A retomada das obras na usina nuclear de Angra 3 voltou aos holofotes com a fala do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque.

Segundo ele, o edital de licitação para a operação está previsto para ser publicado no segundo trimestre de 2020.

“O importante é que retomamos o processo”, disse o parlamentar que, em seguida, sinalizou sobre o modelo de negócio.

De acordo com Bento Albuquerque, o documento está sendo finalizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Quanto às obras, a expectativa é que a retomada aconteça no final do próximo ano ou início do ano seguinte, completou o ministro em discurso na inauguração da 8ª cascata de ultracentrífugas para enriquecimento de urânio, na Fábrica de Combustível Nuclear (FCN), em Resende, no Rio de Janeiro.

O evento também contou com a participação do presidente da República, Jair Bolsonaro, que, por sua vez, não discursou.

Atualmente, o setor nuclear é responsável por 2% da matriz energética do país, conforme destacou em publicação o Valor Econômico.

Através de um decreto presidencial, a retomada das obras da usina nuclear Angra 3 foi incluída como parte do portfólio do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) do governo federal.

Programação orçamentária do governo é publicada

O decreto de programação orçamentária e financeira foi publicado no Diário Oficial da União, na sexta-feira da semana passada (29).

A publicação detalha os novos limites de empenho assim como a movimentação entre os ministérios componentes do governo federal.

Além disso, o decreto estabelece o cronograma mensal de desembolso do Poder Executivo federal para o exercício deste ano.

Na descrição do documento, podemos destacar a ampliação em até R$ 25,360 bilhões sobre os limites para alguns órgãos.

Para outros, esses limites são um pouco mais enxutos, podendo chegar até os R$ 20,287 bilhões.

Recentemente, os ministros da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e da Economia, Paulo Guedes, anunciaram o descontingenciamento total do orçamento federal.

No total, foram descontingenciados 13,976 bilhões do Orçamento de 2019 das despesas discricionárias, isto é, aquelas que não são obrigatórias.

Foi o ministério da Defesa quem obteve a maior liberação (R$ 3, 473 bilhões), seguido pelo da Educação (R$ 2,695 bilhões) e pelo do Desenvolvimento Regional (R$ 1,905 bilhão).

Ao ministério da Educação, inclusive, serão disponibilizados R$ 125 milhões em recursos extras que serão destinados às universidades federais.

A informação é do ministro da Educação, Abraham Weintraub. Segundo ele, esses recursos serão usados para adquirir painéis solares e concluir obras paradas ou que estão em andamento.

Além da programação orçamentária, houve também uma redução significativa do déficit primário previsto para o ano, detalhado no Relatório Extemporâneo de Avaliação de Receitas e Despesas do mês de novembro.

De acordo com o Banco Central, o setor público consolidado (Governo Central, Estados, municípios e estatais, exceto Petrobras e Eletrobras) findou outubro com superávit primário de R$ 9,444 bilhões, dado que superou as expectativas do mercado.

No mês anterior, foi registrado um déficit de R$ 20,541 bilhões.

Conferência da ONU começa hoje e discute mudanças climáticas

O cenário ambiental preocupa e é principal assunto da conferência da ONU sobre o clima (COP-25), em Madrid, na Espanha.

Líderes políticos e diplomatas de mais de 190 países e regiões estão cotados para participar do evento a fim de encontrar um consenso sobre regras de implementação do Acordo de Paris que ainda estão sendo debatidas, por exemplo, mas também regulamentar a venda do carbono e outras medidas.

O acordo, que visa a combater o aquecimento global, deve ser implementado no ano que vem.

António Guterres, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, fez um apelo às vésperas da abertura da conferência da ONU, pedindo aos governos de todo o mundo mais amplitude em seus esforços, com o propósito de combater o aquecimento global.

Ele ressaltou a maior frequência dos desastres naturais relacionados ao clima, o que demanda ainda mais recursos financeiros e humanos.

Na entrevista, Guterres se referiu a uma crise climática global ao afirmar que as mudanças climáticas não são mais um problema de longo prazo; em contrapartida, os esforços globais com o propósito de interromper o avanço desse cenário têm sido absolutamente inadequados.

Traduzindo a urgência da contenção dos danos climáticos, o slogan da conferência que se estende até o dia 13 de dezembro é “Time for action” (Tempo de agir, em tradução livre).

Antecipando algumas soluções, o governo de Jair Bolsonaro publicou, no Diário Oficial da União, um pacote de decretos ambientais.

Entre eles, existe um decreto que cria uma comissão para controle de desmatamento ilegal.

Especialistas ouvidos pela Folha de S. Paulo acreditam que a publicação tão próxima da conferência da ONU pode ser um movimento cujo propósito é vender uma imagem mais positiva do país no encontro que inicia hoje.

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