Coronavírus contamina os mercados; EUA isenta Brasil de novas tarifas e outros destaques

Questionado se poderia aproveitar a boa relação com Donald Trump para intervir na situação dos brasileiros deportados dos Estados Unidos, o presidente Jair Bolsonaro falou de Nova Déli que não vai interferir nas leis norte-americanas.

“É só você não ir para os Estados Unidos de forma ilegal”, afirmou ele.

Em contrapartida, os Estados Unidos decidiram pela não retomada de tarifas ao aço e alumínio do Brasil e da Argentina.

Na sexta-feira (24), o presidente Donald Trump assinou um aumento das tarifas sobre produtos derivados de aço de em 25%.

Trump disse que Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, México e Coreia do Sul estão isentos das tarifas adicionais sobre produtos derivados de aço, e Argentina, Austrália, Canadá e México estão isentos das taxas adicionais sobre produtos derivados de alumínio.

Entre os indicadores econômicos, a Fipe divulga na manhã desta segunda-feira (27) a inflação na terceira quadrissemana de janeiro na cidade de São Paulo.

Posteriormente, o Banco Central publica a já tradicional pesquisa Focus com o mercado.

Ainda pela manhã, o governo federal deve lançar o balanço de transações correntes em dezembro do ano passado.

O mercado ainda se prepara para a nova temporada de balanços, que terá início hoje com os resultados da Cielo.

Nos EUA, saem as vendas de casas novas e o Fed de Dallas divulga o índice de atividade no Texas.

Os balanços corporativos destaques incluem as empresas de tecnologia como Apple, Amazon, Facebook e Google.

Coronavírus contamina otimismo dos mercados globais

Os crescentes temores sobre o surto de coronavírus provavelmente manterão os mercados globais em alerta nos próximos dias da semana.

Recentemente, oficiais da província de Hubei confirmaram 52 mortes na região provocada pela doença que surgiu em Wuhan, na China.

Totalizando, são mais de 2.116 pessoas contaminadas no mundo (incluindo EUA, Tailândia, Coreia do Sul, Japão, Austrália, França e Canadá).

Com ações próximas de máximas históricos, o mercado global investidor teme que o vírus possa se transformar em algo pior.

Ao observar os danos econômicos provocados por episódios similares, como no caso da epidemia de SARS entre 2002 e 2003, estimativas sugerem que o custo do surto à época para a economia mundial foi de US$ 40 bilhões (R$ 167 bilhões).

Localmente, o Ibovespa recuou no pregão da última sexta-feira (24), pressionado pelo aumento das preocupações quanto à propagação do coronavírus.

Como resultado, a Bolsa brasileira contraiu 0,96% e foi aos 118.376 pontos, com um volume financeiro de R$13,940 bilhões.

Para David Carter, o diretor de investimentos da Lenox Wealth Advisors em Nova York, “os mercados odeiam incertezas”.

Atrelado a isso, ele afirma que o vírus foi suficiente para injetar incerteza nos mercados.

Apesar disso, a Organização Mundial da Saúde decidiu não chamar o surto de emergência mundial de saúde por hora.

Em contrapartida, especialistas em saúde questionam se a China conseguirá conter a epidemia.

Reunião do Federal Reserve e PIB nos EUA

Há muita expectativa no mercado pela manutenção da política monetária em suspenso na primeira reunião de 2020 do Federal Reserve.

O órgão anuncia a decisão na próxima quarta-feira (29); simultaneamente, os formuladores de políticas avaliam como os cortes de 2019 estão impactando a economia local.

Assim, será o tom da coletiva de imprensa de Jerome Powell bem como a votação real que chamará a atenção.

“Também esperamos ouvir Jerome Powell preservando sua linguagem cautelosamente otimista, particularmente dada a conclusão positiva das negociações comerciais entre Estados Unidos e China”, disse James Knightley, economista-chefe internacional do ING.

“Ele provavelmente reiterará que precisaremos ver uma “mudança material” para o Fed considerar uma mudança na política”, completou ele.

Em 2020, teremos apenas duas “Super Quartas (18 de março e 16 de setembro), isto é, quando o Fomc, órgão de política monetária do Fed (banco central dos EUA), e o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil, decidem o novo rumo das respectivas taxas básicas locais no mesmo dia.

Dando sequência aos destaques, os EUA divulgam no dia seguinte a primeira prévia dos números do quarto trimestre do PIB.

Analistas do mercado financeiro projetam um crescimento de 2,1%.

BoE divulgará sua decisão de política monetária

O Banco da Inglaterra, cuja sigla é BoE, deve anunciar na próxima quinta-feira (30) sua decisão de política monetária.

Além de marcar a última reunião de Mark Carney como governador do Banco Central do Reino unido, o movimento antecipa a saída da Grã-Bretanha da União Europeia em 31 de janeiro, marcada pelo Brexit.

Tanto o crescimento econômico como a inflação local foram afetados por três anos e meio de incerteza sobre o Brexit.

Embora comentários de autoridades do BoE, incluindo Carney, de que mais estímulos econômicos podem ser necessários tenham elevado a expectativa por mais apoio da instituição, os dados econômicos da última semana apontaram para um impulso pós-eleitoral, levando os mercados a reduzir as expectativas de corte.

O futuro da libra britânica, por exemplo, depende da decisão de política monetária, bem como das previsões para saber se a economia será impulsionada após a execução do Brexit.

Com o fato de o Reino Unido estar prestes a deixar a União Europeia, o Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, se manifestou otimista de que ambas as nações chegarão a um acordo comercial ainda em 2020.

O presidente norte-americanoDonald Trump, espera que as negociações avancem antes das eleições presidenciais dos Estados Unidos em novembro.

No Reino Unido, a perspectiva de um acordo pode ser encarada como uma compensação do impacto da saída da UE.

Por fim, a Zona do Euro divulgará na sexta-feira o PIB, cuja previsão é de mais 0,2% para a economia.

Se confirmado, o dado pode reforçar a visão do Banco Central Europeu de “crescimento é contínuo, mas moderado”.

Aprovação da reforma tributária enfrentará muitas dificuldades, acredita Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro acredita que a aprovação de uma reforma tributária no Brasil será difícil e enfrentará muitos desafios.

Em viagem oficial à Índia, onde assinou diversos acordos voltados para a área de infraestrutura, justiça, ciência e tecnologia, agricultura, exploração petrolífera, mineração, saúde, cultura e turismo, ele conversou com jornalistas sobre o tema.

Segundo ele, sua experiência como parlamentar mostra que nenhum ente federativo aceita perder arrecadação e que isso inviabiliza a reforma.

“Passei 28 anos na Câmara e nunca chegou até o final uma reforma tributária porque não atende estado, município e União”, disse ele em Nova Déli.

De acordo com Bolsonaro, “ninguém quer perder nada”, então, acaba todo mundo perdendo muito “e o Brasil continua nesse cipoal tributário que dificulta você produzir, empregar”.

A previsão é que a reforma volte a ser destaque após o retorno das atividades parlamentares em 2 de fevereiro.

Segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, a projeção é enviar as primeiras propostas da matéria em até três semanas.

O presidente da Câmara dos DeputadosRodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu a instalação da comissão mista da reforma tributária na primeira semana de fevereiro, após o retorno do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para decidir sobre a instalação do colegiado.

Por outro lado, a reforma administrativa está “praticamente pronta” e será enviada em breve ao Congresso Nacional.

Uma recente publicação do jornal O Estado de S. Paulo afirma que a proposta vai atacar a concessão de “penduricalhos”.

Entre elas, destaque para a promoção de funcionários públicos por tempo de serviço e o reajuste de salários retroativos.

Além disso, o governo deve propor o veto a aposentadorias como forma de punição, prática atualmente muito comum no judiciário.