Dados macroeconômicos ruins fomenta temores; articulações políticas se destacam

O presidente dos EUA, Donald Trump, prorrogou para 15 de dezembro o prazo para taxar as importações de produtos chineses.

A divulgação do adiamento e a retomada das discussões comerciais entre autoridades americanas e chinesas trouxeram um alívio cauteloso global.

O sentimento de alívio, contudo, foi sobreposto por uma sucessão de dados macroeconômicos ruins, que reaviva temores de uma recessão.

Por aqui, o ministro da Economia, Paulo Guedes, apresentará ao Senado o pacote federativo que engloba medidas beneficiárias aos Estados.

De acordo com o Valor Econômico, a redistribuição de recursos e alongamento de prazos para pagamento de dívidas estão inclusos.

Em troca, fica estabelecido que a votação definitiva em segundo turno da reforma da Previdência ocorrerá em 2 de outubro.

Conforme estabelecido no calendário em reunião na terça-feira (13), o primeiro turno da votação ocorrerá em 18 de setembro.

Para o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), a promulgação acontecerá entre 8 e 10 de outubro, informou o Valor.

Sobre a reforma Tributária, o relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que tramita em comissão especial na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), indicou a intenção de unificar o projeto em questão com as propostas, tanto do governo quanto do Senado.

Ribeiro planeja apresentar o seu parecer sobre o texto em 8 de outubro, podendo ser votado em 15 de outubro.

Também em destaque, o mercado de boi gordo está em apuros.

Dados apurados pelo Valor indicam que, desde a crise de 2008, os negócios não param de encolher no mercado futuro.

O índice, que já chegou a movimentar quase R$ 50 bilhões por ano, encolheu para menos de R$ 15 bilhões.

Esse recuo tem afastado investidores devido à menor liquidez e, sem liquidez, esse mercado deve ser revisto pela B3.

Agenda econômica tem balanços, PIB alemão, produção industrial e mais destaques

Nossa agenda econômica tem como destaque a continuidade da temporada de balanços.

São esperados os números de diversas companhias nesta quarta-feira (14), com destaques para Embraer (EMBR3), Cemig (CMIG4) e JBS (JBSS3).

Na Europa, o dia começou no negativo após o PIB do segundo trimestre da Alemanha sofrer uma contração de 0,1%.

Além disso, a nova estimativa do PIB da zona do euro confirmou que o bloco cresceu 0,2% no mesmo período.

Em contrapartida, os números de produção industrial de junho retraíram 1,6% ante maio, superando as projeções de declínio de 1,2%.

No Reino Unido, a inflação anual passou de 2% (junho) para 2,1% em julho, contrariando expectativas de recuo a 1,9%.

A agenda econômica europeia tem ajudado a impulsionar a libra esterlina e o CPI britânico voltou a superar a meta de inflação de 2% do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês).

Na China, sua produção industrial apresentou expansão anual de 4,8%, ficando bem abaixo do aumento previsto (5,9%) por analistas.

As vendas no varejo, por sua vez, subiram 7,6% no mesmo período, ante expectativa de alta de 8,5%.

Os dados ruins costumam gerar expectativas de que Pequim seja mais agressiva em sua política de estímulos monetários e fiscais.

Na Argentina, o uso da capacidade instalada da indústria regrediu para 59,1% em junho, nível inferior aos 61,8% registrados na comparação anual, segundo dados divulgados pelo Instituto de Estatística e Censos (Indec) do país.

Revezamento de revezes

Seguindo o revezamento de uma tensão vindo de um canto diferente do mundo por dia, hoje é a vez da China. O gigante asiático reportou desaceleração de sua produção industrial. O número esperado era de +5,9 por cento e veio em apenas +4,8 por cento em julho, é a menor alta da indústria no país desde 2002. Os dados não devem passar em branco aos investidores que já estão em busca de ativos seguros como o iene e o franco suíço. Ao menos ontem a sinalização de que Trump adiou a imposição de tarifas para 155 bilhões de dólares de produtos chineses (para não prejudicar as compras de Natal dos americanos), mostrou que haverá diálogo. Uma conversa entre os dois países nas próximas semanas é o ponto de alívio nessa história toda. Mas com Trump na mesa de negociações, tudo é possível, por isso a cautela dos chineses só aumenta a cada nova fala, mas que não podem descuidar de seus dados fracos já prejudicados pela guerra comercial.

Na Argentina, o índice Merval se recuperou ontem subindo mais de 10 por cento, apesar do peso continuar afundando mesmo em meio a medidas do banco central para tentar conter a desvalorização da moeda. Mas Macri ainda não desistiu, deve anunciar um pacote de medidas mais populista para reverter os votos. Por aqui, foi aprovada esta noite a medida provisória da Liberdade Econômica, que reduz a burocracia e limita o poder de regulação do Estado, porém com mudanças que retiram itens trabalhistas.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

MP da Liberdade Econômica: Câmara aprova texto-base por 345 a 76 

O texto-base da MP da Liberdade Econômica (MP 881) foi aprovado na noite de ontem (13) pela Câmara dos Deputados.

Para que a matéria fosse amplamente aceita, o texto que gerava polêmica pelo número de assuntos que tratava, foi “enxugado”.

A atuação do relator da proposta, o deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), assim como do governo foram fundamentais nesse referido processo.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia coordenou a negociação e rejeitou os “jabutis”, itens sem relação com o conteúdo original.

Foram extintos do projeto alguns pontos polêmicos na legislação trabalhista, como a aplicação do Direito Civil para contratos de trabalho de funcionários com salário acima de R$ 30 mil.

Ademais, a criação de um tribunal administrativo para recursos das autuações de fiscais do trabalho já não integra a MP.

A redução nas multas para pagamento em dia e sem contestação assim como mudanças nos contratos agrários e na Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) foram retirados.

Apesar do enxugamento, a permissão para trabalho aos domingos e feriados sem necessidade de autorização por convenção coletiva foi mantida.

Atualmente, essa autorização é exigida. Agora, o trabalhador terá direito a uma folga de domingo a cada quatro semanas.

Desse modo, o parecer caiu de mais de 50 artigos para 16, destacou o Valor Econômico.

Há ainda 17 requerimentos para votar emendas e/ou rejeitar parte da MP da Liberdade Econômica, que serão analisadas hoje (14).

Radar corporativo: ações da Energisa entram em ex-dividendos com yield de 0,56% e mais

No radar corporativo de hoje (14), destacam-se a Energisa (ENGI4) e a EDP Brasil (ENBR3).

Por um lado, a jornada da véspera marcou a data limite para posicionamento de investidores sobre as ações da Energisa.

Assim, farão jus ao pagamento de dividendos no montante de R$ 101.615.466,96, isto é, R$ 0,28 por Units e R$ 0,056 por ação ordinária e preferencial de emissão da companhia

Desse modo, os papéis passam a ser negociados em ex-direitos nesta sessão e o yield é de 0,56%.

Do total, R$ 78.389.074,51 são referentes ao apurado no balanço levantado até 30 de junho deste ano, segundo a companhia.

O restante se baseia no saldo da reserva de lucros de exercícios anteriores. O pagamento começará no dia 23/08/2019.

Neste 2T19, a Energisa reverteu lucro do 2T18 (R$ 103,4 milhões) e amargou um prejuízo líquido de R$ 8,9 milhões.

De acordo com a companhia, seu resultado sofreu grande impactado pela aquisição das distribuidoras da Eletrobras (ELET3) no Norte do país, Ceron e Eletroacre, entre outros efeitos.

Surfando a onda do radar corporativo, a elétrica EDP Brasil comunicou que sua subsidiária, EDP Transmissão SP-MG, concluiu oferta pública de distribuição de debêntures de infraestrutura.

A operação captou R$ 800 milhões, conforme publicado pela EDP. As debêntures têm vencimento para 2039.

Essa emissão custará IPCA + 4,45% ao ano, resultando em custo de dívida pós-tax de IPCA + 2,81% ao ano para o acionista, informou a companhia.

O processo, contudo, viabilizará investimentos em um projeto de transmissão cuja concessão foi arrematada pela EDP Brasil em leilão realizado pelo governo em 2017.

O empreendimento aguarda emissão de licença de instalação para início das obras.

Ademais, a escritura das debêntures prevê ainda uma possível emissão adicional de até R$ 525 milhões.

Lucro da Trisul saltou 56% e contabilizou R$ 27,2 milhões no 2T19

O lucro da Trisul (TRIS3) cresceu 56% no 2T19 ante o mesmo período de 2018, de acordo com dados divulgados.

Desse modo, o montante total contabilizado pela construtora passou de R$ 17,3 milhões para R$ 27,2 milhões.

No primeiro semestre, o lucro cresceu 78%, tendo o valor, dentro da norma IFRS, fechado em R$ 53,7 milhões.

Assim também, o lucro bruto ajustado subiu 71% (R$ 68 milhões) no mesmo período. A Margem Bruta Ajustada registrou 37%.

Os seis primeiros meses do ano contabilizou lucro bruto ajustado de R$ 126 milhões (+55%), a Margem Bruta Ajustada, 34%.

Não foi apenas o lucro da Trisul que cresceu exponencialmente no segundo trimestre de 2019.

Sua receita operacional líquida atingiu R$ 184,3 milhões, 50% a mais do que os R$ 122,8 milhões registrados no 2T18.

A mesma porcentagem de crescimento foi registrada na comparação semestral, que contabilizou o montante de R$ 365,3 milhões.

O Ebitda passou de R$ 21,6 milhões para R$ 32,8 milhões (+52%) no trimestre. Ajustado, o salto foi de 43%.

No semestre, o Ebitda passou de R$ 39 milhões para R$ 64,6 milhões. Já o Ebitda ajustado cresceu 54%.

O VGV (Valor Geral de Vendas) dos três empreendimentos lançados – Omni Ibirapuera, Elev Vila Prudente e Bella Atibaia – no trimestre recuou 10%, encerrando em R$ 254,6 milhões, informou a construtora.

Em contrapartida, houve crescimento de 62% na comparação semestral (R$ 526,6 milhões) com o lançamento de cinco empreendimentos.

Lucro da Alupar recuou 3,1% no segundo trimestre

O lucro da Alupar (ALUP11) recuou 3,1% no 2T19, contabilizando R$ 244,9 milhões ante os R$ 252,8 milhões obtidos anteriormente.

No semestre, o lucro da companhia subiu 133,3% e somou R$ 891,8 milhões ante os R$ 382,3 milhões de 2018.

Sob a norma IRFS, a receita líquida cresceu 59,3%, totalizando R$ 817,9 milhões ante os R$ 513,5 milhões do 2T18.

Nos seis primeiros meses do ano, a receita líquida também cresceu, mas de forma ainda mais expressiva: 123,4%. No período, a receita líquida já acumulou R$ 1,9 bilhão.

De acordo com o balanço divulgado, o Ebitda da Alupar cresceu 10,3% no trimestre e ficou em R$ 437,4 milhões.

A margem Ebitda, por sua vez, subiu 23,7 pontos percentuais, totalizando 53,5%.

O montante chegou a bater R$ 1,2 bilhão no semestre (+94,3%). Sua margem também subiu 9,7 ponto percentual (+64,8%).

Recorde de vendas e receita bruta de R$1 bilhão no trimestre, reportou a Movida

Além de reportar recorde de vendas na categoria de seminovos, o lucro líquido da Movida (MOVI3) subiu 4% no trimestre.

De acordo com o release divulgado após o fechamento do pregão na véspera, os valores totalizaram R$ 41,5 milhões.

No segundo trimestre do ano anterior, o montante havia findado o período em R$ 39,9 milhões, sob efeito da norma IFRS.

O lucro líquido também cresceu no primeiro semestre (+25%) e somou R$ 83,5 milhões ante R$ 66,8 milhões do 1S18.

“No segundo trimestre de 2019 superamos a marca de R$1 bilhão de faturamento trimestral, com crescimento de 54% ano a ano”, informou a empresa.

“A receita de serviços cresceu 21% e a venda de ativos expandiu 84% em relação ao 2T18”, continuou.

Da mesma forma, a receita líquida da empresa encerrou o trimestre com R$ 956,2 milhões (+56,8%). No semestre, o crescimento foi de 45,7%, contabilizando R$ 1,7 bilhão.

O Ebitda acumulou R$ 154,9 milhões (+31%) no trimestre. Sua margem foi de 16,2%, queda de 3,2 pontos percentuais.

Além disso, o Ebitda do semestre também registrou subiu (+38,1%) e encerrou com um total de R$ 304,5 milhões. Sua margem também recuou (um ponto percentual), ficando em 17,2%.

“Nossa aceleração em Seminovos fez com que dobrássemos as vendas versus o 2T18 chegando ao volume de mais de 16 mil carros vendidos”, escreveu a Movida sobre o recorde de vendas.