Dólar cai e Ibovespa futuro recua com exterior azedo e decisão do STF

O apetite por risco que permeou os mercados globais, e a B3, nesta semana mostra, hoje, certa fadiga: os futuros dos três principais índices acionários americanos apontam para abertura em queda, enquanto o dólar avança ante seus pares. Para membros experientes do TC, um movimento de realização é natural após a recuperação de dias recentes. No Brasil, o noticiário é dominado pela decisão do Supremo Tribunal Federal, na véspera, que proibiu a execução da prisão após condenação em segunda instância.

A decisão é má vista pelo mercado. A pergunta que fica é, como reagirá o investidor estrangeiro? Para os ursos, será uma chance de forçar a uma acomodação nos preços dos ativos domésticos: o dólar futuro se fortalece 0,91% ante o real e toca os R$4,1410 – maior patamar desde 21 de outubro. Depois de cinco sessões de julgamento, o Supremo Tribunal Federal decidiu, por seis votos a cinco, que não se deve executar uma prisão após condenação em segunda instância. O efeito da decisão é imediato.

O resultado prático da decisão implica um retrocesso no entendimento da Corte vigente desde 2009 e que permitiu um avanço no combate à corrupção política. O pior perdedor é o Brasil que apoia a Operação Lava-Jato sobre quaisquer coisas: pelo menos 38 réus investigados no âmbito da investigação devem ser liberados. O advogado especializado em corrupção Modesto Carvalhosa disse que o julgamento de ontem trouxe “festa nos presídios, festa no reino da corrupção” e chamou o povo para as ruas para exigir “justiça de verdade”. Assim que a ata do julgamento for publicada, advogados poderão solicitar a liberação de condenados que estão presos; entre os beneficiados, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Como as medidas pós-Previdência encaminhadas pelo governo vão gerar um amplo debate, o assunto “Lula Livre” deve fortalecer as posições existentes no sistema político de mudar o sentido das propostas do ministro da Economia Paulo Guedes, com foco em proteger estruturas eleitorais e se associar à imagem de socialmente sensível, disse o membro experiente do TC e analista político Leopoldo Vieira, da IdealPolitik. Mas, o retorno dele ao gramado político já estava no cálculo de Bolsonaro e de Guedes ao apostarem neste timing para encaminhar o projeto de transformação liberal do Estado. A Câmara deve demorar em analisar o projeto que recoloca a prisão em segunda instância para não melindrar com a decisão de ontem.

Para membros experientes do TC, como o trader Moisés Beida, o dólar deve ser o ativo que mais sinta a decisão de ontem, assim como as ações mais líquidas do segmento Bovespa – Vale e Petrobras. No primeiro, disse ele, porque há pressão altista na esteira do fracasso dos leilões do pré-sal da quarta e da quinta-feira, que deterioraram o quadro técnico desse mercado. A volta do chamado “reflation trade” mundo afora, com pronunciada abertura da taxa de juros nos países ricos, a queda dos metais preciosos e o apelo por mais ativos de risco, pode pressionar os DIs.