Eduardo Bolsonaro vai perder a liderança do PSL e incertezas comerciais guiam a quarta-feira

A tensão global provocada pelas incertezas sobre o acordo comercial entre Estados Unidos e China ganha um novo capítulo, que pode se estender até dezembro do próximo ano.

Essa possibilidade mina as esperanças de um fim rápido para o extenso conflito que segue impactando o crescimento global.

Na Europa, o presidente Donald Trump voltou a afirmar que esse acordo pode ser postergado até o fim das eleições presidenciais do país, que acontece em novembro de 2020.

Para o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, selar um acordo adequado é mais importante que o concluir agora.

À Reuters, Ross afirmou que ainda há detalhes abertos sobre as compras de produtos agrícolas Chinas e outras questões estruturais.

Desse modo, caso Trump perca as eleições, sem nenhum acordo selado, a questão ficaria nas mãos de outra pessoa.

Hoje, no entanto, a Bloomberg divulgou que as duas potências globais estão se aproximando de um acordo sobre a quantidade de tarifas a serem revertidas na fase um do acordo.

Por aqui, o PSL confirmou a punição ao deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) por tentar afastar o presidente do partido, Luciano Bivar (PE), do comando da sigla.

Embora outros 17 parlamentares também tenham sido punidos, o filho do presidente vai ficar um ano sem exercer atividades partidárias.

Assim, Eduardo vai perder a liderança do PSL na Casa e todas as cadeiras que ocupa nas comissões temáticas da Casa, como na CPMI das Fake News, mantendo apenas o comando da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (Creden).

Ele ainda não foi comunicado oficialmente pelo partido uma vez que está em missão oficial da Câmara no Oriente Médio.

Hoje, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados deve votar a PEC 438/18, que muda a chamada regra de ouro.

Apesar de nenhuma evolução aparente nas conversas entre EUA e China, a manhã de quarta-feira está mais animada para os investidores internacionais (em parte para ser um suspiro devido aos dias que não foram ruins assim esta semana). A alta do petróleo com a perspectiva de que a Opep fará novos cortes de produção devido a oferta de ações da Saudi Aramco, embala preços melhores da commodity, bem como do minério de ferro que vem avançando com o mercado siderúrgico forte na China. Aliás, o país que, por sinal, vem surpreendendo a cada novo número divulgado na semana. Após o PMI industrial, agora, foi a vez do PMI Caixim Serviços acelerar mais do que o previsto, de 53,5 em novembro, ante a estimativa de 51,2.

Por aqui, apesar da tentativa de focar no PIB brasileiro acima da expectativa, o cenário internacional pesou e hoje deverá ser o dia para realmente digerir o dado que foi encarado como bom pelo mercado financeiro. Apesar de a expansão de 0,6 por cento não ser assim tão surpreendente, a sugestão é de que o crescimento irá continuar daqui em diante – o que é mais importante do que um fato isolado. Por isso, algumas revisões para 2020 devem ser feitas no sentido de que a economia brasileira está prestes a retomar o seu crescimento.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

Indicadores econômicos: medidor da inflação na cidade de São Paulo, PMI e empregos

A primeira semana do último mês do ano ainda reserva uma série de indicadores econômicos, como o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), também conhecido como o medidor da inflação na cidade de São Paulo, por exemplo.

Segundo dados publicados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o indicador avançou 0,68% em novembro, o maior resultado registrado em 2019.

Esse crescimento, que ficou acima do teto das estimativas de dez instituições especialistas consultadas pelo Projeções Broadcast, mostra força frente ao aumento de 0,16% de outubro e aceleração ante o ganho de 0,44% observado na terceira quadrissemana do mês passado.

Na zona do euro, o índice de gerentes de compras (PMI, em inglês) composto ficou em 50,6 em novembro.

De acordo com a pesquisa final divulgada pela IHS Markit, o resultado é o mesmo contabilizado no mês anterior.

Ao longo do dia, a atenção vai se voltar para indicadores econômicos dos Estados Unidos, que incluem a pesquisa da ADP sobre criação de empregos no setor privado, bem como leituras de atividade no segmento de serviços.

Cúpula do Mercosul: Brasil e Argentina arquitetam reação às tarifas americanas

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de reestabelecer as tarifas de importação de aço e alumínio contra Argentina e Brasil sob alegação de que ambos os países estão desvalorizando suas respectivas moedas de propósito, faz com que negociadores brasileiros e argentinos ensaiem uma ação coordenada na Cúpula do Mercosul.

Diplomatas e negociadores econômicos dos dois governos devem se encontrar hoje (4)k, a fim de elaborar uma agenda conjunta.

De acordo com a Reuters, esse documento englobará as novas taxas americanas, segundo informações do embaixador e Secretário de Negociações Bilaterais e Regionais nas Américas do Itamaraty, Pedro Miguel da Costa e Silva.

Há, contudo, ressalvas sobre a continuidade do acordo entre as duas nações diante da iminente saída do presidente Mauricio Macri, que será substituído por Alberto Fernandéz, visto com desconfiança pelo presidente Jair Bolsonaro.

Em paralelo, duas medidas já foram fechadas na Cúpula do Mercosul; a que se refere ao reconhecimento de indicação geográfica e a facilitação de comércio.

No primeiro caso, produtos como o queijo da serra das canastras, no Brasil, obterá um selo de garantia contra o uso do nome indevidamente por outros países.

A segunda medida era muito aguardada pois prevê a simplificação de trâmites aduaneiros, através da eliminação de taxas cobradas para a expedição de documentos de exportação, por exemplo, o que pode gerar uma economia de US$ 500 milhões ao ano para os exportadores.

Apesar dos avanços, a Reuters acredita que a Cúpula do Mercosul não vai conseguir avançar no principal ponto de interesse do Brasil, que é a redução da Tarifa Externa Comum (TEC).

Para que isso seja possível, será preciso que o novo governo argentino – mais resistente às mudanças – tome posse.

O Brasil ainda tenta fechar, paralelamente ao Mercosul, o acordo bilateral automotivo com o Paraguai para tentar anunciá-lo até amanhã.

Reforma administrativa: governo errou ao adiar envio da proposta ao Congresso, afirma Maia

Deixar a reforma administrativa para 2020 foi um erro, avaliou o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

O parlamentar acredita que a economia vai continuar crescendo pouco se o estado brasileiro não for reorganizado através da reforma.

Maia articula que a reforma administrativa tem potencial de mudar o cenário de concentração das riquezas e voltou a ressaltar que “o estado tem um papel regulador e de redução de desigualdades no Brasil”.

Ele minimizou, contudo, o crescimento da economia representado pelo avanço de 0,6% do PIB brasileiro, divulgado pelo IBGE na véspera.

Sobre os dados, Maia afirmou que o crescimento econômico continuará lento até que o peso do custo do estado deixe de recair sobre a sociedade.

Em outras palavras, a lentidão será inevitável enquanto a agenda de reformas não for aprovada e enquanto não houver um “marco legal para saneamento, para a lei de concessões, uma nova lei de recuperação judicial para garantir o direito dos credores e investimentos”.

Ontem, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que inclui o Bolsa Família na Constituição.

Agora, a matéria será analisada por uma comissão especial dedicada especialmente ao tema na própria Câmara dos Deputados.

Posteriormente, precisa ser aprovada por 308 parlamentares da Casa em dois turnos de votação para, então, seguir para o Senado.

Essa medida que faz parte do projeto social anunciado no mês passado por Maia.

“Independentemente da visão de mundo e da pessoa que está no poder, o Bolsa Família não poderá ser questionado ou diminuído. Não poderá agora alguém dizer que se um candidato for eleito vai acabar com o Bolsa Família”, disse a autora da PEC, deputada Tabata Amaral (PDT-SP), conforme publicado pela Agência Câmara Notícias.

Ambev vai distribuir R$ 7,71 bi em juros sobre capital próprio

O Conselho de Administração da Ambev (ABEV3) aprovou a distribuição de R$ 7,71 bilhões em Juros Sobre Capital próprio (JCP), equivalentes a um montante bruto de R$ 0,49 por ação.

No acumulado de 2019, o lucro líquido atribuído aos acionistas da companhia contabilizou R$ 7,68 bilhões, o que mostra que a cervejaria continua repassando aos investidores uma fatia significativa do resultado obtido anualmente.

De acordo com a publicação voltada aos acionistas, esse montante será deduzido do resultado acumulado deste ano. Para tal, será tomado como base o balanço extraordinário extraído em 30 de novembro de 2019.

Com isso, os papéis da companhia, assim como os recibos de ações (ADRs), passarão ser negociados em ex-JCP a partir do dia 20 deste mês. O pagamento também tem previsão de ser realizado ainda em 2019, no dia 30 de dezembro.