Euro despenca após BCE retomar flexibilização quantitativa e manter opções abertas

O euro despencou ante o dólar americano e as bolsas nas maiores praças financeiras do Velho Continente viraram e passaram a subir após o Banco Central Europeu anunciar hoje a retomada de um maciço programa de compra de títulos, cortar uma das taxas referência para os juros básicos e se dizer aberto a quaisquer tentativas de estimular a economia da Zona do Euro.

O presidente da autarquia, Mario Draghi, deve dar uma coletiva em instante para explicar a decisão, que era em parte esperada por economistas e investidores. Na decisão, o BCE anunciou a redução da sua taxa de facilidade de depósito permanente em 10 pontos-base para -0,5%, em linha com o consenso. O colegiado espera que os juros permaneçam em seus níveis atuais ou mais baixos até que as perspectivas da inflação “convirjam robustamente para um nível suficientemente próximo, mas abaixo de 2%, dentro do seu horizonte de projeção, e de forma persistente”, disse em comunicado.

O BCE alterou sua taxa TLTRO para fornecer condições de empréstimos bancários mais favoráveis. O BCE também introduziu um novo modelo de administração da política monetária, chamado de “rate tiering” ou de “nivelamento de taxas”, que agências de notícias disseram, em meses recentes, ter sido incentivado por executivos de grandes bancos europeus para facilitar a concessão de crédito e mitigar os problemas relacionados com os juros negativos. O programa de flexibilização quantitativa do BCE, retomado hoje com a decisão de juros, envolverá compras de ativos, pelo tempo que considerar necessário, no montante de 20 bilhões de euros por mês, a paritr de 1º de novembro.

O euro, que subia 0,15% segundos antes da decisão, virou e passou a cair 0,45% ante o dólar americano com a decisão – que deixa a moeda comum menos atrativa perante outras divisas pares. O índice pan-europeu Stoxx600 também virou e passou a subir 0,42% com a decisão – turbinando as esperanças entre os investidores de que a decisão deve evitar a chegada da recessão na Zona do Euro. O rendimento do Bund alemão de dez anos desabou e tocava os -0,617% na esteira do anúncio. No Brasil, os juros futuros abriram em queda sob o efeito da retomada do relaxamento quantitativo pelo BCE e pela queda da taxa de juros na Turquia, maior do que o que o consenso esperava.

Os investidores mundo afora, e no Brasil, esperavam amplamente que o BCE anunciasse alguma forma de pacote de estímulo, mesmo com as sinalizações conflitantes enviadas por alguns dos membros da diretoria do BCE – especialmente de aqueles vistos como mais severos com a inflação – em dias recentes.