Fomc e Copom iniciam a última reunião de 2019; JCP; agenda de reformas e outros destaques

Cinco dias separam a nova imposição de tarifas dos Estados Unidos sobre as importações chinesas. Se confirmada, os esforços para acabar com a guerra comercial podem ser complicados.

Na véspera (9), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os EUA estão indo bem com a China ao estabelecer um acordo comercial.

Hoje, contudo, os índices acionários da China fecharam quase estáveis e as negociações foram fracas. Os investidores seguem cautelosos.

Por aqui, o Congresso Nacional tenta esvaziar sua agenda diante da proximidade do recesso parlamentar, ao final da próxima semana.

Entre os principais destaques políticos da reta final deste ano está a votação do Orçamento da União para 2020.

No Senado, os parlamentares podem votar dois temas polêmicos: a prisão após condenação em segunda instância e o pacote anticrime.

Por outro lado, os deputados da Câmara também discutem assuntos controversos como, por exemplo, a atualização do marco legal do saneamento básico, assim como a medida provisória (MP) que transfere o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Economia para o Banco Central.

Ainda assim, a equipe econômica do governo federal projeta a extensão dos seus trabalhos, segundo informou o secretário-executivo do Ministério da Economia, Marcelo Guaranys.

Guaranys ressalta que o grupo trabalha em medidas que podem ser adotadas ao longo do recesso, a fim de manter espírito de que o pacote de reformas é necessário.

O presidente Jair Bolsonaro decidiu enviar o vice-presidente Hamilton Mourão para a posse do presidente eleito da ArgentinaAlberto Fernández.

A decisão do presidente foi confirmada à Reuters pelo porta-voz da Presidência, general Otávio do Rêgo Barros.

No âmbito corporativo, a Smiles (SMLS3) viu suas ações ordinárias subirem quase 20% (19,72%) após a Gol (GOLL4) propor uma reorganização societária para sua incorporação.

O clima de que dezembro está começando a chegar nos mercados. Daqui em diante, o volume de negociação diário nas Bolsas tenderá a ser menor e a ausência de fatos relevantes será uma constante. Hoje, por exemplo, não há nada novo. Os investidores estão de olho no acordo entre EUA e China que tem como data final domingo, antes da imposição de novas tarifas americanas sobre produtos de consumo e as reuniões do Fed, bem como a do Copom iniciam hoje, porém só revelam as suas decisões amanhã. Com isso, o clima é mais chocho com Bolsas de lado com tendência negativa.

Por aqui, além do marasmo, vale ficar de olho na PL do Saneamento que entrou em pauta no Senado em regime de urgência.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

Confira a seguir mais destaques.

Confiança do consumidor; relatório da dívida pública; reunião do Fomc e Copom

Nos Estados Unidos, saem os dados de vendas de imóveis e confiança do consumidor.

Em nossa agenda de indicadores econômicos, o destaque é a publicação da sondagem da indústria e relatório da dívida pública.

Tanto quanto o Federal Open Market Committee (Fomc) quanto o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciam nesta terça-feira (10) a última reunião de 2019, que culminará com a divulgação amanhã da nova taxa de juros.

A inflação ao consumidor na China avançou 4,5% sobre o ano anterior, ritmo mais rápido desde janeiro de 2012.

Dados da Agência Nacional de Estatísticas local revelam que a máxima em quase oito anos está relacionada ao forte aumento da carne suína, devido à febre suína africana.

Em contrapartida, os preços nos portões das fábricas continuaram caindo, ampliando a incerteza sobre o setor industrial da China.

Na Europa, o índice de expectativas econômicas alemã subiu de -2,1 pontos em novembro para 10,7 pontos em dezembro.

O resultado, divulgado pelo instituto alemão ZEW, veio bem acima da expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam avanço do indicador a -0,1 ponto.

Por outro lado, o índice das condições atuais aumentou de -24,7 pontos em novembro para -19,9 pontos em dezembro.

A produção industrial do Reino Unido avançou de forma singela de 0,1% em outubro ante setembro, de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas (ONS, em inglês) do país.

Agenda de reformas: governo acerta na estratégia para tirar o Brasil da crise, afirma Maia

O governo de Jair Bolsonaro tem acertado na estratégia de elaborar uma agenda de reformas com o propósito de tirar o Brasil da crise, afirmou na véspera (8) o presidente da Câmara dos DeputadosRodrigo Maia (DEM-RJ).

Segundo o parlamentar, somente a recuperação econômica vai permitir a retomada do emprego, assim como as melhorias na área social.

De acordo com a página oficial de notícias da Câmara, Maia usou a reforma da Previdência, aprovada em outubro no Plenário do Senado e promulgada no mês seguinte, como um exemplo de manobra para reduzir as desigualdades.

As novas regras de transição e disposições transitórias estabelecidas tem como propósito reduzir o déficit nas contas da Previdência Social.

Ontem, a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia divulgou que a estimativa de economia com a reforma da Previdência aumentou para R$ 855,7 bilhões diante da inclusão de medidas a serem seguidas pelos estados.

A projeção de economia para a União nos próximos dez anos foi mantida em R$ 800,3 bilhões, mas a reforma trará uma economia adicional de R$ 55,4 bilhões para Estados e municípios.

Maia defende que a agenda econômica do governo tem contribuído no controle do crescimento da rejeição ao presidente Jair Bolsonaro.

Recentemente, uma pesquisa Datafolha mostrou que a taxa de aprovação do governo oscilou de 29% para 30% em dezembro.

O Congresso se reúne na manhã desta terça-feira (10) para apreciar dois vetos (veto 35/19, que barrou alguns pontos da minirreforma partidária e eleitoral; veto 44/19, que invalidou a preferência a mulheres marisqueiras no pagamento de indenizações em caso de desastres ambientais) e 25 projetos de lei do Congresso para a liberação de crédito para ministérios e órgãos do governo.

Balança comercial contabiliza superávit de US$ 1,6 bilhão na 1ª semana de dezembro

Nos primeiros 5 dias úteis de dezembro deste ano, a balança comercial brasileira contabilizou superávit de US$ 1,646 bilhão.

Dados divulgados na véspera (9) pelo ministério da Economia indicam ainda que a corrente de comércio totalizou US$ 8,500 bilhões.

Esse montante, ressaltou o ministério, resulta-se das exportações no valor de US$ 5,073 bilhões e importações de US$ 3,427 bilhões.

Na comparação anual das médias diárias entre a primeira semana de dezembro deste ano (US$ 1,015 bilhão) e 2018 (US$ 967,3 milhões), nota-se que as exportações avançaram 4,9%.

Segundo o ministério da Economia, esse crescimento é atribuído ao aumento das vendas de produtos básicos, bem como os semimanufaturados.

Assim também, a média diária das importações do mesmo período de 2019 (US$ 685,4 milhões) superou em 6,1% a média do ano anterior (US$ 645,8 milhões).

No ano, a balança comercial já acumula um saldo comercial positivo de US$ 42,7 bilhões.

Embora o saldo seja positivo, representa uma contração de 20% ante ao superávit registrado no mesmo período do ano passado.

De acordo com a última projeção publicada em outubro pelo ministério da Economia para o saldo comercial de 2019, a expectativa era por um superávit de US$ 41,8 bilhões.

A projeção anterior indicava também um superávit, mas de US$ 56,7 bilhões.

O mercado espera, contudo, por novas revisões nessas estimativas desde que a Secretaria de Comércio Exterior corrigiu para cima os dados contabilizados das exportações brasileiras no período que compreende o mês de setembro a novembro.

Na ocasião, o órgão atribuiu uma subnotificação de US$ 6,488 bilhões a uma falha humana.

Esse resultado piorou os dados da balança comercial brasileira divulgados anteriormente.

Itaúsa vai pagar juros sobre o capital próprio com base na posição acionária de 12/12/2019

Em fato relevante, a Itaúsa (ITSA4) informou ao mercado que seu Conselho de Administração aprovou o pagamento de juros sobre o capital próprio no valor bruto de R$ 0,005950 por ação.

De acordo com o Diretor de Relações com Investidores, Alfredo Egydio Setubal, responsável pela assinatura do comunicado, esses benefícios serão pagos até o dia 30 de abril de 2020.

Para que o investidor tenha direito ao recebimento, é preciso estar posicionado na próxima quarta-feira (12).

Conforme publicado, está previsto também uma retenção de 15% de imposto de renda na fonte, resultando em juros líquidos de R$ 0,0050575 por ação.

Aqueles acionistas que forem pessoas jurídicas comprovadamente imunes ou isentos receberão o valor bruto dos juros sobre capital próprio.

Diretoria do Bradesco propõe o pagamento complementar de juros sobre capital próprio

A diretoria do Bradesco decidiu propor ao seu Conselho de Administração o pagamento complementar de juros sobre capital próprio (JCP).

Para estar apto a receber o benefício, os acionistas devem estar inscritos nos registros da Sociedade em 19/12/2019.

Nesta mesma data, a diretoria do Bradesco se reunirá com o conselho para avaliar a distribuição de R$ 4,245 bilhões.

Posteriormente, as ações passarão a ser negociadas “ex-direito” aos juros complementares no dia seguinte, isto é, a partir de 20/12/2019.

De acordo com o Diretor Executivo Adjunto e Diretor de Relações com Investidores da instituição monetária, Leandro de Miranda Araujo, o pagamento ocorrerá em 30/12/2019 pelo valor líquido de R$0,427872660 por ação ordinária (BBDC3) e R$0,470659926 por ação preferencial (BBDC4), já deduzido o imposto de 15% em ambos os casos.

O Bradesco já distribuiu R$ 2,98 bilhões em JCP neste ano e tem aprovados R$ 8 bilhões em dividendos extraordinários.