Fórum Econômico em Davos começa hoje; Bolsonaro vai à Índia; política monetária e mais

O Fórum Econômico Mundial, que reúne líderes, chefes de Estado e empresários em Davos, na Suíça, começará nesta segunda-feira (20).

Representante do governo brasileiro, o ministro da EconomiaPaulo Guedes, falará em painéis e se reunirá com presidentes de multinacionais de terça-feira (21) a quinta-feira (23).

De acordo com o Ministério da Economia, Guedes se concentrará na redução do déficit fiscal em um ano de governo.

O economista falará do aprofundamento das reformas estruturais que ajudarão a economia a recuperar-se e acelerará a criação de empregos.

Hoje, o FMI divulgará sua previsão econômica global atualizada, dias após a assinatura da “Fase 1” do acordo comercial sino-americano.

Segundo a diretora administrativa do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, o acordo comercial interino entre Washington e Pequim tem potencial para reduzir, mas não eliminar, a incerteza que freava o crescimento global.

Anteriormente, em meio as tensões, a estimativa da organização era para uma redução de 0,8% do crescimento econômico internacional.

Também nesta semana, o presidente Jair Bolsonaro cumpre sua primeira viagem oficial de 2020.

Na Índia entre 24 e 27 de janeiro, ele deve assinar, aproximadamente, 10 a 12 acordos, com o propósito de facilitar os investimentos mútuos e de cooperação nas áreas de segurança cibernética, bioenergia e saúde, segundo informações cedidas pelo embaixador Reinaldo José de Almeida Salgado, secretário de Negociações Bilaterais na Ásia, Pacífico e Rússia.

No decorrer da semana, uma série de decisões sobre a política monetária de diversos países será monitorada pelo investidor.

Marcando as primeiras reuniões do banco central do ano, atenção para a zona do euro, Japão e Canadá.

Diante de um calendário econômico mais enxuto, os dados de empregos e PMI do Reino Unido provavelmente receberão mais atenção.

Na Inglaterra, cresce as expectativas de um corte nas taxas. Confira a seguir mais destaques da semana.

Reuniões de banco central para decisão da política monetária; PMIs, PPI e mais indicadores

Certamente o investidor vai monitorar as reuniões de política monetária dos bancos centrais da zona do euro, Japão e Canadá.

De acordo com as projeções do mercado, nenhuma alteração deve acontecer no que marca a primeira reunião de 2020.

Semelhantemente, o Banco do Povo da China (PBoC, o BC chinês) manteve suas taxas de juros de referência para empréstimos de curto e longo com prazos inalterados pelo segundo mês consecutivo em janeiro, de acordo com a Dow Jones Newswires.

A taxa de empréstimos de um ano, taxa principal desde agosto, permanece em 4,15%.

Em contrapartida, a taxa para empréstimos de cinco anos ou com vencimentos mais longos continua em 4,80%.

Surpreendentemente, o Banco Central Europeu faz a primeira revisão de seu corpo político desde 2003.

A instituição enfrenta uma série de questões sobre a adequação de sua meta que está inalcançada há sete anos.

Nos EUA, o Federal Reserve está em período de silêncio antes de sua primeira reunião de política monetária para 2020.

Na sexta-feira (24), saem os PMIs para a zona do euro, o Reino Unido e os Estados Unidos.

Números ruins, na sequência de uma série recente de dados fracos, podem selar o caso para flexibilizar a política monetária.

Em contraste com a expectativa de números baixos, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) da Alemanha subiu 0,1% em dezembro de 2019 ante novembro, segundo dados publicados pela agência de estatísticas local, a Destatis. Em suma, o PPI alemão contraiu 0,2% em dezembro na comparação anual.

Por aqui hoje saem o tradicional boletim Focus, do Banco Central e a balança comercial semanal, do Ministério da Economia.

Brasileiro está otimista com a economia, aponta pesquisa global

Dados levantados pela pesquisa Edelman Trust Barometer apontam que o povo brasileiro está mais otimista com a economia.

Setenta por cento dos brasileiros esperam melhorar sua condição econômica, assim como a de sua família nos próximos cinco anos.

A informação é da pesquisa que mede a confiança das pessoas no governo, nas empresas, nas organizações não governamentais (ONGs) e nos meios de comunicação.

Para 2020, foram consultadas mais de 34 mil pessoas em 28 países.

De acordo com a agência global de comunicação, os otimistas só predominam em economias emergentes; assim, os mais empolgados no ranking são os quenianos, cujos números apontam para 90% indicando esperança de melhora.

Os chineses, por sua vez, quase empataram com os brasileiros, com 69% de respostas positivas.

Em mais da metade dos países consultados (15/28) houve maioria de pessimistas. Esse grupo inclui todos os mercados mais desenvolvidos.

Nos Estados Unidos, por exemplo, apenas 43% indicaram expectativa otimista com a economia, seguido pelo Reino Unido (27%), Alemanha (23%), França (19%) e Japão (15%).

A pesquisa constatou ainda que a confiança vem sendo minada por uma crescente sensação de desigualdade e de injustiça.

Nesse sentido, o maior pessimismo apareceu na Índia (73%), seguido pela Itália (67%), Alemanha (66%) e até os EUA (57%).

Essa sondagem será apresentada em evento paralelo à reunião do Fórum Econômico Mundial em Davos, segundo informou o Estadão.

Representante do Brasil em Davos, o ministro da Economia, Paulo Guedes, planeja defender, sobretudo, as reformas implementadas pelo governo Bolsonaro como responsáveis por tirar o Brasil do “abismo fiscal. Ele em painéis e se reunirá com empresários nos próximos dias.

Venda de ações pode gerar até R$ 4 bilhões para o governo federal

Após um levantamento, o governo estima ingresso de R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões com a venda de ações.

O governo planeja vender ações de empresas que “desconhecia” ser proprietário, segundo informou o jornal O Estado de S. Paulo

Entre as empresas listadas estão as dos bancos Santander e Itaú Unibanco, das teles Vivo e Tim e da Embraer.

São 57 participações minoritárias (ou seja, a União não controla) em empresas com ações na B3 e com capital fechado.

“Vamos vender tudo”, afirmou o secretário de Desestatização do Ministério da Economia, Salim Mattar, de acordo com o jornal.

“Preferimos ter menos dívida do que pagar juros”. Segundo ele, falta dinheiro até para oferecer um café à reportagem.

Além disso, o Ministério da Economia também vai vender a participação via FI-FGTS, isto é, fundo de investimento que usa parcela do FGTS com o propósito de aplicar em infraestrutura, em 14 empresas.

Para o próximo mês, a pasta promete divulgar a “caixa-preta” do fundo com os valores de cada empresa.

Também está previsto os números de quanto o governo ganhou/perdeu nas operações do fundo, administrado pela Caixa Econômica Federal.

Matar explica que, para 2020, o plano é vender essas participações levantadas pelo ministério.

Para viabilizar a medida, será preciso incluir um lote no Programa Nacional de Desestatização (PND) ainda no primeiro semestre.

Ao falar da venda das participações de empresas de capital fechado (sem ações na Bolsa), o secretário reconheceu a dificuldade.

Por fim, a venda de ações da Caixa, Petrobras e BB não estão previstas, mas sim de empresas subsidiárias, coligadas.

Destaques corporativos: Caixa se prepara para IPO; Marfrig quita dívidas mais caras e juros

Nos destaques corporativos de hoje (20) o mercado vai monitorar as repercussões das decisões internas da Caixa Econômica Federal e da quitação de dívidas da Marfrig.

Em meio a preparação para a oferta pública de ações (IPO), prevista para março, o presidente da Caixa Seguridade, Marco Barros, deixará o cargo e vai ao conselho de administração da companhia, segundo apurou o Valor Econômico.

Com a mudança, o atual vice-presidente de atacado do banco, Eduardo Dacache assumirá e irá capitanear a abertura de capital.

Segundo o Valor, a leitura é que Barros fez um bom trabalho na costura das parcerias de seguros da Caixa.

Agora, Dacache deve dar uma direção mais comercial à operação. Os dois executivos vão participar do roadshow para o IPO.

Além disso, Júlio Volpp, atual vice-presidente de varejo, vai presidir a Caixa Cartões, que também abrirá seu capital em 2020.

Dando sequência às mudanças apuradas pelo Valor, o vice-presidente de fundos de governo, Paulo Angelo, assumirá a área de varejo.

As ações para reduzir o custo das dívidas em 2020 também colocam a gigante global Marfrig entre os destaques corporativos.

Após captar R$ 900 milhões em dezembro com a emissão de novas ações, a Marfrig Global Foods (MRFG3) resgatou antecipadamente um título de dívida mais caro.

Essa operação permitirá uma economia anual da ordem de US$ 35 milhões (aproximadamente R$ 145 milhões) em despesas com juros.

No total, a companhia que planeja retomar o pagamento de dividendos aos acionistas no Brasil, resgatou US$ 446 milhões em notes que venceriam em junho de 2023.

Com uma receita líquida contabilizada em mais de R$ 50 bilhões por ano, a Marfrig obtém grande parte das vendas e do lucro no mercado americano (+60%), seguido pelo Brasil (10%).