Ibovespa avança 1,36% com delegação chinesa nos EUA e acordo no Congresso

O Ibovespa avançou nesta quarta-feira (09), devolvendo parte das perdas anotadas nas últimas sessões, com foco nas notícias positivas do exterior e da cena política local.

Na tarde de hoje, a delegação liderada pelo vice-primeiro-ministro chinês, Liu he, desembarcou nos Estados Unidos, para participar de uma reunião com autoridades comerciais da Casa Branca.

Previsto para acontecer amanhã, este encontro oficializará a retomada das negociações sobre a disputa comercial travada pelos dois países, que poderá, ou não, resultar em um acordo tarifário.

Apesar dos ataques mútuos desferidos entre Pequim e Washington nos últimos dias, a notícia da chegada das autoridades chinesas trouxe um sentimento alívio nos mercados emergentes.

A expectativa é que as lideranças consigam fechar um acordo, pelo menos parcial, já que o governo da China se dispôs a aumentar em 10 milhões de toneladas as compras anuais de soja dos EUA.

Também protagonizando as discussões, a ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) foi divulgada hoje e mostrou que os dirigentes do Federal Reserve alimentam visões diferentes sobre a conjuntura atual.

Alguns acham que o mercado está precificando excessivamente a redução na taxa de juros, outros acreditam que o atual índice deve ser mantido e ainda tem os que argumentaram que o Fed deve ter mais clareza sobre o fim do ciclo de cortes.

Outro catalisador que impulsionou a alta dos ativos foi o cenário político, com o governo e o Congresso chegando a um acordo sobre a divisão dos R$106,5 bilhões que serão arrecadados com os campos excedentes do pré-sal.

Desse montante, 15% serão destinados aos municípios e 15% aos estados da federação, contudo, dos recursos estaduais, 10% irá para o Fundo de Participação dos Estados (FPE) e 5% irá para os estados produtores e exportadores de petróleo.

O Tribunal de Contas da União (TCU) já emitiu uma autorização para a divulgação do edital do megaleilão da cessão onerosa, que foi agendado para o dia 6 de novembro.

Depois de resolver este impasse, o Senado estabeleceu que a votação em segundo turno da reforma da Previdência no plenário será agendada para dia 22 de outubro.

Como resultado, a Bolsa brasileira avançou 1,27% aos 101.248 pontos, anotando um volume financeiro de R$9,349 bilhões.

Dólar sobe a R$4,10 com IPCA e apostas de queda da Selic

O dólar comercial avançou contra o real nesta quarta-feira (09), fechando na cotação de 4,1040 na venda, se desviando dos seus pares no exterior.

Apesar do cenário externo se mostrar favorável ao risco na sessão de hoje, a valorização de 0,34% da divisa americana no mercado interno mostrou que os investidores estão precificando uma aposta ainda maior na queda da Selic.

Isso foi possível porque o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro registrou deflação de 0,04%, mostrando que a recuperação econômica do país ainda está muito lenta.

Com a redução da taxa básica no Brasil, o diferencial de juros em relação aos Estados Unidos também cai, diminuindo a atratividade do real para investimentos estrangeiros.

No sentido oposto, as principais moedas emergentes ganharam terreno contra o dólar, ficando em destaque o rand sul-africano (+0,61%), o peso mexicano (+0,30%) e o rublo russo (+0,44%).

O grande catalisador do bom humor internacional foi o arrefecimento das relações entre Estados Unidos e China, sobretudo, após a delegação chinesa desembarcar em Washington para a reunião de amanhã.

Na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram com queda nas taxas de ponta a ponta na curva de juros, renovando as mínimas históricas pelo segundo dia.

Neste momento, o mercado está se posicionando à espera de um ciclo de cortes ainda mais agressivo, com a taxa básica podendo atingir o patamar de 4,50% no final de 2019.

O DI março/2020 caiu para 4,77% (4,83% no ajuste anterior), o DI janeiro/2024 declinou para 6,23% (6,36% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 recuou a 6,84% (6,95% no ajuste anterior).

Futuros de petróleo fecham mistos refletindo incertezas geopolíticas e aumento nos estoques dos EUA

Os preços do petróleo encerraram o pregão desta quarta-feira (09) sem apresentar uma direção comum, refletindo as incertezas geopolíticas no exterior e o aumento dos estoques nos Estados Unidos.

Os contratos futuros operaram em alta a maior parte do dia, após a China sinalizar que está aberta a um acordo comercial com os EUA, mesmo que seja de abrangência parcial.

Contudo, após a divulgação dos dados sobre os estoques americanos da commodity, as cotações sofreram grande pressão vendedora.

Na semana passada, as reservas de óleo bruto subiram 2,927 milhões de barris, alcançando o patamar de 425,569 milhões, superando as projeções dos especialistas para o período.

As negociações ainda ganharam um fôlego parcial com a notícia de que a Turquia está realizando uma investida militar no norte da Síria.

Qualquer situação de tensão no Oriente Médio pode vir a prejudicar os níveis de oferta global, já que a região concentra a maior produção em escala. Por esse motivo, os preços são tão sensíveis ao noticiário local.

Como resultado, o petróleo vendido no West Texas Intermediate (WTI) para entrega em novembro registrou leve queda de 0,07%, sendo negociado a US$52,59 o barril.

Já o petróleo Brent para dezembro, comercializado na ICE de Londres, fechou em alta de 0,13%, na cotação de US$58,32 o barril.

Noticiário Corporativo: Cemig planeja investir R$300 milhões na energia solar até 2020

Na tarde de ontem, a Cemig (CMIG4) anunciou um novo empreendimento que prevê a construção de usinas para geração e distribuição de energia solar em Minas Gerais.

A companhia estimou um investimento total de aproximadamente R$300 milhões até o final de 2020, sendo aplicados à subsidiária chamada Cemig S!M, criada para esta finalidade e cuja participação será 49% da estatal e 51% do grupo privado Mori Energia.

Este anúncio ocorreu em um momento muito propício, já que o governo estadual está em vias de apresentar à assembleia legislativa um projeto de privatização para diversas empresas estatais, inclusive a Centrais Elétricas.

Segundo o atual presidente da Cemig, Cledorvino Belini, as novas usinas já estão sendo criadas na sistemática da privatização, ou seja, com o controle acionário nas mãos do particular.

Ao todo, serão instaladas 32 usinas solares, nas regiões norte e noroeste de Minas, sendo nove delas com entrega para o final de 2019 e as demais, para conclusão ao longo de 2020.

Serão 17 municípios contemplados com as estruturas e a potência projetada para cada usina gira em torno de 150 MW, com capacidade de geração de 300 Gigawatts/hora-ano.

A Cemig explicou que a primeira parte dos recursos destinados ao aporte neste empreendimento virá do seu caixa, porém, o restante, que poderá chegar a R$600 milhões no longo prazo, poderá vir de linhas de crédito privadas.

Movimentações na B3  

As ações de maior liquidez da B3 majoritariamente em alta, acompanhando a melhora mercado para ativos de risco. A seguir, as máximas do índice geral:

COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo 08/10 09/10 Ativo 08/10 09/10
Petrobras (PETR3) -0,63% +2,52% Vale (VALE3) -1,56% +0,77%
Petrobras (PETR4) -0,57% +1,92% Embraer (EMBR3) -1,90% +0,53%
Eletrobras (ELET3) +0,56% -1,22% Banco do Brasil (BBAS3) -1,80% +2,77%
Eletrobras (ELET6) -1,28% +0,21% Cemig (CMIG4) +0,22% -0,07%

Carteira Recomendada de Outubro por 17 corretoras

SETOR BANCÁRIO SETOR SIDERÚRGICO
Ativo 08/10 09/10 Ativo 08/10 09/10
Itaú Unibanco (ITUB3) -0,71% +1,50% Usiminas (USIM3) -1,42% -0,66%
Santander (SANB11) -0,16% +3,30% CSN (CSNA3) -4,31% 00%
Bradesco (BBDC3) +0,41% +3,99% Gerdau (GGBR4) -1,80% -0,24%