Ibovespa avança aos 110 mil e renova a máxima histórica com possível acordo EUA-China

O Ibovespa encerrou em expressiva alta nesta quarta-feira (04), renovando a máxima histórica de fechamento acima dos 110 mil pontos, acompanhando o bom humor do cenário externo.

Pela manhã, a agência de notícias Bloomberg fez uma publicação afirmando que Estados Unidos e China estão muito próximos de chegar a um consenso sobre as tarifas que serão removidas na primeira fase do acordo.

Além disso, os negociadores americanos esperam que essa fase inicial seja concluída antes do dia 15 de dezembro, quando ocorrerá o aumento das tarifas sobre US$300 bilhões em produtos chineses importados.

Os investidores ficaram em êxtase com a informação, principalmente, depois da declaração de Donald Trump dizendo que as negociações com a China “estão indo muito bem”.

Durante em evento com países integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), O presidente americano ressaltou que os dois países estão progredindo juntos e que ele está otimista.

Em contrapartida ao bom momento, o setor privado dos EUA divulgou a criação de 67 mil novas postos de trabalho ao longo do mês de novembro, ficando muito abaixo das 150 mil vagas previstas pelos analistas.

Houve também uma revisão para baixo dos números registrados em outubro, caindo de 125 mil novos empregos para o total de 121 mil.

E na esteira do protecionismo norte-americano, o secretário de Comércio, Wilbur Ross, disse que o governo dos EUA não descartou sobretaxar os automóveis importados da Europa.

O mercado continuou preocupado com uma possível retaliação da União Europeia, já que Trump também anunciou que irá impor tarifas de 100% sobre cerca de US$2,4 bilhões em produtos importados da França.

Por aqui, além das influências internacionais, o apetite ao risco foi impulsionado pelo crescimento de 0,8% na produção industrial do mês de outubro, em comparação a setembro.

Este foi o terceiro mês consecutivo de avanço para o índice, evidenciando a aceleração do ritmo de recuperação econômica do país.

Na B3, as companhias BTG Pactual (BPAC11), Weg (WEGE3) e Itaú Unibanco (ITUB3) destacaram-se dentre as maiores altas e Suzano (SUZB3), JBS (JBSS3) e Raia Drogasil (RADL3) sofreram as maiores baixas.

No fim da sessão, a Bolsa brasileira disparou 1,23% aos 110.300 pontos, registrando um volume financeiro de R$13,081 bilhões.

Dólar fica praticamente estável e fecha na fronteira de R$4,20

O dólar comercial encerrou praticamente estável nesta quarta-feira (04), sendo cotado a R$4,2020 na venda, depois de esboçar baixas oscilações.

Seguindo a melhora das perspectivas da guerra comercial entre Estados Unidos e China, a divisa americana operou em leve queda durante todo o pregão.

Com isso, o real apresentou um desempenho modesto em relação às demais divisas emergentes, como o peso chileno (+1,85%), o peso mexicano (+0,50%) e o rublo russo (+0,41%).

Embora os indicadores locais sinalizem que a recuperação da economia brasileira está em pleno vapor, o movimento do fluxo cambial continua seguindo a direção contrária, anotando recordes de saída de capitais.

Só na semana passada, o saldo negativo foi de US$4,415 bilhões, e no acumulado do ano, o montante já está em US$27,156 bilhões, não havendo perspectivas de reversão no curto prazo.

Na sessão de hoje, o principal driver foi uma notícia do Bloomberg, informando que Estados Unidos e China estão muito próximos de fechar a primeira fase do acordo comercial.

Adicionalmente, o presidente Donald Trump disse que as conversas com o governo chinês estão “indo muito bem”, ressaltando o seu otimismo com o relacionamento entre os dois países.

Apesar das contradições e incertezas, o fato renovou as esperanças do mercado quanto à resolução do conflito e apoiou o enfraquecimento do dólar no cenário internacional.

Na renda fixa, os contratos de juros futuros fecharam em queda acentuada ao longo de toda a curva a termo, refletindo a percepção de que os níveis de inflação devem permanecer contidos nos próximos meses.

Devido ao aumento do apetite ao risco, os investidores optaram por retirar parte do prêmio embutido nos DIs, seguindo o clima otimista do ambiente interno.

O DI julho/2020 recuou a 4,43% (4,46% no ajuste anterior), o DI julho/2024 caiu para 6,31% (6,40% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2026 desabou a 6,57% (6,65% no ajuste anterior).

Petróleo avança mais de 4% com redução nos estoques dos EUA

Os contratos futuros de petróleo encerraram em expressiva alta nesta quarta-feira (04), reagindo às notícias positivas sobre os estoques da commodity nos Estados Unidos e as projeções para a oferta global.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para janeiro, saltou 4,15%, sendo negociado a US$58,43 o barril.

Já o petróleo Brent para fevereiro, comercializado na ICE de Londres, avançou 3,58%, fechando na cotação de US$63,00 o barril.

O Departamento de Energia (DoE) americano informou que os estoques de óleo bruto do país apresentaram redução de 4,856 milhões de barris na semana passada.

Depois de uma sequência de quatro semanas de aumento nas quantidades, a notícia superou as previsões dos especialistas e apoiou a valorização das cotações.

Outro fator que contribuiu para o salto dos preços foi a expectativa pela reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que acontecerá entre amanhã e sexta, em Viena.

Os investidores esperam que os países-membros do cartel decidam por realizar cortes mais profundos na produção do ano que vem.

Em alta desde a abertura, os contratos foram impulsionados pelas falas do ministro de Petróleo do Iraque, Thamir Ghadhban, ao declarar apoio expresso à extensão dos níveis de produção da Opep.

Além disso, uma reportagem publicada pelo Dow Jones Newswires apontou que a Arábia Saudita, como a atual liderança do cartel, ameaçou elevar a sua produção de forma independente, caso alguns países se posicionem contra os limites pré-definidos na reunião.

Noticiário Corporativo: Gerdau vai aumentar em 9,5% os preços do aço a partir de 2020

Acompanhando a decisão de seus concorrentes diretos CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5), a Gerdau (GGBR4) vai aumentar em 9,5% os preços do aço, a partir do dia 2 de janeiro de 2020.

O aumento atingirá os dois tipos de aço plano fabricados pela companhia, o laminado a quente, muito empregado na construção civil, e o chapa grossa, utilizado pela indústria naval e de maquinários agrícolas.

Segundo a publicação do Valor, a primeira siderúrgica a se pronunciar sobre uma possível elevação dos preços no ano que vem foi a Usiminas, que já havia anunciado um acréscimo de 5% durante o quarto trimestre e está planejando subir mais 5% em janeiro.

No caso da CSN, os preços serão reajustados em 10% no mesmo período, contemplando tipos de aço mais planos e os mais longos, conforme explicou o diretor executivo comercial e de logística da empresa, Luiz Fernando Martinez.

O motivo desse aumento já a partir do primeiro mês de 2020 é o avanço exponencial do dólar – que hoje está sendo operado na faixa dos R$4,20 – e o prêmio negativo de 4% a 6% incidente no produto nacional em relação ao importado.

Nos próximos dias, ArcellorMittal também deverá divulgar o rejuste dos preços de seus produtos, tendo em vista que os fatores externos impactam, de maneira semelhante, as companhias atuantes no mesmo setor.

E além de enfrentar a baixa demanda com o desaquecimento da indústria nacional, agora as siderúrgicas poderão enfrentar sobretaxas retaliatórias para entrar no mercado norte-americano.