Ibovespa avança com “alívio” na guerra comercial e dados de produção industrial

O Ibovespa operava em alta nesta quarta-feira (04), refletindo o clima de alívio nas perspectivas da guerra comercial, um dia após comentários de Donald Trump azedar os mercados internacionais.

Na manhã de hoje, uma notícia divulgada pela Bloomberg afirmou que os EUA e a China estão próximos de um consenso sobre as tarifas que serão removidas na primeira fase do acordo.

A reportagem também explicou que os comentários do presidente americano sobre adiar as tratativas do acordo para depois das eleições de 2020, não devem ser interpretados como paralisação total das negociações.

Além disso, uma fonte ligada ao governo americano teria informado que a legislação sobre direitos humanos em Hong Kong e Xinjiang não trará impactos significativos na relação entre os dois países.

Apesar de Pequim questionar a intervenção de Washington em seus assuntos internos, isso não deve impedir o progresso das discussões nos assuntos econômicos.

Durante a reunião dos países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Londres, Trump ressaltou que as negociações comerciais com a China estão indo muito bem.

Em meio à tantas incertezas, os investidores operavam munidos de cautela, embora a demanda por ativos de risco esteja prevalecendo no exterior.

Por aqui, o otimismo também é sustentado pelo crescimento de 0,8% na produção industrial mensurada em outubro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Embora o índice tenha ficado um pouco abaixo do previsto, foi o terceiro mês consecutivo de avanço, demonstrando que a economia brasileira está se desenvolvendo de forma gradual.

Na B3, as companhias CSN (CSNA3), Cosan (CSAN3), Via Varejo (VVAR3) e Weg (WEGE3) se destacavam, liderando o ranking de valorização.

Ás 12h29 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira subia 0,72%, aos 109.741 pontos, anotando um volume financeiro de R$3,693 bilhões.

Dólar opera a R$4,19 com exterior e indicadores econômicos

O dólar comercial operava em queda nesta quarta-feira (04), seguindo o clima positivo dos mercados no exterior e o otimismo com os indicadores econômicos locais.

No exterior, a divisa americana recuava contra a maioria das moedas emergentes, em atenção ao alívio na guerra comercial entre Estados Unidos e China.

Na manhã de hoje, uma reportagem divulgada pela Bloomberg informou que os dois países estão próximos de chegar a um consenso sobre as tarifas que serão retiradas na primeira fase do acordo.

O presidente Donald Trump, em uma reunião com os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), também ressaltou que as negociações estavam sendo muito produtivas.

Apesar das declarações contraditórias dos últimos dias, os investidores ficaram animados frente à possibilidade de resolução do conflito comercial.

Outro fator que contribuía com o bom desempenho do real era o crescimento de 0,8% na atividade de produção industrial brasileira, mensurado em outubro.

O dado veio um dia depois que o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre registrou um avanço acima do previsto, mostrando a retomada da aceleração da economia no país.

Ás 12h29 (horário de Brasília), o dólar comercial depreciava 0,24% contra o real, sendo cotado a R$4,1950 na venda.

Na renda fixa, os contratos de juros futuros apresentavam recuo nas taxas em todos os períodos, acompanhando a dinâmica do câmbio e o cenário interno mais favorável.

O DI julho/2020 caía 0,78% com negociação a 4,43% (4,46% no ajuste anterior) e o DI abril/2023 recuava 1,00%, sendo vendido a 5,94% (6,00% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo: Petrobras se prepara para vender sua participação remanescente na BR

A Petrobras (PETR3/ PETR4) está se preparando para vender sua participação remanescente na BR Distribuidora (BRDT3).

Após a privatização da subsidiária, que aconteceu em julho deste ano, a petroleira arrecadou cerca de R$9,6 bilhões com a venda de parte de suas ações, ficando somente com 37,5%.

Contudo, a estatal pretende reduzir ainda mais essa fatia, planejando realizar uma nova oferta subsequente de ações no ano que vem.

“Vamos começar a trabalhar desde já [na oferta subsequente] e vamos fazer no momento mais adequado” – informou o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco.

Em entrevista ao Valor Econômico, o executivo explicou que essa iniciativa se insere no plano de desinvestimentos da Petrobras, que espera obter entre US$20 e US$30 bilhões com a venda de ativos, nos próximos quatro anos.

Ele também fez um balanço dos seus onze meses de gestão, apontando como principais desafios que foram vencidos: o preço dos combustíveis, a política de desinvestimentos e o acordo coletivo de trabalho com os empregados.

Castello Branco comentou que em relação aos preços, prevaleceu a liberdade da companhia de fazer os ajustes necessários, conforme as condições do mercado.

Sobre os desinvestimentos, ele citou que a garantia jurídica afiançada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para a venda das subsidiárias, forneceu liberdade para a estatal se concentrar nas atividades nas quais é referência.

“Só este ano, vendemos US$16,4 bilhões, o que inclui TAG, BR Distribuidora e campos de petróleo” – afirmou o presidente da empresa.

Em relação ao acordo coletivo, o executivo disse que houve um empoderamento dos empregados contrários à greve, em detrimento dos que eram favoráveis, culminando em um acordo vantajoso para ambas as partes.

Sobre o setor de refino, que ainda está sob o monopólio da Petrobras, Castello Branco defendeu com convicção sua abertura para atuação da iniciativa privada.

E revelou que a companhia irá receber ofertas vinculadas para a venda do primeiro lote de quatro refinarias, acrescentando que haverá uma proposta não vinculante para a unidade de Gabriel Passo, em Minas Gerais.