Ibovespa avança com recuperação do varejo e polêmicas sobre a CPMF

O Ibovespa avançou no pregão desta quarta-feira (11), impulsionado pela recuperação das companhias do setor de varejo e em meio às polêmicas sobre uma nova CPMF.

No mercado brasileiro, os investidores ficaram animados com o crescimento de 1% nas vendas no varejo durante o mês julho, que superou o consenso dos analistas consultados pelo Bloomberg.

O dado aumentou a procura pelas ações do setor de varejo, levando as principais blue chips a registrarem ganhos superiores a 6%.

As empresas Magazine Luiza (MGLU3), Via Varejo (VVAR3), B2W (BTOW3) e Lojas Americanas (LAME4), que juntas, perderam R$4,75 bilhões na Bolsa ontem, hoje subiram, ficando entre as mais valorizadas.

No cenário político, os rumores sobre a recriação de um imposto nos moldes da CPMF voltaram à tona após o secretário-adjunto da Receita Federal, Marcelo de Sousa Silva, confirmar que essa é a pretensão do governo.

O secretário explicou que a equipe econômica está elaborando um imposto sobre transações financeiras para substituir gradualmente os impostos que as empresas pagam sobre a folha de salários.

A proposta foi apresentada de maneira informal no Fórum Nacional Tributário, que aconteceu ontem, e previu a incidência de tarifas de 0,40% sobre as operações de saques e depósitos, e em 0,20% sobre as operações de débito e crédito.

Diante de tais discussões, o ministério da Economia confirmou o pedido de exoneração do secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, e o auditor fiscal José de Assis Ferraz Neto vai assumir interinamente o cargo até segunda ordem.

Como resultado, a Bolsa brasileira subiu 0,40% aos 103.445 pontos, anotando um volume financeiro de R$16,327 bilhões.

Dólar retorna a R$4,06 em expectativa ao BCE

Acompanhando o otimismo do cenário doméstico, o dólar comercial recuou nesta quarta-feira (11), desvalorizando 0,64% contra o real brasileiro, sendo cotado a R$4,0650 na venda.

Destoando dos demais pares emergentes, o real pegou carona nos dados positivos nas vendas no varejo e ganhou terreno em relação à divisa americana, liderando os ganhos dentre as moedas mais líquidas.

No exterior, as expectativas ficaram centradas na reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), que está prevista para acontecer amanhã.

Segundo analistas do Commerzbank, essa pode ser a decisão mais importante de 2019, porque o mundo está aguardando uma posição e, nos últimos dias, os dirigentes da instituição enviaram sinais conflitantes ao mercado, renovando o clima de incertezas.

Apesar de o dólar ter apresentado um comportamento misto de um modo geral, o sentimento predominante foi de apetite ao risco, como pode ser observado na alta das Bolsas emergentes.

E isso ocorreu devido ao alívio nas tensões promovidas pela guerra comercial entre Estados Unidos e China, com a cúpula de Pequim se mostrando disposta a fazer novas concessões para concretizar um acordo.

No mesmo sentido, os contratos de juros futuros encerraram apresentando um desempenho misto, com as taxas de curto prazo subindo e as taxas de longo prazo declinando.

Os movimentos da renda fixa continuam sendo afetados pelas perspectivas de flexibilização das taxas de juros ao redor do mundo, sobretudo no Brasil, onde o cenário de corte já está desenhado.

O DI agosto/2020 subiu para 5,26% (5,19% no ajuste anterior), o DI julho/2023 avançou para 6,64% (6,66% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2026 caiu a 7,13% (7,17% no ajuste anterior).

Petróleo oscila mas fecha em queda de 3% com rumores de reaproximação EUA-Irã

Os contratos futuros de petróleo encerraram em queda nesta quarta-feira (11), reagindo à diferentes notícias do cenário geopolítico.

Em uma sessão muito volátil, os preços da commodity chegaram a avançar após o Departamento de Energia (DoE) divulgar uma queda de 6,912 milhões de barris dos estoques americanos, durante a semana passada.

A redução veio muito acima das estimativas do mercado, que indicavam uma baixa de apenas 2,4 milhões de barris, e o fato impulsionou as cotações.

Contudo, o movimento de alta desacelerou depois que um relatório da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) reduziu as projeções de demanda global em 2019, pelo segundo mês consecutivo.

E o quadro negativo se consolidou com a notícia de que o presidente americano, Donald Trump, está considerando flexibilizar as sanções contra o Irã e estreitar laços com o atual presidente, Hassan Rouhani.

Os investidores ficaram temerosos que a reaproximação entre os dois países possa trazer ao mercado a produção iraniana, resultando em um excesso de oferta.

Com o enfraquecimento da demanda gerado pela guerra comercial entre Estados Unidos e China, há um grande risco que este novo cenário provoque uma deterioração ainda maior nos preços do óleo bruto.

Como resultado, o barril de WTI/outubro caiu 3,63%, fechando na cotação de US$55,75 a unidade e o barril Brent/novembro recuou 2,84%, sendo negociado a US$60,81 a unidade.

Noticiário Corporativo

Totvs (TOTS3) Com o montante de R$1,07 bilhão em caixa proveniente da oferta pública de ações realizadas em maio, a Totvs está preparando novos projetos de aquisições.

Em entrevista à Bloomberg, o presidente da companhia, Dennis Herszkowicz, afirmou que a administração está avaliando um pipeline com várias propostas de aquisição de empresas.

O executivo não deu muitos detalhes sobre potenciais nomes sondados pela Totvs, mas disse que são organizações de diferentes tamanhos e em diferentes estágios de negociação.

Na liderança desde o final de 2018, Herszkowicz assumiu missão de manter o crescimento de receitas acima dos custos e das despesas, e dar início a um novo ciclo de expansão dos negócios.

Ao longo de sua trajetória de 36 anos, a companhia de software já incorporou 32 empresas de peso no mercado, como a Datasul em 2008, e outras concorrentes.

Agora, o objetivo corporativo é ingressar em novos mercados, como no desenvolvimento de softwares de apoio às Fintechs, além de ampliar a oferta a outros nichos dentro da própria base de clientes.

Com uma valorização de 90% em suas ações este ano, a Totvs ainda não possui uma política de dividendos bem definida, porém, atualmente ela distribui cerca de 50% a 60% do lucro aos acionistas, prática essa que deve ser mantida, segundo informou o presidente.

Movimentações na B3  

As ações de maior liquidez da Bovespa fecharam majoritariamente em alta, apoiadas pelo setor de varejo. A seguir, as máximas do mercado à vista:

COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo 16/08 19/08 Ativo 16/08 19/08
Petrobras (PETR3) -0,45% +1,36% Vale (VALE3) -0,46% -0,09%
Petrobras (PETR4) -1,32% +0,50% Embraer (EMBR3) -0,28% -0,28%
Eletrobras (ELET3) +2,60% -1,81% Banco do Brasil (BBAS3) -0,26% -1,97%
Eletrobras (ELET6) +2,34% -0,71% Cemig (CMIG4) +3,05% +1,44%

E-BOOK GUIA COMPLETO PARA OBTER SUCESSO NOS INVESTIMENTOS EM AÇÕES NA BOLSA DE VALORES

SETOR BANCÁRIO SETOR SIDERÚRGICO
Ativo 15/08 16/08 Ativo 15/08 16/08
Itaú Unibanco (ITUB3) -0,69% +0,40% Usiminas (USIM3) +0,11% +0,53%
Santander (SANB11) -0,31% +0,47% CSN (CSNA3) -2,79% +1,94%
Bradesco (BBDC3) -0,84% +0,24% Gerdau (GGBR4) -4,25% +3,42%