Ibovespa avança com sinalizações da China aos EUA e recuperação do setor varejista

O pregão desta quarta-feira (11) começou em tom positivo, refletindo as novidades do exterior e as movimentações do cenário político.

Em alta desde a abertura, o Ibovespa avançava de olho nas sinalizações da China, que decidiu fazer mais concessões no acordo comercial com os Estados Unidos.

Na sessão de ontem, Pequim afirmou que poderá aumentar as compras de produtos agrícolas norte-americanos, como gesto de boa vontade para colocar um fim ao conflito tarifário entre os dois países.

Além disso, a China vai isentar de tarifas extras cerca de 16 classes de produtos importados dos EUA, mostrando disposição em progredir nas negociações agendadas para o início de outubro.

O fato renovou o ânimo aos investidores, que viram nesta ação de trégua uma oportunidade de lucrar com os ativos emergentes.

Também adicionou volatilidade aos índices a notícia publicada pelo jornal chinês Global Times, informando que o governo local pretende aplicar medidas de estímulos para conter os impactos financeiros da guerra comercial.

Pequim está tentando reverter o quadro de fuga em massa de empresas estrangeiras do mercado chinês, que estão sendo prejudicadas com a elevação de tarifas e as restrições impostas pelos EUA.

No cenário interno, as companhias do setor varejista ensaiavam recuperação após os indicadores revelarem um crescimento de 1% nas vendas do varejo realizadas em julho, superando as projeções dos analistas.

Com destaque para as blue chips B2W Digital (BTOW3), Magazine Luiza (MGLU3), Via Varejo (VVAR3) e Lojas Americanas (LAME4), que avançavam mais de 2% no momento.

Enquanto isso, no Congresso, o secretário-adjunto da Receita Federal, Marcelo de Sousa Silva, afirmou que o governo vai enviar uma proposta que contempla a volta da CPMF, para elevar a arrecadação e reduzir os impostos das empresas sobre a folha de salários.

Nesse contexto, às 12h30 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira saltava 0,64%, aos 103.694 pontos, anotando um volume financeiro de R$5,514 bilhões.

Dólar opera em queda de olho no contexto externo

Apresentando viés de queda desde a abertura, o dólar reagia às vendas no varejo acima do esperado e ao aumento da demanda por risco no exterior.

O mercado brasileiro registrou um aumento de 1% nas vendas realizadas pelo setor varejista no mês de julho, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O dado impulsionou as movimentações locais, pois fortaleceu a visão de recuperação econômica, ainda que seja de forma modesta.

Em um cenário de baixas taxas de juros, baixos níveis de inflação e melhora nas condições estruturais de trabalho, o ambiente se torna altamente favorável à novos investimentos.

Ás 12h30 (horário de Brasília), o dólar comercial recuava 0,78% contra o real brasileiro, sendo cotado a R$4,0590 na venda.

A divisa americana também caía contra os demais pares emergentes, principalmente, os que estão atrelados às commodities.

Já os contratos de juros futuros operavam misto, com as taxas de curto prazo apresentando elevação e as de longo prazo, declinando no compasso do câmbio.

O DI julho/2020 subia 0,38%, sendo negociado a 5,22% (5,19% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2026 cedia 0,56%, sendo vendido a 7,12% (7,17% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo

Siderúrgicas Gerdau (GGBR4), Usiminas (USIM4) e CSN (CSNA3) – O Bradesco BBI informou que as perspectivas de desempenho para o setor siderúrgico foram revisadas para baixo.

Segundo o analista Thiago Lofiego, as turbulências do setor indicaram que ainda é cedo para ficar otimista, e por isso, houve a decisão de reduzir em 10% as projeções para o Ebitda e em até 20% o preço-alvo das ações das companhias.

Dentre os motivos que justificaram a mudança estão a percepção negativa em relação à guerra comercial entre Estados Unidos e China e o enfraquecimento das atividades de manufatura e construção.

No relatório do banco, a Gerdau aparece como sendo a grande preferência do momento, considerando a sua atuação geográfica diversificada e a exposição de seu capital ao dólar.

O mercado também espera que o setor de construção volte a se expandir no Brasil, o que aumentaria a demanda por aço em 4% ou 5% nos próximos anos.

A instituição manteve a recomendação “Outperform” para Gerdau, Gerdau ADR e Gerdau Metalúrgica, no preço-alvo de R$18, contra R$22 na última avaliação.

Em relação a Usiminas e CSN, o Bradesco BBI fixou recomendação Neutra para as ações, reduzindo os preços-alvo para R$9 e R$16, respectivamente.