Ibovespa cai 0,87% com surto de coronavírus e cenário macroeconômico no radar

O Ibovespa encerrou em queda nesta quinta-feira (13), pressionado pelas notícias alarmantes sobre o coronavírus e pelas turbulências do cenário macroeconômico.

Depois de experimentar certo alívio na sessão de ontem, os mercados internacionais reagiram negativamente à reviravolta no noticiário sobre a doença.

Na manhã de hoje, o governo chinês divulgou a confirmação de 15.152 novos casos de contaminação pelo vírus e registrou outras 254 mortes na província de Hubei.

Esses dados foram obtidos nas últimas 24 horas e representam mais que o dobro das quantidades apuradas nos dias anteriores.

Isso aconteceu porque as autoridades chinesas mudaram o método dos exames de diagnose para scanner CT, que permite a avaliação dos casos suspeitos em questão de horas.

Assim, o número de infectados subiu para 59.804 e as vítimas fatais aumentaram para 1.368 pessoas, todos no território da China continental.

Os investidores ficaram assustados com os dados reais sobre o avanço da doença e mantiveram uma postura de maior cautela, o que pressionou a queda das principais Bolsas ao redor do mundo.

Em Wall Street, o Dow Jones recuou 0,43%, o S&P 500 caiu 0,16% e o Nasdaq Composto declinou 0,14%.

No Brasil, o mercado local refletiu a divulgação dos dados de desempenho do setor de serviços, mensurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em dezembro, os serviços apresentaram uma queda de 0,4% em relação ao mês anterior, porém, em comparação a 2018, houve um crescimento de 1,6%.

Também ficou no radar, as falas do ministro da Economia, Paulo Guedes, na afirmação de que o dólar mais alto é bom para todo mundo, ao passo que, o câmbio mais baixo prejudica as exportações.

Na B3, as companhias Rumo (RAIL3), Braskem (BRKM5) e Bradesco (BBDC3) lideraram as perdas, e as empresas Usiminas (USIM5), Cogna (COGN3) e Suzano (SUZB3) ficaram na ponta positiva.

Como resultado, a Bolsa brasileira recuou 0,87% aos 115.662 pontos, com um volume financeiro de R$16,346 bilhões.

Dólar recua a R$4,33 com atuação do Banco Central

O dólar comercial caiu 0,34% nesta quinta-feira (13), fechando na cotação de R$4,3350 na venda, depois de renovar a máxima histórica intradiária em R$4,3820.

O clima de aversão ao risco no exterior fortaleceu a divisa americana contra as principais moedas emergentes e atreladas ao desempenho das commodities.

O grande catalisador foi o aumento exponencial do número de mortos e contaminados pelo coronavírus, após o governo chinês mudar o método de avaliação e confirmação dos novos casos suspeitos.

Mas por aqui, o movimento do real destoou das demais divisas devido à intervenção do Banco Central, na realização de um leilão de 20 mil contratos de swap cambial.

Apesar de o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, afirmarem que as intervenções do ano passado foram pontuais, a de hoje serviu para assegurar a liquidez do mercado local.

Mesmo após a aplicação da medida adotada pela instituição, o riso-país continua estável, próximo aos menores patamares dos últimos nove anos.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros avançaram em todos os períodos, com os investidores fazendo a recomposição do prêmio de risco de ponta a ponta da curva a termo.

O mau humor no cenário internacional também ajudou a manter o viés de alta nas taxas, com o mercado precificando os impactos da rápida propagação do coronavírus na economia mundial.

O DI dezembro/2020 subiu para 4,22% (4,21% no ajuste anterior), o DI abril/2024 aumentou para 5,91% (5,83% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2028 cresceu para 6,57% (6,52% no ajuste anterior).

Petróleo segura viés de alta, apesar da propagação do coronavírus

Os contratos futuros de petróleo encerraram em alta nesta quinta-feira (13), com os investidores avaliando o cenário de avanço do coronavírus.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para março, avançou 0,48%, no preço de US$51,42 o barril.

Já o petróleo Brent comercializado na ICE de Londres, para entrega em abril, subiu 0,98%, fechando na cotação de US$56,34 o barril.

Embora as duas referências, global e americana, tenham acumulado ganhos ao longo desta semana, ambas registram leve queda no mês, após a entrada em “bear market”.

As cotações operaram pressionadas pelo clima de aversão ao risco, que se acentuou após a confirmação de novos casos de contaminação pelo coronavírus na província de Hubei.

O governo chinês realizou uma mudança na metodologia de avaliação dos casos suspeitos, elevando o número de infectados em 15.152.

Ao todo, já são mais de 59.804 pessoas com o vírus e outras 1.368 foram à óbito, somente no território da China continental.

O número superou com folga as quantidades reportadas nos últimos dias, renovando a preocupação dos investidores quanto aos impactos da doença sobre a demanda global da commodity.

Contudo, os ânimos se acalmaram com a declaração da Organização Mundial da Saúde (OMS), afirmando que a alteração no método de identificação dos casos não muda, necessariamente, a trajetória da epidemia prevista pelos especialistas.

Noticiário Corporativo: América Móvil sinaliza interesse nos ativos da Oi

A América Móvil, controladora do Claro, sinalizou interesse em adquirir alguns ativos que a Oi pretende alienar, sobretudo, o segmento de rede móvel.

Durante uma teleconferência, o presidente da companhia mexicana, Daniel Hajj, disse que o conglomerado está “por dentro do processo” de aquisição dos ativos da concorrente, se mostrando aberto às negociações.

“Estamos abertos a analisar os ativos da Oi. Isso envolve a análise de dados e claro estamos interessados em checar e estar no processo de venda” – explicou o executivo.

Ele não mencionou se o objetivo da companhia será realizar a aquisição sozinha ou em conjunto com outros players, tendo em vista a abrangência das operações da Oi no Brasil.

Oferecendo a maior cobertura em fibra ótica e infraestrutura do país, a empresa brasileira foi uma das primeiras concessionárias de serviços de telecomunicações.

Por outro lado, a América Móvil possui presença forte, tanto no exterior quanto no mercado interno, registrando um crescimento de 63% no lucro do quarto trimestre, no total de 21,2 bilhões de pesos mexicanos.

Embora receita líquida tenha ficado praticamente estável devido à variação cambial, a receita com serviços aumentou 3%, sendo que, no segmento móvel, o salto foi de 5,7%.

O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) subiu cerca de 14% em 2019, para 81,7 bilhões de pesos mexicanos e a empresa encerrou o ano com 278 milhões de assinantes em sua base.

Seu maior desafio no momento é integrar a Nextel à Claro, sua compra mais recente e que promete adicionar valor ao mix de produtos e serviços, para se tornar a segunda maior operadora de telefonia do país.

Segundo analistas da BTG Pactual, a receita da América Móvil no Brasil está subindo exponencialmente, ajudado pela expansão do segmento de telefonia móvel.