Ibovespa cai 1,11% com “efeito coronavírus” e indicadores econômicos

O Ibovespa encerrou em queda nesta sexta-feira (14), acompanhando o clima de tensão dos mercados internacionais provocado pelo avanço do coronavírus.

O governo da China confirmou 5.090 novos casos de contaminação e mais 121 mortes causadas pela doença, nas últimas 24 horas.

Com isso, as pessoas infectadas somaram 63.851 e os óbitos totalizaram 1.380 somente em território chinês, com a grande maioria registrada na província de Wuhan, o epicentro do surto.

Além disso, foram reportados 56 novos casos em Hong Kong e outros 67 em Cingapura, que são os dois países que apresentam o maior número de contaminados fora do gigante asiático.

Embora Pequim esteja adotando todas as medidas possíveis para conter a disseminação da doença, os investidores estão preocupados com a extensão e os impactos econômico-financeiros da epidemia.

Em uma missão conjunta, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e as autoridades chinesas iniciarão uma investigação que se concentrará em descobrir como o coronavírus está se espalhando e qual é a real gravidade da situação.

Adicionalmente, as equipes buscarão respostas que expliquem como, onde e quando os mais de 1.700 médicos chineses contraíram o vírus.

A demanda por proteção ficou mais acentuada no finalzinho do pregão, já que é impossível prever como se dará o desdobramento do surto no final de semana, tendo em vista a rapidez da propagação da doença.

Outro aspecto que pressionou o índice geral foi o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que recuou 0,27% em dezembro, em comparação a novembro, após ajuste sazonal.

Sendo conhecido como a prévia do Produto Interno Bruto (PIB), o indicador evidenciou que a economia brasileira perdeu força no final do ano passado, gerando incertezas sobre a aceleração das atividades.

A sequência de dados decepcionantes também indicou que o ambiente interno precisará de mais estímulos para ganhar tração, o que significa que a taxa Selic poderá alcançar níveis ainda menores.

Na B3, a Usiminas (USIM5) liderou as perdas da sessão, após divulgar os resultados corporativos do quarto trimestre com um lucro líquido 55% menor do que o reportado em 2018.

As companhias Rumo (RAIL4), BTG Pactual (BPAC11), Gerdau Metalúrgica (GOAU4) e B2W Digital (BTOW3) ocuparam o ranking negativo da sessão.

Como resultado, a Bolsa brasileira declinou 1,11% aos 114.380 pontos, com um volume financeiro de R$14,778 bilhões.

Dólar desvaloriza e volta a R$4,29 com intervenção do Banco Central

O dólar comercial depreciou 0,83% nesta sexta-feira (14), fechando na cotação de R$4,2990 na venda, interrompendo a sequência de avanços contra o real.

Graças à segunda intervenção consecutiva do Banco Central, a divisa americana desacelerou o movimento de alta e terminou abaixo da fronteira de R$4,30.

Na sessão de hoje, foram ofertados cerca de 20.000 contratos de swap cambial (equivale à venda de dólares no mercado futuro), que foram rapidamente absorvidos.

Os investidores avaliaram a ação como uma resposta da autoridade monetária, após sucessivas pressões que levaram a moeda dos EUA a superar R$4,38, alcançando um novo recorde.

A mensagem que a instituição passou é que está atenta às movimentações do câmbio e atuará quando for necessário reequilibrar os níveis de oferta e demanda.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram nas mínimas históricas, refletindo as perspectivas de que a taxa básica deverá continuar em níveis muito baixos por um período maior.

O DI dezembro/2020 caiu para 4,19% (4,22% no ajuste anterior), o DI julho/2024 recuou para 5,84% (5,95% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2028 declinou para 6,49% (6,57% no ajuste anterior).

Petróleo faz sessão de ajustes e fecha a semana com ganhos de 5%

Os contratos futuros de petróleo encerraram em alta nesta sexta-feira (14), devolvendo parte das perdas acumuladas ao longo do ano, apesar das turbulências internacionais.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para março, avançou 1,22%, no preço de US$52,05 o barril. No acumulado da semana, o WTI teve ganhos de 3,5%.

Já o petróleo Brent comercializado na ICE de Londres, para entrega em abril, subiu 1,73%, fechando na cotação de US$57,32 o barril. Na variação semanal, o Brent saltou mais de 5%.

Os investidores continuaram tentando avaliar os impactos do avanço do coronavírus na demanda global pela commodity energética.

Embora os preços do barril tenham sofrido com os temores sobre a rápida disseminação da doença, as cotações registraram uma semana de recuperação, antes do feriado prolongado nos Estados Unidos.

Na próxima segunda-feira, os mercados americanos estarão fechados devido à comemoração do Dia dos Presidentes, o que provavelmente reduzirá a liquidez das negociações.

Mesmo diante da crise epidêmica, algumas refinarias chinesas aproveitaram o momento de baixa nos contratos futuros e foram às compras no mercado físico e isso apoiou o movimento de valorização do petróleo.

Por isso, os preços conseguiram voltar aos patamares acima dos US$50, depois de ter perdido mais de 20% e entrado em estágio de “bear market”.

Noticiário Corporativo: Rumo cresce 47,6% e reporta lucro de R$203 milhões no 4º trimestre

A empresa de logística Rumo (RAIL3) divulgou os resultados corporativos do quarto trimestre, reportando um lucro líquido de R$203 milhões.

A cifra equivale a um crescimento de 47,6% em relação ao mesmo período de 2018, que foi impulsionado pela reversão dos resultados positivos nas linhas de imposto de renda e receitas operacionais.

De outubro a dezembro, a receita líquida subiu 1,1%, alcançando R$1,66 bilhão e o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) totalizou R$897 milhões, com um aumento de 13,6% na base anual.

Do ponto de vista operacional, a operadora logística expandiu 0,4% o volume transportado, somando 14,997 bilhões de toneladas por quilômetro útil (TKU).

Em 2019, o lucro líquido saltou 187,9%, para R$786 milhões e a receita líquida subiu 7,6%, no total de R$7,09 bilhões.

O volume transportado anualmente pela companhia avançou cerca de 6,6%, atingindo 60,1 bilhões de TKU e o total investido ficou em R$2,02 bilhões, em linha com o montante aplicado em 2018.

Segundo a Rumo, as projeções para 2020 indicam que o TKU deve ficar entre 64 e 68 bilhões e os investimentos deverão ultrapassar os R$2,6 bilhões, já inclusos os gastos com a malha central.

Não obstante os cenários promissores, a empresa reconheceu que o comércio de grãos poderá sofrer alguma volatilidade devido às turbulências internacionais.

Na sessão de hoje, as ações da Rumo (RAIL3) recuaram 3,28%, fechando na cotação de R$23,02.