Ibovespa cai 4,5% na semana e renova mínima do ano; dólar bate maior alta em dois anos

O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira (17) e recuou 4,5% na semana, renovando sua mínima do ano.

Desse modo, o índice encerrou o pregão com perdas de 0,04%, cotado a menos de 90 mil pontos (89.901) pela primeira vez em 2019.

De acordo com o gerente da mesa de trade da H. Commcor, Ari Santos, os investidores operaram de forma cautelosa.

A cautela do investidor é provocada por uma série de fatores acumulados ao longo da semana.

Jair Bolsonaro não apenas se viu diante de suas primeiras manifestações nacionais contrárias ao governo, como também a articulação de sua equipe em xeque mais uma vez.

Com o passar do tempo, a reforma parece ainda mais desidratada.

“Os membros do Congresso e do Executivo ficam dando data para aprovar o texto, mas não entregam resultados concretos, de modo que o mercado desconfia”, avalia.

Em consonância com a preocupação do mercado, Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara e Davi Alcolumbre (DEM-AP), do Senado, podem aprovar a reforma em 60 dias.

Paralelo a isso, denúncias e delações contra o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), um dos filhos do presidente da República ganharam corpo com a quebra de sigilo bancário e fiscal do mesmo.

Ademais, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi vinculado a delação premiada de dono da Gol.

Segundo o Valor Econômico, o gestor de renda variável da Western Asset no Brasil, Fábio Motta, afirma que o Ibovespa só reagirá após aprovação da Nova Reforma.

“Lá fora, temos a guerra comercial entre China e Estados Unidos. Aqui dentro, o mercado ainda não está confortável em relação ao encaminhamento da reforma”, disse ele.

“Enquanto esse cenário não mudar, não existe caminho para melhora da economia nem do mercado”, completou.

Dólar renova máxima e atinge maior alta em dois anos ao bater R$ 4,11

A moeda americana renovou sua máxima no dia, de 4,1122 – maior nível desde 25 de setembro, quando marcou R$ 4,1414.

Mais uma vez, o cenário político pouco favorável contribuiu para derrubar o real frente ao dólar.

A moeda brasileira alcançou seu terceiro dia consecutivo de pior desempenho dentre um conjunto de 31 divisas globais.

O desempenho negativo do real ante ao dólar também superou ao de pares como o peso mexicano, que se desvalorizou 1,28% na semana.

Com um crescente desânimo interno aliado ao exterior mais averso ao risco, o dólar encerra em alta pela quarta vez, marcando sua maior alta em dois anos.

O conflito comercial entre Estados Unidos e China continua a impactar e indica uma aparente piora no humor global.

Por meio de uma agência de notícia estatal, a China afirmou que não pretende ceder às pressões feitas pelos EUA.

Por outro lado, a Casa Branca atrasou as tarifas de carros europeus em seis meses, ao mesmo tempo que aumentou a demanda por ativos portos-seguros, entre os quais os títulos de 10 anos do Tesouro americano.

Diante disso, dólar comercial subiu 1,62%, a R$ 4,0998 na compra e R$ 4,1019 na venda. O dólar futuro, por sua vez, subiu 1,2% a R$ 4,102.

O dólar também acumulou valorização semanal de 3,90%. Seu avanço, no entanto, não provocou uma intervenção do Banco Central.

A trégua no mercado de juros parece ter ficado para trás e os investidores adicionam prêmio de risco pelo segundo dia seguido, em um movimento intenso de alta nas taxas.

No mercado de juros futuros, os contratos deixaram a apatia de lado ante ao ambiente político.

DI:

O DI com vencimento para janeiro/2021 avançou sete pontos-base, totalizando 7,01%, ao passo que o DI janeiro/2025 avança de 8,72% para 8,86%.

Para o estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno, o comportamento nesta semana é resultado de dois componentes.

Primeiramente, a causa é externa, motivados pela disputa comercial inflamada entre China e Estados Unidos.

Posteriormente, o cenário local impacta com seu ambiente político negativo e compromete o avanço da reforma.

“Apesar disso, vemos que o mercado ainda não precifica possibilidade ou cenário de não ter reforma da Previdência. O que entra nos preços agora é uma reforma mais desidratada”, afirmou o estrategista.

Noticiário Corporativo

Petrobras (PETR4) – Ontem, o presidente Jair Bolsonaro falou ao vivo no Facebook que pode rever a política de preços da Petrobras.

“O pessoal reclama do preço da gasolina a R$ 5 e me culpa, atira para cima de mim o tempo todo. O preço do combustível é feito lá pela Petrobras. Leva em conta o preço do barril de petróleo lá fora, bem como a variação do dólar. Lógico que se a gente puder rever isso aí”, disse o presidente.

A medida, no entanto, só acontecerá desde que não haja prejuízos para a estatal.

Em abril, Bolsonaro já havia provocado um mal-estar aos mercados ao contatar Roberto Castello Branco, presidente da estatal, para solicitar uma revisão no reajuste do diesel.

Pressionado, o presidente procurava evitar uma nova greve dos caminhoneiros.

A petrolífera viu seus papéis recuar no início da sessão, mas se estabilizou no decorrer da manhã.

Por volta das 14h35, o índice da Petrobras recuou e pouco se recuperou, encerrando o pregão com um recuo de 2,33%, cotados a R$ 24,68.

Vale (VALE3) – A Vale, por sua vez, surpreendeu o mercado investidor que esperava por recuo ou ainda ganhos singelos.

Ao emitir um alerta de um possível novo rompimento de barragens da mineradora, na cava da mina Gongo Soco, na cidade de Barão de Cocais (MG), o Ibovespa caiu no dia anterior.

De acordo com o analista da Eleven Financial Research, Raphael Figueredo, o movimento de ontem foi uma reação natural.

Agora, contudo, o mercado viu uma sessão de algumas variações, mas com o fechamento positivo e crescimento de 2,84%, cotados a R$ 47,72.

Um dos grandes responsáveis da ampla variação no dia é foi o preço do minério de ferro, que superou US$100 por tonelada e subiu mais de 2,5% na última quinta-feira (16).

Variações nas Commodities

Parte dos ganhos acumulados na semana foram compensados pela perda dos preços futuros do petróleo desta sexta-feira (17).

O petróleo caiu, com o barril do tipo Brent, referência para a Petrobras, desvalorizando (-0,73%, a US$ 72,09), assim como o barril do WTI (-0,24%, a US$ 62,72).

As tensões inflamadas entre Estados Unidos e China continuam ditando o andamento do mercado, paralelo às instabilidades geopolíticas no Golfo Pérsico.

Também no radar do investidor está a reunião prevista para acontecer no próximo domingo (19) em Jedá, na Arábia Saudita.

Entre os participantes estão integrantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), bem como produtores aliados, como a Rússia.