Ibovespa declina com aversão ao risco no exterior e fecha a semana em queda de 0,5%

O Ibovespa encerrou em queda nesta sexta-feira (29), seguindo o clima negativo no exterior, que continuou repercutindo os desencontros entre Estados Unidos e China.

Na sessão de ontem, o presidente Donald Trump assinou a promulgação de uma lei americana que dá apoio às manifestações em Hong Kong e assegura os direitos humanos no território semiautônomo.

Em resposta, o governo chinês criticou duramente os EUA, acusando-os de intervir em assuntos internos do país e afrontar os preceitos do direito internacional.

Pequim também ameaçou promover retaliações ao governo americano, embora até o momento não tenha se pronunciado sobre as contramedidas que serão adotadas.

Os ruídos foram suficientes para renovar as preocupações dos investidores quanto ao acordo comercial, sobretudo, porque a não ingerência em assuntos privativos constitui uma demanda sensível para a China.

As incertezas sobre a guerra comercial afetaram as perspectivas também em Wall Street, que teve um pregão mais curto devido à extensão do feriado do Dia de Ação de Graças.

O Dow Jones caiu 0,40%, o S&P 500 desvalorizou 0,40% e o Nasdaq Composto recuou 0,46%.

No Brasil, os mercados foram muito afetados pela queda das commodities no cenário internacional, que culminou na depreciação das blue chips Petrobras (PETR3/ PETR4) e Vale (VALE3).

Dentre as maiores altas do índice geral, destacaram-se Weg (WEGE3), Rumo (RAIL3) e Via Varejo (VVAR3); e dentre as baixas, Tim (TIMP3), Ecorodovias (ECOR3) e CCR (CCRO3) lideraram o ranking.

Também ficou no radar a decisão de governo de fixar o teto máximo de 8% para a cobrança de juros sobre os serviços do cheque especial, permitindo a instituição de uma tarifa pela utilização do produto.

Segundo o Estadão, o próximo passo da equipe econômica é alterar as regras de funcionamento do cartão de crédito, prevendo a possibilidade de parcelar as compras sem a incidência de juros.

No fim da sessão, a Bolsa brasileira declinou 0,05% aos 108.239 pontos, registrando um volume financeiro de R$14,177 bilhões.

Dólar sobe a R$4,24 e fecha novembro com valorização de 5,7%

O dólar comercial voltou a subir contra o real nesta sexta-feira (29), encerrando na cotação de R$4,2400 na venda, alta de 0,55%.

Na semana, a divisa americana registrou um ganho de 1,14% e no acumulado do mês, a valorização foi de 5,73%, pressionando o real a apresentar o segundo pior desempenho dentre as 33 moedas mais líquidas.

O peso chileno liderou o ranking negativo, apurando a depreciação mensal de 8,53% e o peso colombiano ficou em terceiro lugar, perdendo 4,06% na paridade com a moeda dos EUA.

Esse resultado não é à toa, pois muitos países da América Latina têm passado por sucessivos episódios de instabilidades políticas e econômicas nas últimas semanas.

Porém, o movimento do câmbio local também foi muito influenciado pela baixa liquidez que atingiu os mercados em geral, devido ao feriado do Dia de Ação de Graças nos EUA.

Mesmo com um ambiente mais propício à intensificação da queda, o real anotou um comportamento limitado, com oscilações entre R$4,20 e R$4,25, que deve atuar como o novo intervalo central.

Na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram majoritariamente em queda, com redução do prêmio de risco na ponta mais longa da curva a termo.

A percepção de que o Banco Central manterá as taxas mais baixas por um período prolongado prevaleceu nas operações, permitindo a correção das taxas após períodos sequenciais de alta.

O DI agosto/2020 subiu a 4,47% (4,45% no ajuste anterior), o DI janeiro/2024 caiu para 6,27% (6,28% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2028 desabou a 6,97% (7,01% no ajuste anterior).

Petróleo desaba mais de 4% com pressão na Opep e incertezas sobre o acordo comercial

Os contratos futuros de petróleo fecharam em expressiva queda nesta sexta-feira (29), refletindo as turbulências de diferentes fronts do cenário internacional.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para janeiro, desabou 5,05%, sendo negociado a US$55,17 o barril.

Já o petróleo Brent para fevereiro, comercializado na ICE de Londres, recuou 4,39%, fechando na cotação de US$60,49 o barril.

Um dos principais catalisadores do mau humor desta sessão foi o posicionamento do ministro de Energia da Rússia, Alexandre Novak, sobre a extensão dos cortes na produção de 2020.

Segundo Novak, Moscou prefere que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados decidam sobre a continuidade da política de redução nas quantidades somente em abril do ano que vem.

A notícia não soou bem nos mercados, sobretudo, frente à posição firme da Arábia Saudita de tentar articular que os atuais cortes sejam acentuados nos próximos meses.

Adicionalmente, as instabilidades no Oriente Médio também contribuíram com o desempenho negativo dos preços da commodity.

O primeiro-ministro do Iraque, Adel Abdul-Mahdi, decidiu renunciar ao cargo após presenciar o dia mais violento no país dos últimos meses, com a morte de 45 manifestantes por forças policiais.

Um grupo invadiu, depredou e incendiou o consulado do Irã na cidade de Najaf, em protesto à influência crescente do regime iraniano no país.

Além disso, os ruídos no relacionamento entre Estados Unidos e China provocaram incertezas sobre a conclusão da primeira fase do acordo comercial.

Depois de afirmar que os dois países estavam quase finalizando o pacto, o presidente Donald Trump assinou a promulgação de uma lei que apoia os manifestantes de Hong Kong, contrariando o governo chinês.

As negociações que já não estavam tão bem-sucedidas, agora correm um sério risco, pois a China prometeu retaliar a ação americana, considerada uma interferência explícita em seus assuntos internos.

Noticiário Corporativo: Gol avança no setor de manutenção com Aerotech e estima faturamento de R$140 milhões

A Gol (GOLL4) divulgou nesta sexta-feira (29) a criação da Aerotech, uma nova unidade de negócios focada no segmento de manutenção e reparo de aeronaves.

Segundo a companhia aérea, as estimativas indicam que já no primeiro ano de funcionamento, previsto para 2020, a nova empresa poderá faturar até R$140 milhões.

Esse novo empreendimento permitirá que o Centro de Manutenção de Aeronaves (CMA) da Gol possa oferecer seus serviços a outras empresas do mesmo setor.

Localizado na cidade de Confins, em Minas Gerais, o CMA tem mais de 145 mil metros quadrados de extensão, além de contar com três hangares, sendo dois de manutenção e um para a pintura.

O espaço inaugurado em 2006 também conta com seis oficinas totalmente equipadas para realizar revisões de rodas, freios, estruturas metálicas, inspeção de motores e outros.

A Gol Aerotech está habilitada para prestar serviços nas aeronaves da família Boeing 737 Next Generation, 737 Classic, 737 Max e Boeing 767. Capital Group e Dubai Aerospace já são clientes.

A empresa possui certificação expedida pelos seguintes órgãos reguladores: Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Administração Federal de Aviação (FAA) e Agência Europeia para a Segurança da Aviação (Easa).

Atualmente, a unidade apresenta capacidade de atendimento de 80 aeronaves por ano e possui cerca de 760 colaboradores, dentre engenheiros, técnicos e demais profissionais de apoio.