Ibovespa derrete quase 3% com risco de recessão econômica global

O pregão desta quarta-feira (14) foi um misto de tensão externa e adversidade!

O Ibovespa registrou a sua pior queda desde março deste ano, pressionado pelo aumento dos riscos de recessão econômica global, identificados através dos indicadores de alguns países.

Na China, os dados da produção industrial avançaram 4,8% no mês de julho, porém vieram abaixo das previsões do mercado, que sinalizavam uma expansão de 5,9%.

Na Alemanha, o Produto Interno Bruto (PIB) apresentou contração de 0,1% no segundo trimestre, derrubando o desempenho da zona do euro.

Adicionalmente, no bloco europeu, as atividades de produção industrial caíram 1,6% no mês de junho em comparação a maio, anotando um recuo maior do que os 1,2% esperados pelos analistas.

Para completar a sessão negativa, houve a inversão da rentabilidade dos títulos do Tesouro americano, com os papeis de curto prazo oferecendo rendimentos superiores aos de longo prazo, corroborando a ideia de recessão econômica à vista.

A combinação destes fatores culminou na derrocada das Bolsas em geral, com destaque para os índices de Wall Street. O Dow Jones perdeu 3,05%, o S&P 500 caiu 2,93% e o Nasdaq Composto desabou 3,02%.

Por aqui, os investidores ficaram atentos à aprovação da Medida Provisória da Liberdade Econômica na Câmara dos Deputados, e à tramitação da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça do senado.

Como resultado, a Bolsa brasileira desabou 2,94%, aos 100.258 pontos, anotando um volume financeiro de R$15,944 bilhões.

Dólar salta a R$4,04 com intensificação do risco no exterior

A piora do cenário externo gerada pelos dados decepcionantes na China e na Alemanha, reascendeu as preocupações sobre a desaceleração da economia global.

Da mesma forma, a inversão da curva de juros nos Estados Unidos acentuou os temores de uma recessão, já que o mesmo fenômeno antecedeu todas as crises anteriores.

Frente a este cenário, os investidores adotaram uma postura defensiva, alocando recursos em ativos mais seguros, o que levou à queda das moedas emergentes, como o real.

No fim da sessão regular, o dólar comercial saltou 1,81%, na cotação de R$4,0400 na venda, encerrando o primeiro pregão acima dos R$4 desde o dia 28 de maio.

Enquanto isso, na renda fixa, os contratos de juros futuros apresentaram elevação nas taxas em todos os períodos, em atenção aos efeitos da aversão ao risco no exterior.

Alguns analistas já conjecturam que o agravamento do cenário internacional, com grande risco de recessão econômica, poderá fazer o Banco Central reconsiderar a abrangência do ciclo de cortes na taxa Selic até o final de 2019.

O DI março/2020 subiu para 5,37% (5,33% no ajuste anterior), o DI outubro/2023 aumentou para 6,71% (6,61% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 disparou para 7,24% (7,16% no ajuste anterior).

Petróleo desaba 3% com preocupações sobre a demanda global

Os contratos futuros de petróleo encerraram em forte queda nesta quarta-feira (14), reagindo ao aumento das preocupações sobre a provável redução na demanda global.

A divulgação de indicadores macroeconômicos mais fracos na China e na Alemanha evidenciou um cenário de intensificação do ritmo de desaceleração da economia global.

O fato pressionou a queda das cotações, já que a redução das atividades produtivas dos países implica em menor demanda da commodity.

Outro ponto que acentuou os temores do mercado foi a inversão na curva de rentabilidade dos títulos públicos do Tesouro americano, com os yields de dois anos superando o retorno dos yields de dez anos, um fenômeno que normalmente antecede períodos de recessão.

Também no radar, os investidores ficaram atentos ao Departamento de Energia (DoE), que divulgou um aumento de 1,58 milhões de barris na semana passada, com os estoques do óleo bruto nos EUA somando 440,510 milhões de barris.

O dado contrariou as projeções dos analistas, que esperavam uma queda de 2,1 milhões de barris na semana encerrada dia 09 de agosto.

Como resultado, o petróleo WTI para entrega em setembro desabou 3,27%, sendo cotado a US$55,23 o barril e o petróleo Brent para outubro recuou 2,96%, sendo cotado a US$59,48 o barril.

Resultados Corporativos

Sanepar (SAPR3 / SAPR4) – A Sanepar divulgou os resultados do segundo trimestre de 2019 apresentando um lucro líquido de R$232,6 milhões, o que equivale a um recuo de 8,3% em comparação ao mesmo período do ano passado.

O Ebitda aumentou 0,5% no trimestre, totalizando R$402,2 milhões e a receita operacional bruta saltou 7,5%, alcançando a faixa de R$1,181 bilhão, impulsionada pelos ajustes tarifários realizados em 2018 e 2019.

Segundo a companhia, seu desempenho global foi influenciado pela alta de 13,8% nos custos das atividades e nas despesas gerais.

O Itaú BBA avaliou os resultados da Sanepar como neutros, destacando que os baixos volumes nas atividades foram compensados com a redução nas despesas de vendas, gerais e administrativas. Por isso, o banco definiu a recomendação como “Outperform”, no preço-alvo de R$109,00.

Hapvida (HAPV3) – A Hapvida registrou um lucro líquido de R$227,1 milhões referente às atividades do segundo trimestre, superando em 51,4% seu desempenho no mesmo período em 2018.

O Ebitda somou R$268 milhões, avançando 28,2% e a receita líquida subiu 14,9%, atingindo o montante de R$1,276 bilhão.

O número de beneficiários cresceu 6% nos planos de assistência médica e houve uma expansão de 8,8% nos planos odontológicos.

Movimentações na B3  

 As ações de maior liquidez da Bovespa encerraram em forte queda, acompanhando o mau humor externo. A seguir, as mínimas no dia:

COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo 13/08 14/08 Ativo 13/08 14/08
Petrobras (PETR3) +1,34% -3,25% Vale (VALE3) +3,34% -4,09%
Petrobras (PETR4) +1,41% -3,61% Embraer (EMBR3) +0,31% -5,90%
Eletrobras (ELET3) +1,23% -5,90% Banco do Brasil (BBAS3) +1,47% -2,94%
Eletrobras (ELET6) -0,38% -5,55% Cemig (CMIG4) +2,41% -2,29%

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SETOR BANCÁRIO SETOR SIDERÚRGICO
Ativo 13/08 14/08 Ativo 13/08 14/08
Itaú Unibanco (ITUB3) +0,95% -1,78% Usiminas (USIM3) +2,35% -2,51%
Santander (SANB11) +0,87% -3,76% CSN (CSNA3) +3,31% -4,54%
Bradesco (BBDC3) +1,99% -2,99% Gerdau (GGBR4) +2,78% -4,60%