Ibovespa desaba mais de 3% e recua aos 93 mil na pior semana de 2019; dólar dispara a R$3,90

Essa semana foi de grandes desafios para o mercado brasileiro! Desde a entrega da proposta de reforma da Previdência dos militares que não veio conforme o esperado, o Ibovespa reflete o receio dos investidores sobre a capacidade da equipe de governo em materializar os ajustes prometidos. A situação se agravou com a prisão do ex-presidente, Michel Temer, na manhã de ontem, em mais uma fase da operação da Lava-Jato e atingiu seu ápice na sessão de hoje, quando o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, declarou que deixará o núcleo de articulação de apoio à reforma da Previdência.

Maia justificou sua saída no fato de estar sob a mira de inúmeras críticas feitas por pessoas ligadas à Bolsonaro e acrescentou que há muito desgaste na relação do governo junto ao Congresso. Direto do Chile, onde participa de uma reunião na sede do governo local, o presidente Bolsonaro se manifestou dizendo estar aberto ao diálogo para resolver o impasse.

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Como resultado, a Bolsa brasileira encerrou em expressiva queda de 3,10%, aos 93.735 pontos e um volume financeiro de R$19,902 bilhões. Na semana, o índice geral da B3 registrou perda acumulada de 5,45%. O dólar comercial disparou 2,64%, sendo cotado a R$3,90, renovando a máxima do ano. Devido ao aumento do clima de aversão ao risco nos mercados internacionais, a procura por proteção comprada em dólar fez a divisa americana subir firme contra as moedas emergentes, ficando o real dentre as piores posições.

Os contratos de juros futuros fecharam com elevação nas taxas de todos os períodos, sobretudo nos DIs de longo prazo, reagindo às instabilidades políticas do governo e às pressões externas, com o aumento das preocupações frente ao movimento de desaceleração da economia global. O DI com vencimento para dezembro/2019 avançou para 6,50% (6,35% no ajuste anterior), o DI para março/2022 subiu para 7,97% (7,62% no ajuste anterior) e o DI para dezembro/2028 saltou para 9,38% (8,98% no ajuste anterior).

As ações de maior liquidez encerram em território negativo. As maiores baixas da Bovespa na sessão foram: B2W Digital (BTOW3/ -8,56%), Lojas Americanas (LAME4/ -7,55%), Natura (NATU3/ -7,78%), Gol (GOLL4/ -5,83%) e Cyrela (CYRE3/ -5,58%).

Vale – A agência de classificação rating S&P colocou a recomendação da Vale para possível rebaixamento e confirmou o rating BBB- com perspectiva negativa. Ao mesmo tempo, a agência rebaixou o rating do perfil de crédito individual para bbb- alegando que as tragédias ocorridas em Brumadinho e Mariana colocam em xeque a capacidade da mineradora em “compreender, mapear, controlar e mitigar os riscos em barragens”, além das incertezas sobre os valores que serão gastos com multas e indenizações e o impacto disto na liquidez da companhia.

Petrobras – A Petrobras conseguiu cancelar a liminar que interrompia a hibernação da fábrica de fertilizantes, localizada na Bahia (Fafen-BA). Assim, a petrolífera conseguirá dar sequência no processo licitatório para a venda do ativo, junto com a outra fábrica em Sergipe (Fafen-SE). Os procedimentos de alienação tiveram início no ano passado, porém foram suspensos depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, proibiu a venda do controle de estatais e subsidiárias sem a aprovação do congresso.

COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo 21/03 22/03 Ativo 21/03 22/03
Petrobras (PETR3) -2,18% -4,80% Vale (VALE3) +0,47% -1,91%
Petrobras (PETR4) -1,42% -5,43% Embraer (EMBR3) -0,47% -2,83%
Eletrobras (ELET3) -1,56% -4,38% Banco do Brasil (BBAS3) -2,08% -5,52%
Eletrobras (ELET6) -3,21% -5,03% Cemig (CMIG4) -1,59% -2,97%

Manual do Imposto de Renda para Investidores

SETOR BANCÁRIO SETOR SIDERÚRGICO
Ativo 21/03 22/03 Ativo 21/03 22/03
Itaú Unibanco (ITUB3) -2,08% -2,42% Usiminas (USIM3) -1,24% -3,92%
Santander (SANB11) -2,17% -3,13% CSN (CSNA3) -1,89% -4,36%
Bradesco (BBDC3) -3,14% -3,08% Gerdau (GGBR4) +0,51% -4,53%